Rang e Dale: Farmacologia
ATP como neurotransmissor
A ideia de que um metabólito comum como o ATP pudesse ser um membro
da elite dos neurotransmissores teve resistência durante muito tempo, mas
atualmente está bem estabelecida. O ATP é um transmissor na periferia,
tanto como mediador primário quanto como um cotransmissor nos
terminais nervosos noradrenérgicos. Os subtipos de receptores
predominantemente expressos em neurônios são o P2X 2, P2X4 e P2X6. O
receptor P2X 1 predomina no músculo liso.
O ATP está contido em vesículas sinápticas tanto dos neurônios
adrenérgicos quanto dos colinérgicos, e é responsável por muitos dos
efeitos produzidos pela estimulação dos nervos autonômicos que não são
causados pela acetilcolina ou pela norepinefrina (ver Capítulo 13). Esses
efeitos incluem o relaxamento do músculo liso intestinal evocado pela
estimulação simpática, e a contração da bexiga produzida pelos nervos
parassimpáticos. Burnstock et al. demostraram que o ATP é liberado
durante a estimulação do nervo de modo dependente de Ca2+, e que o ATP
exógeno geralmente mimetiza os efeitos da estimulação de diversas
preparações. O ATP pode funcionar como um transmissor convencional
“rápido” em gânglios autônomos e possivelmente no SNC, ou como um
transmissor pré-sináptico inibitório.
A adenosina, produzida após hidrólise de ATP, exerce efeitos inibitórios
pré-sinápticos na liberação de transmissores excitatórios no SNC e na
periferia.
ATP NA NOCICEPÇÃO
O ATP causa dor quanto injetado SC , por exemplo, em consequência da
ativação dos receptores heteroméricos P2X 2 e/ou P2X3 nos neurônios
aferentes envolvidos na transdução da nocicepção (ver Capítulo 43). A dor