Rang e Dale: Farmacologia
Antiandrógenos
Tanto os estrógenos como os progestógenos têm atividade antiandrogênica:
os estrógenos, principalmente por inibir a secreção de gonadotrofina, e os
progestógenos, por competir pelos receptores de andrógenos em órgãos-
alvo. A ciproterona é um derivado da progesterona e tem pouca atividade
progestacional. Ela é agonista parcial em receptores de andrógenos,
competindo com a di-hidrotestosterona por receptores em tecidos-alvo
sensíveis a andrógenos. Por meio de seu efeito no hipotálamo, ela deprime a
síntese de gonadotrofinas. É usada como adjuvante no tratamento do câncer
prostático, durante a iniciação do tratamento com agonistas de GnRH. Ela é
também usada na terapia da puberdade precoce em homens e na
masculinização e acne em mulheres. Além disso, exerce um efeito sobre o
sistema nervoso central, diminuindo a libido, e tem sido usada para tratar a
hipersexualidade em delinquentes sexuais masculinos.3
A flutamida é um antiandrógeno não esteroide usado com agonistas de
GnRH no tratamento do câncer de próstata.
Os fármacos podem ter ação antiandrogênica por inibirem enzimas
sintéticas. A finasterida inibe a enzima 5α-redutase, que converte a
testosterona em di-hidrotestosterona (ver Figura 36.3). Esse metabólito
ativo tem maior afinidade que a testosterona para receptores de andrógenos
na próstata. A finasterida é bem absorvida após administração oral, tem
meia-vida de aproximadamente 7 h e é eliminada na urina e nas fezes. Ela é
usada para tratar a hiperplasia prostática benigna, embora antagonistas de
receptores α 1-adrenérgicos, por exemplo, terazosina ou tansulosina (ver
Capítulos 15 e 30), sejam mais efetivos. Isso porque trabalham por
mecanismo inteiramente diferente do relaxamento do músculo liso na
cápsula da próstata e opõem-se ao crescimento prostático mediado pelos
receptores α1-adrenérgicos. A cirurgia é outra opção. HORMÔNIO LIBERADOR DE GONADOTROFINAS | AGONISTAS E ANTAGONISTAS