Rang e Dale: Farmacologia
Tipos de reações adversas aos fármacos
As RAF clinicamente importantes são comuns, dispendiosas e, com
frequência, evitáveis (Pirmohamed et al., 2004).1 Qualquer órgão pode ser o
alvo principal, e vários sistemas orgânicos podem estar simultaneamente
envolvidos. Às vezes, o tempo de duração de um efeito adverso acompanha
a administração e a descontinuação do fármaco, mas, em outros casos, esse
efeito ocorre apenas com o uso prolongado (p. ex., osteoporose no decorrer
de terapia com doses elevadas de glicocorticoides [ver Capítulo 34], ou
discinesia tardia, durante o uso contínuo de antipsicóticos [ver Capítulo
47]). Alguns efeitos adversos ocorrem ao término do tratamento, em alguns
poucos dias (p. ex., taquicardia na interrupção brusca de um bloqueador de
receptor β-adrenérgico) ou após certo período, surgindo meses ou anos após
o término do tratamento, como, por exemplo, no caso de algumas
malignidades secundárias, após quimioterapia bem-sucedida. Em
consequência, evitar, reconhecer e responder à RAF são os aspectos mais
importantes e desafiadores na prática clínica. A avaliação do mal provocado
por reações adversas inesperadas ou raras após longos períodos de terapia é
especialmente problemática. Estimativas precisas do risco são raramente
obtidas nessas circunstâncias.
TIPOS DE REAÇÕES ADVERSAS AOS FÁRMACOS
Os efeitos nocivos dos fármacos podem ou não estar relacionados aos
respectivos mecanismos de ação conhecidos. De qualquer modo, as
variações individuais (ver Capítulo 12) representam importante fator na
determinação da resposta de um paciente específico e de sua suscetibilidade
ao dano. Aronson e Ferner (2003) sugeriram que as RAF fossem descritas
de acordo com a dose, o tempo de duração e a suscetibilidade (DoTS).
Fatores de suscetibilidade potenciais como a idade e as condições de
comorbidade são, portanto, explicitamente considerados.