Rang e Dale: Farmacologia
Efeitos nos sistemas cardiovascular e respiratório
Teorias da anestesia
• Compostos muito simples e não reativos produzem efeitos narcóticos; o exemplo extremo
é o gás inerte xenônio
• A potência anestésica está intimamente correlacionada com a solubilidade lipídica
(correlação de Overton-Meyer), e não com a estrutura química
• As teorias iniciais da anestesia postulavam a interação com a camada lipídica dupla da
membrana. Os trabalhos recentes favorecem a interação com canais iônicos de membrana
• A maioria dos anestésicos aumenta a atividade dos receptores GABAA inibitórios e outros
canais iônicos alça cys operados por ligantes. Outros efeitos importantes são a ativação de
uma subfamília de canais de potássio (os canais de K + com domínio de dois poros) e a
inibição de receptores NMDA excitatórios.
Conforme a concentração do anestésico é aumentada, todas as funções
cerebrais são progressivamente afetadas, incluindo o controle motor e a
atividade reflexa, a respiração e a regulação autônoma. Portanto, não é
possível identificar um “local-alvo” crítico no cérebro responsável por
todos os fenômenos da anestesia.
Concentrações elevadas de qualquer anestésico geral afetam todas as
partes do SNC, causando inibição profunda, a qual, na ausência de
respiração artificial, leva à morte por insuficiência respiratória. A margem
entre a anestesia cirúrgica e a depressão respiratória e circulatória
potencialmente fatal é bastante estreita, exigindo monitoramento cuidadoso
pelo anestesista e ajuste do nível da anestesia.
EFEITOS NOS SISTEMAS CARDIOVASCULAR E RESPIRATÓRIO
A maioria dos anestésicos diminui a contratilidade cardíaca, porém seus
efeitos sobre o débito cardíaco e a pressão sanguínea variam por causa das
ações concomitantes no sistema nervoso simpático e no músculo liso
vascular. O isoflurano e outros anestésicos halogenados inibem o fluxo
simpático, reduzem o tônus arterial e venoso e, portanto, reduzem a pressão
arterial e venosa. Em contraste, o óxido nitroso e a cetamina aumentam a
descarga simpática e a concentração plasmática de norepinefrina e, se
usados sós, aumentam a frequência cardíaca e mantêm a pressão sanguínea.
Os anestésicos halogenados causam extrassístoles ventriculares. Esse
mecanismo envolve a sensibilização à epinefrina. O monitoramento
eletrocardiográfico mostra que batimentos extrassistólicos ocorrem
comumente em pacientes anestesiados, sem prejuízo para o paciente. Se a
secreção de catecolamina for excessiva, entretanto (por excelência, no
feocromocitoma, um tumor neuroendócrino que libera catecolaminas na
circulação; ver Capítulo 15), há o risco de precipitação de fibrilação
ventricular.
Com exceção de óxido nitroso, cetamina e xenônio, todos os
anestésicos deprimem a respiração e aumentam a P”CO2 arterial. O óxido nitroso possui efeito muito menor, em parte porque sua menor potência
previne a indução de anestesia muito profunda. Alguns anestésicos
inalatórios são pungentes, particularmente o desflurano, que tende a causar
tosse, laringospasmo e broncospasmo e, portanto, não é utilizado para a
indução da anestesia, mas somente para sua manutenção.