Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 381 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Rumos futuros

ação antiespasmódica e pode ser usada em conjunto com a morfina. O

trinitrato de glicerila (ver Capítulo 22) tem potencial para provocar

acentuada queda da pressão intrabiliar e pode ser usado para aliviar o

espasmo biliar.

 

RUMOS FUTUROS

A procura por novos fármacos antissecretores é uma tarefa contínua. Entre

os novos agentes que foram avaliados estão os antagonistas dos receptores

da gastrina/colecistocinina-2 (com pouco sucesso) e os fármacos

bloqueadores de ácido competitivos com o potássio (Inatomi et al., 2016).

Estes últimos agentes funcionam porque os íons potássio são trocados por

prótons pela bomba de prótons (ver Figura 31.1); desse modo, os

antagonistas de potássio com rápido início de ação e efeito sustentado

representariam uma modalidade promissora para inibir a secreção de ácido.

Infelizmente, os agentes produzidos até agora não provaram de maneira

conclusiva superioridade em relação aos inibidores da bomba de prótons, e,

atualmente, os dois agentes disponíveis (revaprazana, vonoprazana) estão

aprovados apenas em alguns países asiáticos (Inatomi et al., 2016).

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Inervação e hormônios do trato gastrointestinal

Hansen, M.B., 2003. The enteric nervous system II: gastrointestinal functions. Pharmacol. Toxicol.

92, 249–257. (Pequena revisão do papel do sistema nervoso entérico no controle da motilidade

gastrintestinal, da atividade secretora, do fluxo sanguíneo e do estado imunológico; fácil leitura)

Sanger, G.J., 2004. Neurokinin NK and NK receptors as targets for drugs to treat gastrointestinal 1 3

motility disorders and pain. Br. J. Pharmacol. 141, 1303–1312. (Revisão útil que trata dos usos

atuais e dos potenciais usos futuros dos antagonistas das neurocininas na fisiologia e na

patologia gastrintestinais)

Spiller, R., 2002. Serotonergic modulating drugs for functional gastrointestinal diseases. Br. J. Clin.

Pharmacol. 54, 11–20. (Um artigo excelente e “facilmente digerível” que descreve as últimas

ideias sobre a utilização dos agonistas e antagonistas da 5-hidroxitriptamina na função

gastrintestinal; diagramas úteis)

Secreção gástrica

Binder, H.J., Donaldson, R.M., Jr., 1978. Effect of cimetidine on intrinsic factor and pepsin secretion

in man. Gastroenterology 74, 371–375.

Chen, D., Friis-Hansen, L., Håkanson, R., Zhao, C.M., 2005. Genetic dissection of the signaling

pathways that control gastric acid secretion. Inflammopharmacology 13, 201–207. (Descreve

experimentos utilizando “nocautes” de receptores para analisar os mecanismos que controlam a

produção de ácido gástrico)

Cui, G., Waldum, H.L., 2007. Physiological and clinical significance of enterochromaffin-like cell

activation in the regulation of gastric acid secretion. World J. Gastroenterol. 13, 493–496.

(Revisão curta sobre o papel central das células ECS na regulação da secreção de ácido. Fácil

leitura)

Horn, J., 2000. The proton-pump inhibitors: similarities and differences. Clin. Ther. 22, 266–280,

discussion 265. (Excelente visão geral)

Huang, J.Q., Hunt, R.H., 2001. Pharmacological and pharmacodynamic essentials of H(2)-receptor

antagonists and proton pump inhibitors for the practising physician. Best Pract. Res. Clin.

Gastroenterol. 15, 355–370.

Inatomi, N., Matsukawa, J., Sakurai, Y., Otake, K., 2016. Potassium-competitive acid blockers:

advanced therapeutic option for acid-related diseases. Pharmacol. Ther. 168, 12–22. (Um bom

relato das deficiências dos medicamentos antissecretores atuais e dos desenvolvimentos no

campo)

Linberg, P., Brandstrom, A., Wallmark, B., 1987. Structure-activity relationships of omeprazole

analogues and their mechanism of action. Trends Pharmacol. Sci. 8, 399–402.

Schubert, M.L., Peura, D.A., 2008. Control of gastric acid secretion in health and disease.

Gastroenterology 134, 1842–1860. (Revisão curta sobre o papel central das células ECS na

regulação da secreção de ácido. Fácil leitura)

Uso de fármacos em distúrbios GI

Black, J.W., Duncan, W.A.M., Durant, C.J., et al., 1972. Definition and antagonism of histamine H-2

receptors. Nature 236, 385–390. (Artigo seminal que define a abordagem farmacológica para a

inibição da secreção de ácido por meio de antagonismo a um receptor de histamina alternativo)

Blaser, M.J., 1998. Helicobacter pylori and gastric diseases. BMJ 316, 1507–1510. (Revisão sucinta;

ênfase nos desenvolvimentos futuros)

Klotz, U., 2000. The role of aminosalicylates at the beginning of the new millennium in the treatment

of chronic inflammatory bowel disease. Eur. J. Clin. Pharmacol. 56, 353–362.

Mossner, J., Caca, K., 2005. Developments in the inhibition of gastric acid secretion. Eur. J. Clin.

Invest. 35, 469–475. (Visão geral útil sobre algumas novas direções do desenvolvimento de

fármacos gastrintestinais)

Pertwee, R.G., 2001. Cannabinoids and the gastrointestinal tract. Gut 48, 859–867.

Náuseas e vômitos

Andrews, P.L., Horn, C.C., 2006. Signals for nausea and emesis: implications for models of upper

gastrointestinal diseases. Auton. Neurosci. 125, 100–115.

Hesketh, P.J., 2001. Potential role of the NK receptor antagonists in chemotherapy-induced nausea 1

and vomiting. Support. Care Cancer 9, 350–354.

Hornby, P.J., 2001. Central neurocircuitry associated with emesis. Am. J. Med. 111, 106S–112S.

(Ampla revisão do controle central do vômito)

Rojas, C., Slusher, B.S., 2012. Pharmacological mechanisms of 5-HT(3) and tachykinin NK(1)

receptor antagonism to prevent chemotherapy-induced nausea and vomiting. Eur. J. Pharmacol.

684, 1–7.

Tramèr, M.R., Moore, R., Reynolds, D.J., McQuay, H.J., 1997. A quantitative systematic review of

ondansetron in treatment of established postoperative nausea and vomiting. Br. Med. J. 314,

1088–1092.

Yates, B.J., Miller, A.D., Lucot, J.B., 1998. Physiological basis and pharmacology of motion

sickness: an update. Brain Res. Bull. 5, 395–406. (Bom apanhado dos mecanismos que

fundamentam a cinetose e seu tratamento)

Motilidade do trato gastrintestinal

Corsetti, M., Whorwell, P., 2016. Novel pharmacological therapies for irritable bowel syndrome.

Expert Rev. Gastroenterol. Hepatol. 10, 807–815. (Bom artigo de revisão que aborda os

tratamentos atuais)

De Las Casas, C., Adachi, J., Dupont, H., 1999. Travellers’ diarrhoea. Aliment. Pharmacol. Ther. 13,

1373–1378. (Artigo de revisão)

Gorbach, S.L., 1987. Bacterial diarrhoea and its treatment. Lancet 1378–1382. Nelson, A.D., Camilleri, M., 2016. Opioid-induced constipation: advances and clinical guidance.

Ther. Adv. Chronic Dis. 7, 121–134.

Sistema biliar

Bateson, M.C., 1997. Bile acid research and applications. Lancet 349, 5–6.

Recursos úteis na web

www.nathnac.org. (Site da UK Health Protection Agency’s National Travel Health Network and

Centre. Esse site está dividido em duas partes: uma para pessoas leigas e outra para

profissionais da saúde. Clique nesta última e entre em “Travellers’ diarrhoea” como palavra-

chave para pesquisar sobre informações atuais e recomendações)

____________

1 Estes dois peptídios partilham a mesma sequência C-terminal

pentapeptídica, biologicamente ativa.

2 A infecção pelo Helicobacter pylori no estômago tem sido classificada

como carcinogênio classe I (definido) para câncer gástrico.

3 Essa época foi referida como a “era aC” (antes da cimetidina) da

gastrenterologia (Schubert e Peura, 2008). É o atestado da importância

clínica do desenvolvimento desse fármaco.

4 Houve uma hipótese – em que muitos não acreditam mais – de que o

alumínio poderia desencadear doença de Alzheimer. De fato, ele não é

absorvido em qualquer grau significativo no seguimento da administração

oral de hidróxido de alumínio, embora, quando introduzido por outras vias

(p. ex., durante a diálise renal com soluções contaminadas com alumínio),

seja extremamente tóxico.

5 Derivada de uma palavra persa com o significado de “cura para o

envenenamento”. Refere-se à crença de que um chá preparado com crostas

de restos que foram impactados, retirados do estômago de caprinos,

protegeria a pessoa contra a tentativa de envenenamento por inimigos.

6 De fato, a palavra náusea é derivada do termo grego que significa “barco”,

com a implicação óbvia associada à cinetose (enjoo de movimento).

Vomitar é derivada de uma palavra do latim, e o vomitorium era a passagem

“mais rápida” para a saída de emergência de teatros antigos.

7 Há um relato de que um paciente jovem e medicamente qualificado

tratado com quimioterapia combinada para sarcoma declarou que “a

intensidade dos vômitos era tal que a morte parecia um alívio bem-vindo”.

8 Uma condição incapacitante denominada com o epônimo do físico francês

que descobriu que as náuseas e a vertigem que caracterizam a condição estão associadas a um distúrbio do ouvido interno.

9 Ele observou, jocosamente (embora de modo preciso), que “as viagens

ampliam a mente e soltam os intestinos”.

Capítulo 31

 

31.1 TEMA

As células parietais do estômago secretam ácido clorídrico para ajudar a

digestão e matar os patógenos.

Qual dos seguintes mediadores proporciona o principal estímulo para a

secreção de ácido gástrico?

 

A. Acetilcolina, que atua sobre os receptores M2

 

B. Histamina, que atua sobre os receptores H2

 

C. Gastrina, que atua sobre os receptores de colecistocinina (CCK)1

 

D. Somatostatina, que atua sobre os receptores de somatostatina (SST)2

 

E. Histamina, que atua sobre os receptores H1

 

Resposta A A ativação dos receptores M3 pela acetilcolina nas células parietais aumenta a secreção de ácido gástrico.

Alternativa B incorreta: Histamina, que atua sobre os receptores H2.

A ligação da histamina liberada pelas ECS aos receptores H2 nas células parietais provoca aumento do cAMP, ativando a secreção de prótons.

Alternativa C incorreta: A gastrina atua sobre os receptores de CCK2 nas células

enterocroma n-símiles (ECS).

Alternativa D incorreta: A somatostatina inibe vários componentes da via, reduzindo

a secreção ácida das células parietais.

Alternativa E incorreta: A ligação da histamina aos receptores H2 aumenta a secreção de ácido gástrico pelas células parietais.

 

Concluir questão

 

31.2 TEMA

As células parietais secretam uma solução isotônica de HCl, envolvendo vários

transportadores e enzimas diferentes, de modo a facilitar a captação e a

secreção dos íons H+ e Cl–.

Uma alteração na atividade de qual dos seguintes transportadores ou enzimas

não resultaria em aumento na produção de ácido gástrico?

 

A. Atividade aumentada da enzima anidrase carbônica

 

B. + – Atividade aumentada do carreador simporte de K e Cl

 

C. + + Atividade diminuída do transportador H /K ATPase

 

D. Atividade aumentada da bomba de prótons

 

E. – – Atividade aumentada do antiportador de Cl /HCO

3

 

Resposta A Essa enzima catalisa a combinação de CO2 e água em ácido carbônico, que

se dissocia para liberar um próton (necessário para a produção de ácido) e um íon

bicarbonato (trocado pelo Cl– através da membrana).

Alternativa B incorreta: Transporta íons H+ no lúmen para formar HCl.

Alternativa C incorreta: Atividade diminuída do transportador H+/K+ ATPase.

Trata-se da bomba de prótons necessária para o transporte de íons H+ das células

parietais para dentro do lúmen, em que eles se combinam com íons Cl– para formar HCl.

Por conseguinte, uma redução na função dessa bomba diminuiria a produção de ácido.

Alternativa D incorreta: Transporta íons Cl– no lúmen para formar HCl.

Alternativa E incorreta: Troca HCO – – 3 pelo Cl – , possibilitando o transporte de Cl

através da célula para dentro do lúmen.

 

Concluir questão

 

31.3 TEMA

As infecções por Helicobacter pylori foram implicadas na formação de úlceras

pépticas. O tratamento dessas condições atualmente está direcionado para

reduzir o ácido gástrico, em associação a agentes para o tratamento da

infecção.

Qual dos seguintes fármacos não seria útil no tratamento de uma úlcera

péptica?

 

A. Amoxicilina

 

B. Celecoxibe

 

C. Cimetidina

 

D. Omeprazol

 

E. Misoprostol

 

Resposta A A amoxicilina é um agente antibacteriano direcionado para a infecção por

Helicobacter pylori, com o objetivo de erradicá-la.

Alternativa B incorreta: Celecoxibe.

O celecoxibe foi desenvolvido como inibidor especí co da ciclo-oxigenase II (COX-2),

com o objetivo de minimizar o sangramento gástrico induzido por anti-in amatórios

não esteroides (AINE) inespecí cos. Não apresenta efeito direto sobre a secreção de

ácido gástrico ou de muco.

Alternativa C incorreta: A cimetidina é um antagonista do receptor H2 e, portanto, reduz a produção de ácido gástrico estimulada pela histamina.

Alternativa D incorreta: O omeprazol é um inibidor da H+/K+ ATPase (bomba de

prótons), de modo que ele diminui o transporte de íons H+ no lúmen para formar ácido

gástrico.

Alternativa E incorreta: O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina E1,

que é administrado para cicatrizar úlceras e proteger a mucosa, diminuindo a produção

de ácido e aumentando a secreção de muco.

 

Concluir questão

 

31.4 TEMA

Muitos agentes infecciosos e alterações siopatológicas causam distúrbios da

função gastrintestinal (GI), exigindo o uso de agentes farmacológicos.

Qual dos seguintes agentes farmacológicos constitui o tratamento mais

apropriado para a condição associada?

 

A. Cipro oxacino para gastrenterite viral

 

B. Metoclopramida no íleo paralítico

 

C. Loperamida para diarreia

 

D. Bisacodil para cólera

E. Prednisolona para síndrome do intestino irritável (SII)

 

Resposta A O cipro oxacino é um agente antibiótico utilizado no tratamento de

gastrenterite bacteriana.

Alternativa B incorreta: A metoclopramida é um antagonista D2 utilizada como

antiemético, particularmente em casos de náuseas e vômitos induzidos por

quimioterapia.

Alternativa C incorreta: Loperamida para diarreia.

A loperamida é um agente antimotilidade, opioide, que diminui a passagem das fezes e

reduz as cólicas abdominais.

Alternativa D incorreta: O bisacodil é um laxativo estimulante frequentemente

utilizado para limpeza do intestino para exame ou cirurgia de intestino.

Alternativa E incorreta: A prednisolona é efetiva na doença in amatória intestinal

para reduzir o componente in amatório. SII caracteriza-se por diarreia ou constipação

intestinal e, portanto, é tratada mais efetivamente com dieta e loperamida ou com um

laxativo, quando apropriado.

 

Concluir questão

 

OceanofPDF.com