Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 403 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Enfoques farmacológicos do problema da obesidade

Obesidade

 

• A obesidade é um distúrbio multifatorial do balanço calórico, no qual a aquisição de

calorias, a longo prazo, excede o gasto de energia

• 2 2 Um indivíduo com índice de massa corporal (IMC) (peso/altura ) de 20 a 25 kg/m é

considerado como de peso corporal saudável; com IMC de 25 a 30 kg/m2, como com

sobrepeso; e com IMC > 30 kg/m2, como obeso

• A obesidade é um problema crescente nos países mais ricos; a incidência (atualmente de

aproximadamente 30% nos EUA e mais de 20% na Europa) está aumentando

• 2 O IMC > 30 kg/m aumenta signi cativamente o risco de diabetes melito tipo 2,

hipercolesterolemia, hipertensão, cardiopatia isquêmica, cálculos biliares e alguns

cânceres

• As causas da obesidade podem incluir:

– Fatores da dieta, sociais, nanceiros e culturais, além de exercícios

– Suscetibilidade genética

– De ciências em síntese e ação da leptina ou outros sinais provenientes de hormônios

intestinais

– Defeitos nos sistemas neuronais hipotalâmicos que respondem a qualquer um desses

sinais

– Defeitos nos sistemas que controlam os gastos de energia (p. ex., redução da

atividade simpática), diminuição dos gastos de energia metabólicos ou diminuição

da termogênese causada por redução de tônus mediada pelos receptores

adrenérgicos β3 e/ou disfunção de proteínas que desacoplam a fosforilação oxidativa.

 

ENFOQUES FARMACOLÓGICOS DO PROBLEMA DA OBESIDADE

As primeiras armas na luta contra a obesidade são dieta e exercício. No

entanto, infelizmente, elas costumam falhar ou mostrar pouca eficácia a

curto prazo, deixando apenas as técnicas cirúrgicas (como a colocação de

grampos ou derivação gástrica) ou a terapia medicamentosa como

alternativas viáveis. A cirurgia bariátrica (perda de peso) é muito mais

efetiva do que os fármacos atualmente licenciados, e acredita-se que

funcione, principalmente, não por limitar mecanicamente a capacidade

gástrica, mas sim pelos seus efeitos nas respostas hormonais do intestino à

alimentação, atuando, por exemplo, para produzir saciedade de maneira

mais precoce. Isso pode ser considerado como uma evidência indireta da

utilidade de medidas farmacológicas concebidas para interromper estes

mensageiros.

A tentativa de controlar o peso corporal com fármacos tem tido uma

história longa e, lamentavelmente, muito peculiar.8 No passado, foram

testados muitos tipos de agentes “anorexígenos” (supressores do apetite),

incluindo o agente de desacoplamento dinitrofenol (DNP), as anfetaminas

e seus derivados, como a dexfenfluramina e a fenfluramina. Contudo,

todos foram retirados do uso clínico por causa dos seus efeitos adversos. O

DNP, uma substância química industrial, é anunciado on-line como agente

de emagrecimento e “queimador de gorduras” para quem deseja emagrecer

e para fisioculturistas, mas causou mortes entre as pessoas que o usaram

com essas finalidades. Isso porque ele bloqueia a produção de ATP

mitocondrial, desviando o metabolismo energético para produzir calor em

vez de ATP e aumentando a taxa de metabolismo global, que pode causar

hipertermia fatal.9