Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 337 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Agentes antimicrobianos

Os Capítulos 51 a 56 descrevem de modo exaustivo o mecanismo de ação

deste grupo de fármacos. Os antibióticos podem ser aplicados topicamente

em doenças como o impetigo e a acne, ou administrados por via sistêmica

no caso de celulite ou rosácea. Infecções fúngicas da pele são geralmente

tratadas com fármacos fungicidas tópicos, mas preparações orais a

crotamiltona podem ser usadas em algumas circunstâncias. Infecções por

herpes simples podem ser tratadas com aciclovir ou penciclovir, tópico ou

sistêmico (ver Capítulo 53).

 

GLICOCORTICOIDES E OUTROS AGENTES ANTI-

INFLAMATÓRIOS

Como se pode prever, anti-histamínicos (ver Capítulo 18) são úteis no

controle do prurido leve, pelo menos em algumas circunstâncias como

eczema, mordidas de inseto e inflamação leve. Outro fármaco tópico útil no

tratamento do prurido é a crotamiltona, que atua rapidamente e tem efeitos

de longa duração. O mecanismo de ação é desconhecido.

No entanto, os principais agentes para tratamento da inflamação da pele

são os glicocorticoides. Estes fármacos são amplamente usados para tratar

psoríase e eczema e suprimir prurido. Seu mecanismo de ação geral está

descrito nos Capítulos 3, 27 e 34. As preparações usadas na prática da

dermatologia são normalmente formuladas como ésteres de ácidos graxos

dos fármacos ativos, o que promove sua absorção através das camadas

altamente hidrofóbicas da pele, mas também altera a sua eficácia: por

exemplo, a potência da hidrocortisona tópica na pele é bastante aumentada

por meio de sua formulação como éster butirato.

Fármacos e pele

 

Formulação. Como a pele compreende uma combinação única de estruturas

hidrofóbicas/hidrofílicas, muitos fármacos não são absorvidos, e formulações especiais podem

ser necessárias para promover a penetração.

Vários fármacos usados para doenças da pele são também utilizados para tratar patologias

de outros órgãos. Os principais grupos são:

• Glicocorticoides. Amplamente usados para tratar psoríase, eczema e prurido devido às suas

propriedades anti-in amatórias. Eles são normalmente formulados de modo especial para

aumentar a sua penetração tópica

• Agentes antimicrobianos. Usados topicamente ou por via sistêmica para tratar infecções da

pele (p. ex., acne, impetigo, celulite e rosácea)

• Antagonistas hormonais. Antagonistas androgênicos são usados topicamente ou por via

sistêmica para tratar a alopecia de padrão masculino ou o hirsutismo nas mulheres

• Derivados da vitamina D. Fármacos como o calcitriol, calcipotriol e tacalcitol são

usados para tratar psoríase.

 

Alguns fármacos são usados quase exclusivamente para patologias da pele. Estes incluem:

• Retinoides. São derivados da vitamina A e incluem tretinoína, isotretinoína,

alitretinoína, tazaroteno e adapaleno. São usados para tratar acne, eczema e

psoríase. São normalmente administrados topicamente, mas podem ser fornecidos por via

oral.

 

▼ Embora os esquemas variem por todo o mundo, a convenção é a

classificação desses fármacos por potência. Por exemplo:

• Leve: por exemplo, hidrocortisona

• Moderado: por exemplo, dipropionato de alclometasona, butirato de clobetasona,

fludroxicortida e fluocortolona

• Potente: por exemplo, dipropionato de beclometasona, betametasona (vários ésteres),

acetonido de fluocinolona, fluocinonida, propionato de fluticasona, furoato de mometasona e triancinolona acetonida

• Muito potente: por exemplo, propionato de clobetasol e valerato de diflucortolona.

A escolha do glicocorticoide depende da gravidade da doença e,

considerando a variabilidade da espessura da pele de uma localização para

outra, do local anatômico. Eles são por vezes usados em combinação com

fármacos bactericidas ou fungicidas quando aplicados no local de uma

infecção.

A ação dos glicocorticoides na pele tem um mecanismo semelhante ao

do seu efeito em outros locais do corpo. Eles são inibidores potentes da

liberação de mediadores inflamatórios pelos mastócitos, da ativação e

migração dos neutrófilos, e da ativação das células imunes (ver Capítulos 7

e 27). Sua aplicação tópica produz vasoconstrição na pele, causando uma

reação de “branqueamento” característica.5 O mecanismo é desconhecido.

Efeitos adversos. De modo geral, o tratamento a curto prazo com

preparações de esteroides de baixa potência é seguro; algumas formulações

de hidrocortisona estão disponíveis nas farmácias sem prescrição. No

entanto, existem efeitos adversos potencialmente graves associados ao uso

prolongado de membros mais potentes da classe. Estes incluem:

 

• “Rebote” de esteroides. Se a terapia tópica for interrompida

abruptamente, a doença subjacente com frequência volta mais agressiva.

Isso ocorre provavelmente porque o receptor de glicocorticoide é

regulado negativamente durante o tratamento tópico, não podendo

responder mais aos glicocorticoides circulantes, que mantêm um

“tônus” anti-inflamatório quando o tratamento é suspenso. Retirar o

fármaco aos poucos pode evitar esse problema • Atrofia cutânea. Os efeitos catabólicos dos glicocorticoides (ver