Rang e Dale: Farmacologia
Viés afetivo negativo
terapêuticos dos fármacos antidepressivos que atuam seletivamente somente
nesses dois transmissores (ver Tabela 48.1).
Qualquer teoria sobre a depressão deve levar em consideração o fato de
os efeitos bioquímicos diretos da maioria dos antidepressivos aparecerem
muito rapidamente (minutos a horas), enquanto os efeitos antidepressivos
levam semanas para se desenvolver. Existe situação semelhante quanto aos
antipsicóticos (ver Capítulo 47) e alguns ansiolíticos (ver Capítulo 45). Para
explicar esse fenômeno, os proponentes da teoria da monoamina sugeriram
que alterações secundárias, adaptativas no cérebro (p. 611), em vez do
efeito primário do fármaco, são responsáveis pela melhora clínica, e que os
efeitos induzidos pelo fármaco nos sistemas de monoaminas do cérebro
resultam em efeitos tróficos mais prolongados, cuja duração é acompanhada
pelas alterações de humor.
VIÉS AFETIVO NEGATIVO
As pessoas que sofrem de depressão tendem a perceber os eventos de forma
pessimista, concentrar-se na informação negativa e relembrar a informação
de uma forma também negativa em vez de positiva – um padrão de
comportamento que os psicólogos chamam de viés afetivo negativo. Os
estudos que comparam voluntários saudáveis e pacientes deprimidos
sugerem que os fármacos antidepressivos podem, de fato, exercer efeitos
agudos na forma como a informação é processada (processamento
cognitivo), levando a um efeito positivo no comportamento emocional. Por
exemplo, quando apresentada uma série de imagens mostrando expressões
faciais de diferentes níveis de alegria ou tristeza, os pacientes deprimidos
consideram menos faces como sendo felizes do que os voluntários
saudáveis que veem as mesmas imagens (Figura 48.1). No entanto, após uma única dose de antidepressivo, os pacientes deprimidos agora