Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 499 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Histamina

como sonolência, descoordenação motora, analgesia e atividade

anticonvulsivante. As xantinas, como a cafeína (ver Capítulo 49), que são

antagonistas dos receptores A 2, produzem despertar e alerta.

Existem duas formas de receptores do ATP – os receptores P2X e P2Y

(ver também Capítulo 17). As subunidades de receptores P2X (P2X1-7) são

canais de cátions controlados por ligantes triméricos que podem ter uma

composição homomérica ou heteromérica. Existem poucas provas de que o

ATP atue nos receptores pós-sinápticos P2X e como mediador na

transmissão sináptica rápida no encéfalo. Os receptores P2X estão

localizados na membrana celular pós-sináptica afastada dos locais de

contato sináptico, nos terminais nervosos e nos astrócitos. Assim como a

acetilcolina nos receptores nicotínicos (p. 507), a ATP que atua nos

receptores P2X de terminações nervosas parece desempenhar um papel

neuromodulador. Existem oito receptores P2Y,5 todos acoplados à proteína

G (ver Tabela 17.1).

Embora existam poucas dúvidas de que a sinalização purinérgica

desempenhe um papel significativo no funcionamento do SNC, nosso

conhecimento sobre isso ainda é muito limitado. Há otimismo no sentido de

que os ligantes dos receptores purinérgicos – tanto agonistas quanto

antagonistas – irão se provar úteis em várias alterações do SNC (Chen et

al., 2013; Jacobson e Müller, 2016).

 

HISTAMINA

▼ A histamina está presente no encéfalo em quantidades menores que

em outros tecidos, como a pele e o pulmão, porém, indubitavelmente,

desempenha um papel de neurotransmissor (Brown et al., 2001). Os

corpos celulares dos neurônios histaminérgicos, que também sintetizam

e liberam uma variedade de outros transmissores, estão restritos a uma

pequena parte do hipotálamo, e seus axônios dirigem-se para todas as

partes do encéfalo. De forma não usual, não está presente um

mecanismo de captação para histamina, sendo sua ação terminada,

então, por metilação enzimática. A presença prolongada de histamina no

espaço extracelular pode explicar seu envolvimento em processos

homeostáticos como o ciclo sono/vigília, ingestão de alimentos e água e

regulação da temperatura.

A histamina atua em quatro tipos de receptores (H 1-4; ver Capítulo 18) no

encéfalo. Os H 1-H3 atuam na maior parte das regiões do encéfalo, o H4 apresenta uma distribuição mais restrita. São todos receptores acoplados à

proteína G – os receptores H 1 a Gq, H2 a Gs e H3 e H4 a Gi/Go. Os receptores

H 3 são receptores inibitórios nos neurônios que liberam histamina bem como nos terminais que liberam outros neurotransmissores.

Assim como as outras monoaminas transmissoras, a histamina está

envolvida em muitas funções diferentes do SNC. A liberação de histamina

segue padrão circadiano distinto, sendo os neurônios ativos durante o dia e

silentes à noite. Os receptores H1 no córtex e no sistema ativador reticular

contribuem para o despertar e para o alerta, e os antagonistas do receptor H 1

que acessam o SNC produzem sedação (ver Capítulo 45). Os anti-

histamínicos são amplamente usados para controlar náuseas e vômitos, por

exemplo, no enjoo de movimento e nos distúrbios da orelha média, como

também para induzir o sono. A atividade recente da indústria farmacêutica

tem se centrado no desenvolvimento de antagonistas seletivos dos

receptores H 3 por apresentarem potencial no tratamento do déficit cognitivo

associado à doença de Alzheimer (ver Capítulo 41), na esquizofrenia (ver

Capítulo 47), no transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (ver

Capítulo 49) e na doença de Parkinson (ver Capítulo 41), bem como no tratamento da narcolepsia, da obesidade e de estados de dor (Ellenbrock e