Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 229 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Quimiocinas

são as chaves reguladoras da maioria das manifestações da resposta

inflamatória. A discussão que existia, acerca de qual dos dois é

efetivamente o principal dinamizador da inflamação, terminou quando se

percebeu que isso varia de acordo com o tipo e doença. Na doença

autoimune (p. ex., artrite reumatoide, em que o sistema imunitário

adaptativo é ativado), o TNF parece ser a influência predominante, e o

bloqueio da sua ação é efetivo em nível terapêutico. Nas doenças

autoinflamatórias (p. ex., gota, em que apenas há envolvimento do sistema

inato), a IL-1 parece ser o mediador-chave (Dinarello et al., 2012). O TNF-

α e a IL-1 são alvos importantes para a biofarmacêutica anti-inflamatória

(ver Capítulos 5 e 27).

Nem todas as interleucinas são pró-inflamatórias: algumas, incluindo o

fator de crescimento de transformação (TGF)-β, IL-4, IL-10 e IL-13, são

substâncias anti-inflamatórias potentes. Elas inibem a produção de

quimiocinas e as respostas conduzidas pelas células T-helper (auxiliares)

(Th) 1, cuja ativação inapropriada se relaciona com a patogênese de várias

doenças.

 

QUIMIOCINAS

As quimiocinas são definidas como citocinas quimiotáxicas que controlam

a migração de leucócitos, funcionando como coordenadoras de tráfego

celular durante reações imunológicas e inflamatórias. Mais uma vez, a

nomenclatura (e a classificação) é confusa, visto que alguns mediadores que

não são citocinas também controlam o movimento dos leucócitos (C5a,

LTB 4, f-Met-Leu-Phe etc.; ver Figura 7.2), e muitas quimiocinas têm mais de um nome. Além disso, muitas quimiocinas apresentam outras ações,

como a desgranulação de mastócitos ou a promoção da angiogênese.

Mais de 40 quimiocinas foram identificadas. Todas são constituídas por

peptídios altamente homólogos de 8 a 10 kDa, sendo geralmente

classificadas em grupos, de acordo com a configuração dos resíduos de

cisteína nas suas cadeias polipeptídicas. As quimiocinas com uma cisteína

são conhecidas como quimiocinas C. Se existirem dois resíduos adjacentes,

são chamadas de quimiocinas C-C. Outros membros têm cisteínas

separadas por um (quimiocinas C-X-C) ou três outros resíduos (quimiocinas

C-XXX-C).

As quimiocinas C-X-C (o principal exemplo é a IL-8; ver Figura 7.2)

atuam em neutrófilos e estão envolvidas predominantemente nas respostas

inflamatórias agudas. As quimiocinas C-C (os principais exemplos são

eotaxina, MCP-1 e RANTES)6 atuam em monócitos, eosinófilos e outras

células, e estão envolvidas predominantemente nas respostas inflamatórias

crônicas.

▼ De modo geral, as quimiocinas atuam por meio de receptores

acoplados à proteína G, cuja expressão alterada ou inapropriada tem

implicações na esclerose múltipla, no câncer, na artrite reumatoide e em

algumas doenças cardiovasculares (Gerard e Rollins, 2001). Alguns

tipos de vírus (herpes-vírus, citomegalovírus, poxvírus e membros da

família dos retrovírus) podem exaurir o sistema de quimiocinas e

subverter as defesas do hospedeiro (Murphy, 2001). Alguns produzem

proteínas que mimetizam quimiocinas ou receptores de quimiocinas do

hospedeiro, alguns atuam como antagonistas dos receptores de

quimiocinas e outros, ainda, se fazem passar por fatores de crescimento

ou fatores angiogênicos. O vírus da imunodeficiência humana (HIV)

causador da AIDS é responsável pela mais audaciosa exaustão do

sistema de quimiocinas do hospedeiro. Este vírus tem uma proteína

(gp120) no seu envelope que reconhece e se liga a receptores CD4 da