Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos antivirais
prognóstico em países que são capazes de os fornecer, e assim os pacientes
tratados podem gozar de uma expectativa média de vida quase normal.
Há evidência de que fatores genéticos desempenhem importante papel
na determinação da suscetibilidade – ou da resistência – ao HIV (Flores-
Villanueva et al., 2003).
FÁRMACOS ANTIVIRAIS
Como os vírus sequestram muitos dos processos metabólicos da própria
célula do hospedeiro, é difícil encontrar fármacos que sejam seletivos para
o patógeno. No entanto, há algumas enzimas que são específicas do vírus, e
estas se tornaram alvos úteis para os fármacos. Atualmente, a maioria dos
agentes antivirais disponíveis é efetiva apenas enquanto o vírus está se
replicando. Como as fases iniciais da infecção viral são geralmente
assintomáticas, o tratamento é frequentemente retardado até que a doença
esteja bem estabelecida. Isso é lamentável porque, como é muitas vezes o
caso das doenças infecciosas, um grama de prevenção vale um quilo de
cuidados, daí a importância da profilaxia pré-exposição sempre que
possível.
Figura 53.3 + Diagrama esquemático de infecção de uma célula T CD4 por um vírion HIV, com os locais de ação das principais classes de fármacos anti-HIV. São mostradas as 10 etapas da infecção pelo HIV, desde a ligação com a célula até a liberação de novos vírions. O vírus usa o correceptor CD4 e o receptor de quimiocina (ck) CCR5/CXCR4 como locais de ligação para facilitar a entrada na célula, onde se incorpora ao DNA do hospedeiro (etapas 1 a 5). Quando a transcrição ocorre (etapa 6), a própria célula T é ativada e o fator nuclear de transcrição κB inicia a transcrição tanto do DNA da célula do hospedeiro quanto do DNA do pró-vírus. Uma protease viral cliva os polipeptídios virais nascentes (etapas 7 e 8) nas enzimas (integrase, transcriptase reversa, protease) e proteínas estruturais para os novos vírions. Estes são montados e liberados das células, iniciando uma nova fase da infecção (etapas 9 e 10). Os locais de ação dos fármacos anti-HIV estão assinalados.
Os fármacos antivirais, dos quais muitos estão agora disponíveis, podem
ser agrupados convenientemente de acordo com os seus mecanismos de
ação. A Tabela 53.2 mostra os agentes mais comuns, classificados desta
forma juntamente com algumas das doenças para cujo tratamento eles são
utilizados, enquanto a Tabela 53.3 lista os principais agentes
especificamente usados para tratar o HIV.
Figura 53.4 Esboço esquemático da evolução da infecção pelo HIV. A titulação da célula T CD4+ 3 é frequentemente expressa como células/mm. (Adaptada de Pantaleo et al., 1993.)
Tabela 53.2 Fármacos usados para tratar infecções virais.
Uso comum Fármaco Mecanismo de ação Comentários
Análogos dos nucleosídios ou
Cidofovir, foscarnete, nucleotídios e outros
Citomegalovírus EA GI múltiplos e outros
ganciclovir, valganciclovir fármacos que inibem a DNA-
polimerase
Análogos dos nucleosídios ou
Adefovir, entecavir,
nucleotídios e outros
Hepatite B lamivudina, telbivudina, EA GI múltiplos e outros comuns
fármacos que inibem a
tenofovir
transcriptase reversa
Daclatasvir, ledipasvir,
Inibidores da protease NS 5A
ombitasvir, ritonavir O ritonavir atrasa o metabolismo de outros
fármacos e aumenta os seus efeitos. EA
Boceprevir, paritaprevir, Inibidores da protease NS
múltiplos são comuns. O ledipasvir é
simeprevir, telaprevir 3/4A
usado como parte de uma combinação de
Hepatite C
Inibidores da RNA- dose xa com o sofosbuvir
Dasabuvir, sofosbuvir
polimerase NS 5B
Análogo de nucleosídio: Também usado para outras infecções
Ribavirina
mecanismo incerto virais. EA múltiplos são comuns
Alfainterferona,
Hepatites B e C Imunoestimulante EA “semelhante a gripe” comum
alfapeginterferona
Aciclovir, fanciclovir (PD), Nucleosídios e outros
EA múltiplos são comuns. Idoxuridina
idoxuridina, penciclovir, inibidores da DNA-
Herpes valaciclovir usada de forma tópica oftálmica polimerase viral
Inosina pranobex Imunomodulador EA metabólicos
In uenza A e B Deve ser administrado nos primeiros 2
Oseltamivir Inibidor da neuraminidase dias após a infecção. Efeitos adversos GI
são comuns
Zanamivir Inibidor da neuraminidase Deve ser administrado nos primeiros 2
dias após a infecção. Usado em pacientes
imunocompetentes. EA comuns incluem
eritema
Bloqueador de canais iônicos Apenas in uenza A (raramente usado na
Amantadina
no vírus atualidade)
Contra proteínas virais
Vírus sincicial
Palivizumabe importantes para a A ribavirina também é usada
respiratório
internalização nas células
GI, gastrintestinal; PD, profármaco; EA, efeitos adversos.
(Dados de várias fontes, incluindo BNF 2017.)
Tabela 53.3 Fármacos usados para tratar a infecção pelo
HIV.
Fármaco Mecanismo de ação Comentários
Abacavir, didanosina, entricitabina, Os primeiros fármacos anti-HIV. EA múltiplos,
Inibidores nucleosídicos ou
lamivudina, estavudina, tenofovir, especialmente GI e metabólicos (p. ex.,
nucleotídicos da transcriptase reversa
zidovudina acidose láctica), são comuns
Efavirenz, etravirina, nevirapina, Inibidores não nucleosídicos da EA múltiplos são comuns. Ine caz contra
rilpivirina transcriptase reversa HIV-2
Atazanavir, darunavir,
fosamprenavir (PD), indinavir, Lipodistro a e muitos EA GI-relacionados são
Inibidores da protease
lopinavir, ritonavir, saquinavir, comuns
tipranavir
Inibidor da fusão do HIV com as células Frequentemente usado para tratar infecções
Enfuvirtida
do hospedeiro resistentes. EA múltiplos comuns
Dolutegravir, elvitegravir,
Inibidor da integrase do HIV EA múltiplos comuns
raltegravir
Maraviroque Antagonista do receptor da quimiocina HIV CCR5-dependente. EA GI comuns