Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 469 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Barreira hematencefálica

sinápticas excitatórias e inibitórias e dos impulsos externos (x e y no

diagrama). Adicionada a essa complexidade está a influência das células

gliais, mencionadas anteriormente.

Um fator adicional importante de complicação é que uma faixa de

respostas adaptativas secundárias é geralmente colocada em ação por

qualquer perturbação do sistema induzida pelo fármaco. Tipicamente, o

aumento na liberação do transmissor, ou interferência na captação dele, é

contrabalançado pela inibição da síntese do transmissor, pelo reforço na

expressão do transportador ou pela diminuição da expressão do receptor.

Essas alterações, que envolvem alteração da expressão do gene, geralmente,

levam tempo (horas, dias ou semanas) para se desenvolverem e não estão

evidentes nas experiências farmacológicas agudas.

Em uma situação clínica, com frequência, os efeitos de fármacos

psicotrópicos demoram semanas para se desenvolverem, então é provável

que reflitam respostas adaptativas e mudanças na percepção lentamente

desenvolvidas em vez dos efeitos farmacodinâmicos imediatos do fármaco.

Essa situação encontra-se mais bem documentada para os fármacos

antipsicóticos e antidepressivos (ver Capítulos 47 e 48). O desenvolvimento

da dependência de opioides, benzodiazepínicos e psicoestimulantes é

igualmente gradual no início (ver Capítulo 50). Assim, é necessário levar

em conta não apenas a interação primária do fármaco com seu alvo, mas

também a resposta secundária a longo prazo do cérebro a esse efeito

primário; frequentemente, é essa resposta secundária, e não o efeito

primário, que leva ao benefício clínico.

 

BARREIRA HEMATENCEFÁLICA

▼ Fator importante na farmacologia do SNC é a barreira

hematencefálica (ver Capítulo 9), cuja penetração requer que as

moléculas atravessem as células endoteliais vasculares em vez de passar

entre elas. A inflamação pode perturbar a integridade da barreira

hematencefálica, permitindo que fármacos anteriormente impermeáveis,

como a penicilina, a atravessem. Em geral, apenas as pequenas

moléculas não polares podem difundir-se passivamente através das

membranas celulares. Alguns fármacos neuroativos penetram dessa

maneira na barreira hematencefálica, porém muitos o fazem por meio de

transportadores que facilitam a entrada no cérebro ou a diminuem,

bombeando o composto do interior da célula endotelial de volta para a

corrente sanguínea. Fármacos que conseguem penetrar dessa maneira

incluem a levodopa (ver Capítulo 41), o valproato (ver Capítulo 46) e

vários sedativos antagonistas da histamina (ver Capítulo 18). A extrusão

ativa de fármacos do cérebro ocorre por meio da glico-proteína P, um

transportador de efluxo de fármacos regulado pelo ATP, e de proteínas

transportadoras relacionadas (ver Capítulo 9). Muitos fármacos

antibacterianos e anticancerígenos não penetram no cérebro, enquanto

alguns fármacos que atuam no SNC – incluindo opioides,

antidepressivos, antipsicóticos e antiepilépticos – são liberados

ativamente pelo cérebro (Linnet e Ejsing, 2008). É importante

considerar a variação da atividade dos transportadores de efluxo entre

pacientes (ver Capítulos 9 e 12).

Ação dos fármacos no sistema nervoso central

 

• Os tipos básicos de alvos dos fármacos (canais iônicos, receptores, enzimas e proteínas

transportadoras) descritos no Capítulo 3 aplicam-se ao sistema nervoso central da mesma

forma que em outros lugares

• A maioria desses alvos ocorre em várias isoformas moleculares diversas, originando

diferenças na função e na farmacologia

• Muitos dos fármacos neuroativos atualmente disponíveis são relativamente inespecí cos,

afetando vários alvos diferentes, sendo os principais os receptores, os canais iônicos e os

transportadores

• A relação entre o per l farmacológico e o efeito terapêutico dos fármacos neuroativos é,

com frequência, obscura

• As respostas secundárias à interação primária do fármaco com seu alvo, de

desenvolvimento lento, são frequentemente importantes (p. ex., a e cácia retardada dos

fármacos antidepressivos e a tolerância e a dependência aos opiáceos).

 

Figura 38.2 Esquema simplificado das interconexões neuronais no sistema

nervoso central. Os neurônios 1, 2 e 3 são mostrados liberando os transmissores a, b e c, respectivamente, que podem ser excitatórios ou inibitórios. Botões do neurônio 1 terminam no neurônio 2, mas também no próprio neurônio 1, e nos terminais pré-sinápticos dos outros neurônios que fazem conexões sinápticas com o neurônio 1. O neurônio 2 também retroalimenta o neurônio 1 por intermédio do interneurônio 3. Os transmissores (x e y) liberados pelos outros neurônios também atuam no neurônio 1. Mesmo com essa simples rede, os efeitos da interferência induzida pelo fármaco nos sistemas transmissores específicos podem ser difíceis de prever.

 

Tabela 38.2 Classificação geral dos fármacos que atuam

no sistema nervoso central.

 

Classe De nição Exemplos Capítulo

Fármacos utilizados para Iso urano, des urano,

Agentes anestésicos gerais 42

produzir anestesia geral propofol, etomidato

Opioides

Fármacos utilizados

Dor neuropática –

Fármacos analgésicos clinicamente para o controle 43

carbamazepina,

da dor

gabapentina, amitriptilina,

duloxetina

Benzodiazepinas (p. ex.,

Fármacos que reduzem a

Ansiolíticos e sedativos diazepam, clordiazepóxido, 45

ansiedade e causam sono

urazepam, clonazepam)

Fármacos antiepilépticos Fármacos utilizados para Carbamazepina, valproato,

46

Sinônimo: anticonvulsivantes reduzir convulsões lamotrigina

Fármacos antipsicóticos Fármacos utilizados para

Clozapina, haloperidol,

Sinônimo: fármacos aliviar os sintomas da 47

risperidona

antiesquizofrênicos esquizofrenia

Fármacos antidepressivos Fármacos utilizados para Inibidores seletivos da 48

aliviar os sintomas da recaptação de serotonina, depressão antidepressivos tricíclicos,