Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 540 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Neurônios aferentes nociceptivos

• Dor neuropática associada à patologia do sistema nervoso (p. ex.,

herpes, diabetes, AVE)

• Dor musculoesquelética (p. ex., dor dorsolombar) e dor de causa

desconhecida assumida padronizadamente como sendo psicogênica (p.

ex., fibromialgia).

Boas observações sobre a base neural da dor podem ser encontradas em

McMahon et al. (2013).

 

NEURÔNIOS AFERENTES NOCICEPTIVOS

Sob condições normais, a dor associa-se à atividade de impulsos em fibras

aferentes primárias de pequeno diâmetro (C e Aδ) dos nervos periféricos.

Esses nervos possuem terminações sensitivas nos tecidos periféricos e são

ativados por estímulos de vários tipos (mecânicos, térmicos, químicos). A

maioria dos neurônios de fibras não mielinizadas (C) é associada às

terminações nociceptivas polimodais e transmitem dor profunda, difusa e

em queimação, enquanto as fibras mielinizadas (Aδ) transmitem dor aguda

e bem localizada. As fibras C e Aδ transmitem a informação nociceptiva

proveniente do músculo e das vísceras, assim como a proveniente da pele.

Com muitas afecções patológicas, a lesão tecidual é a causa imediata da

dor e resulta em liberação local de uma variedade de substâncias químicas

que atuam sobre as terminações nervosas, seja ativando-as diretamente, ou

potencializando sua sensibilidade a outras formas de estimulação (Figura

43.1). As propriedades farmacológicas das terminações nervosas

nociceptivas são discutidas a seguir com mais detalhes.

Os corpos celulares das fibras aferentes nociceptivas situam-se nos

gânglios da raiz dorsal; as fibras entram na medula espinal através das

raízes dorsais, terminando na substância cinzenta do corno posterior (ver

Figura 43.4). A maioria das fibras aferentes nociceptivas termina na região superficial do corno posterior, com as fibras C e algumas fibras Aδ

inervando os corpos celulares nas lâminas I e II (também conhecidas como

substância gelatinosa [SG]), enquanto outras fibras A penetram mais

profundamente no corno posterior (lâmina V). A SG é rica em peptídios

opioides endógenos e em receptores opioides, e pode ser um local

importante para a ação de fármacos semelhantes à morfina. As células nas

lâminas I e V dão origem às principais vias de projeção do corno posterior

até o tálamo. Para mais detalhes sobre o circuito do corno posterior, ver

Todd e Koerber (2013).

Os neurônios nociceptivos aferentes liberam glutamato e,

possivelmente, ATP, como os neurotransmissores rápidos nas suas sinapses

centrais no corno dorsal. A ação do glutamato nos receptores AMPA é

responsável pela rápida transmissão sináptica na primeira sinapse no corno

dorsal. Também ocorre uma resposta mais lenta mediada pelos receptores

NMDA e que é importante para o fenômeno de wind-up (Figura 43.2). Os

neurônios nociceptivos aferentes também contêm vários neuropeptídios (ver

Capítulo 19), principalmente substância P e peptídio relacionado com o

gene da calcitonina (CGRP). Estes são liberados como mediadores, tanto

nos terminais centrais quanto nos periféricos, e desempenham papel

importante na patologia da dor. No nível periférico, a substância P e o

CGRP produzem algumas das características da inflamação neurogênica.

Os antagonistas do CGRP apresentam potencial no tratamento da

enxaqueca (ver Capítulo 16), mas não demonstraram ser eficazes em outros

estados de dor. Em modelos animais, demonstrou-se que a substância P que

atua nos receptores NK1 estava relacionada com o wind-up e a

sensibilização central no corno dorsal (ver Figura 43.2). No entanto e

surpreendentemente, os antagonistas da substância P nos receptores NK 1 revelaram-se ineficazes como analgésicos em seres humanos, embora