Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 248 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Degradação e transporte do óxido nítrico

proteinoquinase A,4 enquanto a proteinoquinase C reduz a atividade da

NOS3 pela fosforilação de resíduos no domínio de ligação da calmodulina,

reduzindo, assim, a ligação desta última. A insulina aumenta a atividade da

NOS3 por meio da ativação da tirosinoquinase (e também aumenta a

expressão da NOS1 em camundongos diabéticos).

Em contraste com as isoformas constitutivas da NOS, a atividade da

NOS2 é independente da [Ca2+]i, estando ativada completamente mesmo

com os baixos níveis da [Ca2+] i presentes em condições de repouso. A enzima é induzida por lipopolissacarídios bacterianos e citocinas

inflamatórias, notadamente γ-interferona, cujo efeito antiviral deve-se a

essa ação. O fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e a interleucina-1 (IL-1)

isoladamente não induzem a NOS2, mas cada um deles atua de modo

sinérgico com γ-interferona (ver Capítulo 18). A indução da NOS2 é inibida

por glicocorticoides e por várias citocinas, incluindo o fator de

transformação de crescimento β. Existem importantes diferenças na

indutibilidade da NOS2 entre as espécies, sendo a enzima menos facilmente

induzida em células humanas do que em células de camundongo.

 

DEGRADAÇÃO E TRANSPORTE DO ÓXIDO NÍTRICO

O óxido nítrico reage com o oxigênio para formar N 2O4, que se combina com água para formar uma mistura de ácidos nítrico e nitroso. Os íons

nitrito são oxidados a nitrato pela oxi-hemoglobina. Um resumo dessas

reações é o seguinte:

Óxido nítrico | Síntese, inativação e transporte

 

• O NO é sintetizado a partir de L-arginina e O2 molecular pela NOS

• A NOS existe em três isoformas: induzível (NOS2), e as formas constitutivas “endotelial”

(NOS3, que não é restrita a células endoteliais) e neuronal (NOS1). As NOSs são

avoproteínas diméricas que contêm tetra-hidrobiopterina e apresentam homologia com

o citocromo P450. As enzimas constitutivas são ativadas pela cálcio-calmodulina. A

sensibilidade à cálcio-calmodulina é regulada pela fosforilação de resíduos especí cos nas

enzimas

• A NOS2 é induzida em macrófagos e outras células por citocinas in amatórias,

especialmente por γ-interferona

• A NOS1 está presente no SNC (ver Capítulos 38 a 41) e em alguns nervos autônomos

• Além do endotélio, a NOS3 está presente em plaquetas e outras células

• O NO se difunde para locais de ação em células vizinhas. Isso é regulado pelo estado de

oxidação-redução da hemoglobina alfa, que está presente nas junções mioendoteliais que

atuam como corredores de difusão ao longo da lâmina elástica interna (e em outras

células): a sinalização pode ocorrer quando o heme está no estado Fe 3+, mas para – como

um sinal vermelho – quando o heme está no estado Fe2+

• O NO é inativado pela combinação com o heme da hemoglobina ou por oxidação a nitrito

e nitrato, que são eliminados na urina; também está presente no ar exalado,

especialmente em pacientes com doenças in amatórias pulmonares como a bronquite

• O NO pode reagir reversivelmente com resíduos de cisteína (p. ex., na globina ou na

albumina) para formar nitrosotióis estáveis; em consequência, as hemácias podem atuar

como um tipo de fonte de NO regulada por O 2. O NO liberado por essa via escapa da inativação pelo heme ao ser exportado via resíduos cisteína na proteína de troca de ânions

presente nas membranas das hemácias.

Baixas concentrações de NO são relativamente estáveis no ar, pois a

velocidade da reação (Equação 21.1) depende do quadrado da concentração

de NO, de modo que pequenas quantidades de NO produzidas no pulmão

escapam à degradação e podem ser detectadas no ar exalado. O NO exalado

está aumentado em pacientes com doenças pulmonares como a bronquite, e

é usado como um biomarcador da inflamação respiratória (ver Capítulo 29).

Em contrapartida, o NO reage muito rapidamente mesmo com baixas

concentrações de ânion superóxido (O − 2) para produzir ânion peroxinitrito (ONOO−), que é responsável por alguns de seus efeitos tóxicos.

▼ O heme apresenta uma afinidade pelo NO mais de 10.000 vezes

maior do que pelo oxigênio. Na ausência de oxigênio, a ligação do NO

ao heme é relativamente estável, mas na presença de oxigênio, o NO é

convertido em nitrato e o ferro hêmico (Fe2+) é oxidado para formar

meta-hemoglobina (Fe3+).

O NO derivado do endotélio atua localmente sobre a musculatura

vascular lisa subjacente ou sobre os monócitos ou plaquetas aderentes.

A lâmina elástica interna das pequenas artérias é uma camada de fibras

elásticas entre o endotélio e o músculo liso, que representa uma barreira

para a difusão. Esta é penetrada por junções mioendoteliais, em que as

células endoteliais e do músculo liso se tocam, formando um corredor

ao longo do qual o NO se pode difundir. A hemoglobina alfa é

concentrada nessas junções e atua como um sinal pare/prossiga sensível

à oxidação/redução. Quando o ferro hêmico está no estado oxidado Fe3+

(meta-hemoglobina), o NO pode se difundir ao longo do corredor e para

dentro da célula muscular lisa na qual atua; no entanto, quando o ferro

hêmico está no estado Fe2+, o NO é rapidamente convertido a nitrato e a

via de difusão fica eficazmente fechada para ele. A conversão de

metemoglobina para hemoglobina, impedindo o NO de atravessar a