Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 65 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Oligonucleotídios

Voltamo-nos, depois, para outro tipo de biofármaco, desta vez baseado em

estruturas de oligonucleotídios. Estes oferecem uma forma alternativa de

modificação de material genético que é bem menos problemática do que

entregar genes inteiros (ver adiante). Entre as abordagens mais úteis está o

uso de oligonucleotídios antisense. Estes são oligonucleotídios curtos

complementares a parte do gene ou produto de gene que se pretende

modificar ou suprimir. O oligômero tem de ter pelo menos 15 bases para

conferir especificidade e uma ligação coesa à sua sequência-alvo (a maior

parte tem entre 15 e 25). Tais sequências de material genético podem ser

desenhadas para suprimir a expressão de um gene deletério por meio da

formação de um tríplex (uma hélice de três cadeias) com um componente

regulador de DNA cromossômico, ou mediante complexação de uma região

de mRNA como um dúplex. Ao contrário das construções de genes inteiros,

os oligonucleotídios podem atravessar as membranas plasmáticas e

nucleares por endocitose, bem como por difusão direta, apesar de seu

tamanho molecular e carga. Para evitar destruição por nucleotidases que são

ubíquas em fluidos biológicos, foram desenvolvidos o metilfosforato,

fosfotiorato ou outros análogos enzima-resistentes.

Após a administração parenteral, esses oligômeros distribuem-se

amplamente pelo corpo (embora não pelo SNC) e trabalham, em parte,

interferindo na transcrição do mRNA e em parte por meio do estímulo da

sua degradação pela ribonuclease H. Mipomerseno, a primeira terapia

antisense a ser licenciada (2013), é um análogo de fosfotiorato que suprime

a expressão da apolipoproteína B e atua por meio deste mecanismo. Pode

ser usada para tratar uma forma rara de hipercolesterolemia (Figura 5.2).

Outro fármaco oligonucleotídio recentemente (2016) aprovado pela FDA,

eteplirsena, tem como alvo uma região específica do gene distrofina, que está mutado na distrofia muscular de Duchenne, alterando a forma de

leitura e causando a remoção do éxon defeituoso, com o resultado de que o

produto final traduzido é uma versão parcialmente funcional da proteína.

Depois de um início lento, com apenas dois agentes chegando ao

mercado antes de 2017, no momento em que este livro é escrito, vários

fármacos candidatos estão sendo testados para uso no tratamento de

doenças virais, incluindo infecção pelo HIV, citomegalovírus e vírus

hemorrágico, bem como câncer, atrofia muscular espinal e outras doenças.

Uma abordagem relacionada (Castanatto e Rossi, 2009), que constitui

um silenciamento mais eficiente de genes do que os oligonucleotídios

antisense, é o uso de RNA curto de interferência (siRNA),3 em que

segmentos curtos de RNA de cadeia dupla recrutam um complexo

enzimático, conhecido como RISC (RNA-induced silencing complex), que

degrada seletivamente o mRNA correspondente produzido pela célula,

bloqueando, assim, a expressão. Essas sequências de RNA silenciador

podem também ser produzidas de forma eficiente em uma célula infectada

com um vírus construído para expressar a sequência correta. Ensaios

clínicos de terapia com siRNA estão em curso.

 

Tabela 5.2 Diferenças entre biofármacos e fármacos de

moléculas pequenas convencionais.

 

Propriedade Fármaco convencional Biofármaco

Geralmente > 5.000 kDa (103), por exemplo,

Dimensões 2 3 3 4 Geralmente < 500 kDa (10 ) oligonucleotídios, 10 ; pequenas proteínas 10 a 10;

mAb 105 6 ; genes > 10

Síntese Fácil de sintetizar séries idênticas A maior parte dos biofármacos é única (exceto

pequenos peptídios e pequenos oligonucleotídios que

podem ser sintetizados quimicamente)