Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 590 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Viés afetivo negativo

terapêuticos dos fármacos antidepressivos que atuam seletivamente somente

nesses dois transmissores (ver Tabela 48.1).

Qualquer teoria sobre a depressão deve levar em consideração o fato de

os efeitos bioquímicos diretos da maioria dos antidepressivos aparecerem

muito rapidamente (minutos a horas), enquanto os efeitos antidepressivos

levam semanas para se desenvolver. Existe situação semelhante quanto aos

antipsicóticos (ver Capítulo 47) e alguns ansiolíticos (ver Capítulo 45). Para

explicar esse fenômeno, os proponentes da teoria da monoamina sugeriram

que alterações secundárias, adaptativas no cérebro (p. 611), em vez do

efeito primário do fármaco, são responsáveis pela melhora clínica, e que os

efeitos induzidos pelo fármaco nos sistemas de monoaminas do cérebro

resultam em efeitos tróficos mais prolongados, cuja duração é acompanhada

pelas alterações de humor.

 

VIÉS AFETIVO NEGATIVO

As pessoas que sofrem de depressão tendem a perceber os eventos de forma

pessimista, concentrar-se na informação negativa e relembrar a informação

de uma forma também negativa em vez de positiva – um padrão de

comportamento que os psicólogos chamam de viés afetivo negativo. Os

estudos que comparam voluntários saudáveis e pacientes deprimidos

sugerem que os fármacos antidepressivos podem, de fato, exercer efeitos

agudos na forma como a informação é processada (processamento

cognitivo), levando a um efeito positivo no comportamento emocional. Por

exemplo, quando apresentada uma série de imagens mostrando expressões

faciais de diferentes níveis de alegria ou tristeza, os pacientes deprimidos

consideram menos faces como sendo felizes do que os voluntários

saudáveis que veem as mesmas imagens (Figura 48.1). No entanto, após uma única dose de antidepressivo, os pacientes deprimidos agora