Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 535 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Isoflurano, desflurano, sevoflurano, enflurano e halotano

Propriedades farmacocinéticas dos anestésicos inalatórios

 

• A indução e a recuperação rápidas são propriedades importantes de um agente

anestésico, permitindo o controle exível da profundidade da anestesia

• A velocidade da indução e da recuperação é determinada por duas propriedades do

anestésico: solubilidade no sangue (coe ciente de partição sangue:gás) e solubilidade na

gordura (solubilidade lipídica)

• Os agentes com coe cientes de partição sangue:gás baixos produzem indução e

recuperação rápidas (p. ex., óxido nitroso, des urano); agentes com coe cientes

elevados de partição sangue:gás mostram indução e recuperação lentas

• Agentes com solubilidade lipídica elevada acumulam-se gradualmente na gordura

corporal e podem produzir “ressaca” prolongada se usados para cirurgia prolongada de

longa duração

• Alguns anestésicos halogenados (especialmente halotano e metoxi urano) são

metabolizados. Isso não é muito importante na determinação de sua duração de ação,

porém contribui para a toxicidade (p. ex., toxicidade renal associada à produção de

uoreto pelo metoxi urano – não mais usado).

 

ISOFLURANO, DESFLURANO, SEVOFLURANO, ENFLURANO E HALOTANO

Atualmente, o isoflurano é o anestésico volátil mais comumente utilizado.

Não é consideravelmente metabolizado e não possui a ação pró-convulsiva

do enflurano. Pode causar hipotensão e é potente vasodilatador coronário.

Paradoxalmente, isso pode exacerbar a isquemia cardíaca, no caso de

pacientes com doença coronária, devido ao fenômeno de “roubo de fluxo”

(ver Capítulo 22).

O desflurano é quimicamente semelhante ao isoflurano, porém sua

menor solubilidade no sangue e na gordura significa que a titulação da

profundidade da anestesia e a recuperação são mais rápidas; assim, vem

sendo cada vez mais utilizado como anestésico em pacientes obesos sujeitos

a cirurgia bariátrica e para cirurgia de rotina. Não é consideravelmente

metabolizado. É menos potente que os fármacos já descritos. Em

concentrações utilizadas para a indução da anestesia (cerca de 10%), o

desflurano causa certa irritação no trato respiratório, o que pode causar

tosse e broncospasmo. O rápido aumento na profundidade da anestesia com

o desflurano pode estar associado à elevação da atividade simpática, o que

não é desejável em pacientes com doença cardíaca isquêmica.

O sevoflurano assemelha-se ao desflurano, porém é mais potente e não

causa o mesmo nível de irritação respiratória. É parcialmente

(aproximadamente 3%) metabolizado, e são produzidos níveis detectáveis

de flúor, embora não pareçam ser suficientes para causar toxicidade.

O enflurano apresenta velocidade moderada de indução, mas é muito

pouco utilizado nos dias atuais. Foi originalmente introduzido como

alternativa para o metoxiflurano. Pode causar convulsões, ou durante a

indução ou após a recuperação da anestesia, especialmente em pacientes

que sofrem de epilepsia. Nesse contexto, é interessante que uma substância

relacionada, o dietil-éter com substituição do flúor, o hexafluoro-éter, é um

potente agente convulsivante, embora o mecanismo não seja compreendido.

O halotano foi um importante fármaco para o desenvolvimento dos

anestésicos voláteis inalatórios, porém seu uso declinou em favor do

isoflurano, devido ao potencial de acúmulo de metabólitos tóxicos. O

halotano apresenta efeito relaxante pronunciado sobre o útero, o que pode

causar sangramento pós-parto e limita sua utilização para propósitos

obstétricos.