Rang e Dale: Farmacologia
Princípios gerais da farmacologia das proteínas e dos peptídios
Em resumo, o panorama molecular mudou por completo. À medida que
a descoberta de novas “pequenas moléculas” mediadoras foi diminuindo, a
de novos mediadores proteicos e peptídicos continua acelerada (Schulze et
al., 2014). Foram descobertas mais de 100 citocinas desde que a
interleucina-2 (IL-2) foi caracterizada inicialmente em 1982.
PRINCÍPIOS GERAIS DA FARMACOLOGIA DAS PROTEÍNAS E DOS PEPTÍDIOS
ESTRUTURA
Os mediadores proteicos ou peptídicos geralmente variam em tamanho
desde 3 até cerca de 200 resíduos de aminoácidos, sendo a linha arbitrária
de divisão entre peptídios e proteínas de cerca de 50 resíduos. Uma
diferença importante reside no fato de as proteínas necessitarem adotar uma
estrutura complexa para exercer a sua função específica, enquanto os
peptídios curtos são mais flexíveis na maioria dos casos. Os resíduos
específicos nas proteínas e peptídios sofrem frequentemente modificações
pós-tradução, tais como amidação, glicosilação, carboxilação, sulfatação
ou fosforilação.1 Eles também podem conter pontes dissulfeto
intramoleculares, para que a molécula adote parcialmente uma
conformação cíclica, ou podem apresentar duas ou mais cadeias separadas
unidas por pontes dissulfeto intermoleculares.
Em geral, proteínas maiores adotam conformações mais restritas que
expõem grupos funcionais em locais fixos na sua superfície, que interagem
com múltiplos locais nos seus receptores no modo “fechadura e chave”.
Presumir peptídios flexíveis que se liguem a um local receptor desta forma
é imaginar ser possível desbloquear a porta da frente de casa com um
pedaço de espaguete cozido. Essas características têm impedido
grandemente a elaboração racional de análogos não peptídios que mimetizam a ação de proteínas peptídicas nos seus receptores