Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 676 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos antivirais

prognóstico em países que são capazes de os fornecer, e assim os pacientes

tratados podem gozar de uma expectativa média de vida quase normal.

Há evidência de que fatores genéticos desempenhem importante papel

na determinação da suscetibilidade – ou da resistência – ao HIV (Flores-

Villanueva et al., 2003).

 

FÁRMACOS ANTIVIRAIS

Como os vírus sequestram muitos dos processos metabólicos da própria

célula do hospedeiro, é difícil encontrar fármacos que sejam seletivos para

o patógeno. No entanto, há algumas enzimas que são específicas do vírus, e

estas se tornaram alvos úteis para os fármacos. Atualmente, a maioria dos

agentes antivirais disponíveis é efetiva apenas enquanto o vírus está se

replicando. Como as fases iniciais da infecção viral são geralmente

assintomáticas, o tratamento é frequentemente retardado até que a doença

esteja bem estabelecida. Isso é lamentável porque, como é muitas vezes o

caso das doenças infecciosas, um grama de prevenção vale um quilo de

cuidados, daí a importância da profilaxia pré-exposição sempre que

possível.

Figura 53.3 + Diagrama esquemático de infecção de uma célula T CD4 por um vírion HIV, com os locais de ação das principais classes de fármacos anti-HIV. São mostradas as 10 etapas da infecção pelo HIV, desde a ligação com a célula até a liberação de novos vírions. O vírus usa o correceptor CD4 e o receptor de quimiocina (ck) CCR5/CXCR4 como locais de ligação para facilitar a entrada na célula, onde se incorpora ao DNA do hospedeiro (etapas 1 a 5). Quando a transcrição ocorre (etapa 6), a própria célula T é ativada e o fator nuclear de transcrição κB inicia a transcrição tanto do DNA da célula do hospedeiro quanto do DNA do pró-vírus. Uma protease viral cliva os polipeptídios virais nascentes (etapas 7 e 8) nas enzimas (integrase, transcriptase reversa, protease) e proteínas estruturais para os novos vírions. Estes são montados e liberados das células, iniciando uma nova fase da infecção (etapas 9 e 10). Os locais de ação dos fármacos anti-HIV estão assinalados.

 

Os fármacos antivirais, dos quais muitos estão agora disponíveis, podem

ser agrupados convenientemente de acordo com os seus mecanismos de

ação. A Tabela 53.2 mostra os agentes mais comuns, classificados desta

forma juntamente com algumas das doenças para cujo tratamento eles são

utilizados, enquanto a Tabela 53.3 lista os principais agentes

especificamente usados para tratar o HIV.

 

Figura 53.4 Esboço esquemático da evolução da infecção pelo HIV. A titulação da célula T CD4+ 3 é frequentemente expressa como células/mm. (Adaptada de Pantaleo et al., 1993.)

 

Tabela 53.2 Fármacos usados para tratar infecções virais.

Uso comum Fármaco Mecanismo de ação Comentários

Análogos dos nucleosídios ou

Cidofovir, foscarnete, nucleotídios e outros

Citomegalovírus EA GI múltiplos e outros

ganciclovir, valganciclovir fármacos que inibem a DNA-

polimerase

Análogos dos nucleosídios ou

Adefovir, entecavir,

nucleotídios e outros

Hepatite B lamivudina, telbivudina, EA GI múltiplos e outros comuns

fármacos que inibem a

tenofovir

transcriptase reversa

Daclatasvir, ledipasvir,

Inibidores da protease NS 5A

ombitasvir, ritonavir O ritonavir atrasa o metabolismo de outros

fármacos e aumenta os seus efeitos. EA

Boceprevir, paritaprevir, Inibidores da protease NS

múltiplos são comuns. O ledipasvir é

simeprevir, telaprevir 3/4A

usado como parte de uma combinação de

Hepatite C

Inibidores da RNA- dose xa com o sofosbuvir

Dasabuvir, sofosbuvir

polimerase NS 5B

Análogo de nucleosídio: Também usado para outras infecções

Ribavirina

mecanismo incerto virais. EA múltiplos são comuns

Alfainterferona,

Hepatites B e C Imunoestimulante EA “semelhante a gripe” comum

alfapeginterferona

Aciclovir, fanciclovir (PD), Nucleosídios e outros

EA múltiplos são comuns. Idoxuridina

idoxuridina, penciclovir, inibidores da DNA-

Herpes valaciclovir usada de forma tópica oftálmica polimerase viral

Inosina pranobex Imunomodulador EA metabólicos

In uenza A e B Deve ser administrado nos primeiros 2

Oseltamivir Inibidor da neuraminidase dias após a infecção. Efeitos adversos GI

são comuns

Zanamivir Inibidor da neuraminidase Deve ser administrado nos primeiros 2

dias após a infecção. Usado em pacientes

imunocompetentes. EA comuns incluem

eritema

Bloqueador de canais iônicos Apenas in uenza A (raramente usado na

Amantadina

no vírus atualidade)

Contra proteínas virais

Vírus sincicial

Palivizumabe importantes para a A ribavirina também é usada

respiratório

internalização nas células

GI, gastrintestinal; PD, profármaco; EA, efeitos adversos.

(Dados de várias fontes, incluindo BNF 2017.)

 

Tabela 53.3 Fármacos usados para tratar a infecção pelo

HIV.

 

Fármaco Mecanismo de ação Comentários

Abacavir, didanosina, entricitabina, Os primeiros fármacos anti-HIV. EA múltiplos,

Inibidores nucleosídicos ou

lamivudina, estavudina, tenofovir, especialmente GI e metabólicos (p. ex.,

nucleotídicos da transcriptase reversa

zidovudina acidose láctica), são comuns

Efavirenz, etravirina, nevirapina, Inibidores não nucleosídicos da EA múltiplos são comuns. Ine caz contra

rilpivirina transcriptase reversa HIV-2

Atazanavir, darunavir,

fosamprenavir (PD), indinavir, Lipodistro a e muitos EA GI-relacionados são

Inibidores da protease

lopinavir, ritonavir, saquinavir, comuns

tipranavir

Inibidor da fusão do HIV com as células Frequentemente usado para tratar infecções

Enfuvirtida

do hospedeiro resistentes. EA múltiplos comuns

Dolutegravir, elvitegravir,

Inibidor da integrase do HIV EA múltiplos comuns

raltegravir

Maraviroque Antagonista do receptor da quimiocina HIV CCR5-dependente. EA GI comuns