Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 526 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Efeitos nos sistemas cardiovascular e respiratório

Teorias da anestesia

 

• Compostos muito simples e não reativos produzem efeitos narcóticos; o exemplo extremo

é o gás inerte xenônio

• A potência anestésica está intimamente correlacionada com a solubilidade lipídica

(correlação de Overton-Meyer), e não com a estrutura química

• As teorias iniciais da anestesia postulavam a interação com a camada lipídica dupla da

membrana. Os trabalhos recentes favorecem a interação com canais iônicos de membrana

• A maioria dos anestésicos aumenta a atividade dos receptores GABAA inibitórios e outros

canais iônicos alça cys operados por ligantes. Outros efeitos importantes são a ativação de

uma subfamília de canais de potássio (os canais de K + com domínio de dois poros) e a

inibição de receptores NMDA excitatórios.

 

Conforme a concentração do anestésico é aumentada, todas as funções

cerebrais são progressivamente afetadas, incluindo o controle motor e a

atividade reflexa, a respiração e a regulação autônoma. Portanto, não é

possível identificar um “local-alvo” crítico no cérebro responsável por

todos os fenômenos da anestesia.

Concentrações elevadas de qualquer anestésico geral afetam todas as

partes do SNC, causando inibição profunda, a qual, na ausência de

respiração artificial, leva à morte por insuficiência respiratória. A margem

entre a anestesia cirúrgica e a depressão respiratória e circulatória

potencialmente fatal é bastante estreita, exigindo monitoramento cuidadoso

pelo anestesista e ajuste do nível da anestesia.

 

EFEITOS NOS SISTEMAS CARDIOVASCULAR E RESPIRATÓRIO

A maioria dos anestésicos diminui a contratilidade cardíaca, porém seus

efeitos sobre o débito cardíaco e a pressão sanguínea variam por causa das

ações concomitantes no sistema nervoso simpático e no músculo liso

vascular. O isoflurano e outros anestésicos halogenados inibem o fluxo

simpático, reduzem o tônus arterial e venoso e, portanto, reduzem a pressão

arterial e venosa. Em contraste, o óxido nitroso e a cetamina aumentam a

descarga simpática e a concentração plasmática de norepinefrina e, se

usados sós, aumentam a frequência cardíaca e mantêm a pressão sanguínea.

Os anestésicos halogenados causam extrassístoles ventriculares. Esse

mecanismo envolve a sensibilização à epinefrina. O monitoramento

eletrocardiográfico mostra que batimentos extrassistólicos ocorrem

comumente em pacientes anestesiados, sem prejuízo para o paciente. Se a

secreção de catecolamina for excessiva, entretanto (por excelência, no

feocromocitoma, um tumor neuroendócrino que libera catecolaminas na

circulação; ver Capítulo 15), há o risco de precipitação de fibrilação

ventricular.

Com exceção de óxido nitroso, cetamina e xenônio, todos os

anestésicos deprimem a respiração e aumentam a P”CO2 arterial. O óxido nitroso possui efeito muito menor, em parte porque sua menor potência

previne a indução de anestesia muito profunda. Alguns anestésicos

inalatórios são pungentes, particularmente o desflurano, que tende a causar

tosse, laringospasmo e broncospasmo e, portanto, não é utilizado para a

indução da anestesia, mas somente para sua manutenção.