Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 201 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

ATP como neurotransmissor

A ideia de que um metabólito comum como o ATP pudesse ser um membro

da elite dos neurotransmissores teve resistência durante muito tempo, mas

atualmente está bem estabelecida. O ATP é um transmissor na periferia,

tanto como mediador primário quanto como um cotransmissor nos

terminais nervosos noradrenérgicos. Os subtipos de receptores

predominantemente expressos em neurônios são o P2X 2, P2X4 e P2X6. O

receptor P2X 1 predomina no músculo liso.

O ATP está contido em vesículas sinápticas tanto dos neurônios

adrenérgicos quanto dos colinérgicos, e é responsável por muitos dos

efeitos produzidos pela estimulação dos nervos autonômicos que não são

causados pela acetilcolina ou pela norepinefrina (ver Capítulo 13). Esses

efeitos incluem o relaxamento do músculo liso intestinal evocado pela

estimulação simpática, e a contração da bexiga produzida pelos nervos

parassimpáticos. Burnstock et al. demostraram que o ATP é liberado

durante a estimulação do nervo de modo dependente de Ca2+, e que o ATP

exógeno geralmente mimetiza os efeitos da estimulação de diversas

preparações. O ATP pode funcionar como um transmissor convencional

“rápido” em gânglios autônomos e possivelmente no SNC, ou como um

transmissor pré-sináptico inibitório.

A adenosina, produzida após hidrólise de ATP, exerce efeitos inibitórios

pré-sinápticos na liberação de transmissores excitatórios no SNC e na

periferia.

 

ATP NA NOCICEPÇÃO

O ATP causa dor quanto injetado SC , por exemplo, em consequência da

ativação dos receptores heteroméricos P2X 2 e/ou P2X3 nos neurônios

aferentes envolvidos na transdução da nocicepção (ver Capítulo 43). A dor