Rang e Dale: Farmacologia
Neurônios aferentes nociceptivos
• Dor neuropática associada à patologia do sistema nervoso (p. ex.,
herpes, diabetes, AVE)
• Dor musculoesquelética (p. ex., dor dorsolombar) e dor de causa
desconhecida assumida padronizadamente como sendo psicogênica (p.
ex., fibromialgia).
Boas observações sobre a base neural da dor podem ser encontradas em
McMahon et al. (2013).
NEURÔNIOS AFERENTES NOCICEPTIVOS
Sob condições normais, a dor associa-se à atividade de impulsos em fibras
aferentes primárias de pequeno diâmetro (C e Aδ) dos nervos periféricos.
Esses nervos possuem terminações sensitivas nos tecidos periféricos e são
ativados por estímulos de vários tipos (mecânicos, térmicos, químicos). A
maioria dos neurônios de fibras não mielinizadas (C) é associada às
terminações nociceptivas polimodais e transmitem dor profunda, difusa e
em queimação, enquanto as fibras mielinizadas (Aδ) transmitem dor aguda
e bem localizada. As fibras C e Aδ transmitem a informação nociceptiva
proveniente do músculo e das vísceras, assim como a proveniente da pele.
Com muitas afecções patológicas, a lesão tecidual é a causa imediata da
dor e resulta em liberação local de uma variedade de substâncias químicas
que atuam sobre as terminações nervosas, seja ativando-as diretamente, ou
potencializando sua sensibilidade a outras formas de estimulação (Figura
43.1). As propriedades farmacológicas das terminações nervosas
nociceptivas são discutidas a seguir com mais detalhes.
Os corpos celulares das fibras aferentes nociceptivas situam-se nos
gânglios da raiz dorsal; as fibras entram na medula espinal através das
raízes dorsais, terminando na substância cinzenta do corno posterior (ver
Figura 43.4). A maioria das fibras aferentes nociceptivas termina na região superficial do corno posterior, com as fibras C e algumas fibras Aδ
inervando os corpos celulares nas lâminas I e II (também conhecidas como
substância gelatinosa [SG]), enquanto outras fibras A penetram mais
profundamente no corno posterior (lâmina V). A SG é rica em peptídios
opioides endógenos e em receptores opioides, e pode ser um local
importante para a ação de fármacos semelhantes à morfina. As células nas
lâminas I e V dão origem às principais vias de projeção do corno posterior
até o tálamo. Para mais detalhes sobre o circuito do corno posterior, ver
Todd e Koerber (2013).
Os neurônios nociceptivos aferentes liberam glutamato e,
possivelmente, ATP, como os neurotransmissores rápidos nas suas sinapses
centrais no corno dorsal. A ação do glutamato nos receptores AMPA é
responsável pela rápida transmissão sináptica na primeira sinapse no corno
dorsal. Também ocorre uma resposta mais lenta mediada pelos receptores
NMDA e que é importante para o fenômeno de wind-up (Figura 43.2). Os
neurônios nociceptivos aferentes também contêm vários neuropeptídios (ver
Capítulo 19), principalmente substância P e peptídio relacionado com o
gene da calcitonina (CGRP). Estes são liberados como mediadores, tanto
nos terminais centrais quanto nos periféricos, e desempenham papel
importante na patologia da dor. No nível periférico, a substância P e o
CGRP produzem algumas das características da inflamação neurogênica.
Os antagonistas do CGRP apresentam potencial no tratamento da
enxaqueca (ver Capítulo 16), mas não demonstraram ser eficazes em outros
estados de dor. Em modelos animais, demonstrou-se que a substância P que
atua nos receptores NK1 estava relacionada com o wind-up e a
sensibilização central no corno dorsal (ver Figura 43.2). No entanto e
surpreendentemente, os antagonistas da substância P nos receptores NK 1 revelaram-se ineficazes como analgésicos em seres humanos, embora