Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 218 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Princípios gerais da farmacologia das proteínas e dos peptídios

Em resumo, o panorama molecular mudou por completo. À medida que

a descoberta de novas “pequenas moléculas” mediadoras foi diminuindo, a

de novos mediadores proteicos e peptídicos continua acelerada (Schulze et

al., 2014). Foram descobertas mais de 100 citocinas desde que a

interleucina-2 (IL-2) foi caracterizada inicialmente em 1982.

 

PRINCÍPIOS GERAIS DA FARMACOLOGIA DAS PROTEÍNAS E DOS PEPTÍDIOS

 

ESTRUTURA

Os mediadores proteicos ou peptídicos geralmente variam em tamanho

desde 3 até cerca de 200 resíduos de aminoácidos, sendo a linha arbitrária

de divisão entre peptídios e proteínas de cerca de 50 resíduos. Uma

diferença importante reside no fato de as proteínas necessitarem adotar uma

estrutura complexa para exercer a sua função específica, enquanto os

peptídios curtos são mais flexíveis na maioria dos casos. Os resíduos

específicos nas proteínas e peptídios sofrem frequentemente modificações

pós-tradução, tais como amidação, glicosilação, carboxilação, sulfatação

ou fosforilação.1 Eles também podem conter pontes dissulfeto

intramoleculares, para que a molécula adote parcialmente uma

conformação cíclica, ou podem apresentar duas ou mais cadeias separadas

unidas por pontes dissulfeto intermoleculares.

Em geral, proteínas maiores adotam conformações mais restritas que

expõem grupos funcionais em locais fixos na sua superfície, que interagem

com múltiplos locais nos seus receptores no modo “fechadura e chave”.

Presumir peptídios flexíveis que se liguem a um local receptor desta forma

é imaginar ser possível desbloquear a porta da frente de casa com um

pedaço de espaguete cozido. Essas características têm impedido

grandemente a elaboração racional de análogos não peptídios que mimetizam a ação de proteínas peptídicas nos seus receptores