Rang e Dale: Farmacologia
Oxidação do iodeto e iodação dos resíduos de tirosina da tireoglobulina
A captação do iodeto precisa ocorrer contra um gradiente de concentração
(normalmente cerca de 25:1) e, portanto, é um processo dependente de
energia. O iodeto é captado do sangue e transportado até o lúmen por dois
transportadores: o cotransportador de Na+/I- (NIS; do inglês, Na+/ I-
symporter), localizado na superfície basolateral dos tireócitos (sendo a
energia fornecida pela Na+/K+-ATPase), e a pendrina1 (PDS), um
transportador de I-/Cl- das membranas apicais (Nilsson, 2001). A captação é
muito rápida, pois o iodeto marcado (125I) é encontrado no lúmen dentro de
40 s após a sua injeção intravenosa. Várias mutações foram descobertas nos
genes do NIS e da PDS, as quais contribuem para as doenças da tireoide em
alguns pacientes.
OXIDAÇÃO DO IODETO E IODAÇÃO DOS RESÍDUOS DE TIROSINA DA TIREOGLOBULINA
A oxidação do iodeto e sua incorporação à tireoglobulina (chamada de
organificação do iodeto) são catalisadas pela tireoperoxidase, uma enzima
encontrada na superfície interna da célula na interface com o coloide. A
reação requer a presença de peróxido de hidrogênio (H2O2) como agente oxidante, e a iodação ocorre depois que a tirosina é incorporada à
tireoglobulina. Esse processo é ilustrado na Figura 35.2.
Os resíduos de tirosina são iodados inicialmente na posição 3 do anel,
originando a monoiodotirosina (MIT) e, em seguida, em algumas
moléculas, na posição 5, originando a di-iodotirosina (DIT). Ainda
incorporadas à tireoglobulina, essas moléculas são unidas em pares: MIT
com DIT, formando T 3, ou duas moléculas de DIT, formando T4 (Figuras
35.2 e 35.3). Acredita-se que o mecanismo de união envolva um sistema de
peroxidase semelhante à reação de iodação. Cerca de um quinto dos
resíduos de tirosina da tireoglobulina é iodado dessa maneira.