Rang e Dale: Farmacologia
Isoflurano, desflurano, sevoflurano, enflurano e halotano
Propriedades farmacocinéticas dos anestésicos inalatórios
• A indução e a recuperação rápidas são propriedades importantes de um agente
anestésico, permitindo o controle exível da profundidade da anestesia
• A velocidade da indução e da recuperação é determinada por duas propriedades do
anestésico: solubilidade no sangue (coe ciente de partição sangue:gás) e solubilidade na
gordura (solubilidade lipídica)
• Os agentes com coe cientes de partição sangue:gás baixos produzem indução e
recuperação rápidas (p. ex., óxido nitroso, des urano); agentes com coe cientes
elevados de partição sangue:gás mostram indução e recuperação lentas
• Agentes com solubilidade lipídica elevada acumulam-se gradualmente na gordura
corporal e podem produzir “ressaca” prolongada se usados para cirurgia prolongada de
longa duração
• Alguns anestésicos halogenados (especialmente halotano e metoxi urano) são
metabolizados. Isso não é muito importante na determinação de sua duração de ação,
porém contribui para a toxicidade (p. ex., toxicidade renal associada à produção de
uoreto pelo metoxi urano – não mais usado).
ISOFLURANO, DESFLURANO, SEVOFLURANO, ENFLURANO E HALOTANO
Atualmente, o isoflurano é o anestésico volátil mais comumente utilizado.
Não é consideravelmente metabolizado e não possui a ação pró-convulsiva
do enflurano. Pode causar hipotensão e é potente vasodilatador coronário.
Paradoxalmente, isso pode exacerbar a isquemia cardíaca, no caso de
pacientes com doença coronária, devido ao fenômeno de “roubo de fluxo”
(ver Capítulo 22).
O desflurano é quimicamente semelhante ao isoflurano, porém sua
menor solubilidade no sangue e na gordura significa que a titulação da
profundidade da anestesia e a recuperação são mais rápidas; assim, vem
sendo cada vez mais utilizado como anestésico em pacientes obesos sujeitos
a cirurgia bariátrica e para cirurgia de rotina. Não é consideravelmente
metabolizado. É menos potente que os fármacos já descritos. Em
concentrações utilizadas para a indução da anestesia (cerca de 10%), o
desflurano causa certa irritação no trato respiratório, o que pode causar
tosse e broncospasmo. O rápido aumento na profundidade da anestesia com
o desflurano pode estar associado à elevação da atividade simpática, o que
não é desejável em pacientes com doença cardíaca isquêmica.
O sevoflurano assemelha-se ao desflurano, porém é mais potente e não
causa o mesmo nível de irritação respiratória. É parcialmente
(aproximadamente 3%) metabolizado, e são produzidos níveis detectáveis
de flúor, embora não pareçam ser suficientes para causar toxicidade.
O enflurano apresenta velocidade moderada de indução, mas é muito
pouco utilizado nos dias atuais. Foi originalmente introduzido como
alternativa para o metoxiflurano. Pode causar convulsões, ou durante a
indução ou após a recuperação da anestesia, especialmente em pacientes
que sofrem de epilepsia. Nesse contexto, é interessante que uma substância
relacionada, o dietil-éter com substituição do flúor, o hexafluoro-éter, é um
potente agente convulsivante, embora o mecanismo não seja compreendido.
O halotano foi um importante fármaco para o desenvolvimento dos
anestésicos voláteis inalatórios, porém seu uso declinou em favor do
isoflurano, devido ao potencial de acúmulo de metabólitos tóxicos. O
halotano apresenta efeito relaxante pronunciado sobre o útero, o que pode
causar sangramento pós-parto e limita sua utilização para propósitos
obstétricos.