Rang e Dale: Farmacologia
Natureza da esquizofrenia
A esquizofrenia2 (Stahl, 2008) afeta cerca de 1% da população. É uma das formas mais importantes de doença psiquiátrica porque afeta pessoas jovens, é frequentemente crônica
e, em geral, altamente incapacitante.3 Existe um fator hereditário importante na sua etiologia e sugestiva evidência de um transtorno fundamentalmente biológico. As principais características clínicas da doença são mostradas a seguir.
■ Sintomas positivos
• Delírios (frequentemente de natureza paranoide) • Alucinações (muitas vezes na forma de vozes, que podem ser incitantes na sua
mensagem)
• Transtorno do pensamento (compreendendo linhas de pensamento extravagantes,
delírios de grandeza, frases distorcidas e conclusões irracionais)
• Comportamento anormal, desorganizado (tal como movimentos estereotipados,
desorientação e, ocasionalmente, comportamentos agressivos)
• Catatonia (pode ser aparente como imobilidade ou atividade motora sem um
propósito).
■ Sintomas negativos
• Afastamento de contatos sociais
• Aplanamento das respostas emocionais • Anedonia (incapacidade em experimentar prazer) • Relutância em executar tarefas diárias.
■ Cognição
• Déficits na função cognitiva (p. ex., atenção, memória).
Adicionalmente, estão com frequência presentes ansiedade, culpabilidade, depressão e autopenalização, conduzindo a tentativas de suicídio que chegam a 50% dos casos, cerca de 10% dos quais com sucesso. O fenótipo clínico varia bastante, particularmente no que se refere ao equilíbrio entre sintomas positivos e negativos, e isso pode ter influência na eficácia dos fármacos antipsicóticos nos casos individuais. A esquizofrenia pode apresentar-se de forma drástica, em geral em pessoas jovens, com achados predominantemente positivos como alucinações, delírios e comportamento incontrolável ou, mais insidiosamente, em pacientes mais idosos com achados negativos, tais como humor aplanado e isolamento social. Os últimos podem estar mais debilitados do que aqueles que se apresentam atraindo mais atenção, e o prognóstico é geralmente pior. A deficiência cognitiva pode ser evidente mesmo antes do início dos outros sintomas. A esquizofrenia pode ter uma evolução por recaídas e remissões, ou ser crônica e progressiva, particularmente nos casos de início tardio. A esquizofrenia crônica era responsável pela maioria dos pacientes em hospitais psiquiátricos de longa permanência; após o fechamento de muitos desses hospitais, ela é hoje responsável por muitos dos marginalizados da sociedade.