Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos que afetam os neurônios noradrenérgicos
Extremidades frias. Este é um efeito comum, provavelmente devido à
perda da vasodilatação mediada pelos receptores β nos vasos cutâneos.
Teoricamente, é menos provável que os fármacos β 1 seletivos produzam esse efeito, que também pode ser menos pronunciado em pacientes tratados
com antagonistas β-adrenérgicos com propriedades vasodilatadoras
adicionais, mas ainda não está claro se isso ocorre na prática.
Outros efeitos adversos associados aos antagonistas de receptores β-
adrenérgicos não são o resultado óbvio do bloqueio desses receptores. Um
dos efeitos é a ocorrência de pesadelos, que são observados principalmente
com fármacos altamente lipossolúveis que penetram facilmente no cérebro,
como o propranolol.
FÁRMACOS QUE AFETAM OS NEURÔNIOS NORADRENÉRGICOS
Este capítulo enfatiza a transmissão simpática periférica. Contudo, os
mesmos princípios são aplicáveis para o SNC (ver Capítulo 40, em que
muitos dos fármacos aqui mencionados também agem). Os fármacos e
mecanismos principais são apresentados na Tabela 15.6.
Fármacos que interferem na síntese de norepinefrina
A α-metiltirosina, que inibe a tirosina hidroxilase, tem sido utilizada de
modo experimental, mas já não é usada na clínica. De fato, muito poucos
fármacos clinicamente importantes afetam diretamente a síntese de
norepinefrina. A carbidopa, um derivado da hidrazina da dopa, que inibe a
dopa descarboxilase, é um exemplo e é usada no tratamento do
parkinsonismo (ver Capítulo 41).
A metildopa, ainda usada no tratamento da hipertensão durante a
gravidez (ver Capítulo 23), é captada por neurônios noradrenérgicos, sendo então convertida no falso transmissor α-metilnorepinefrina. Essa substância
não é desaminada dentro do neurônio pela MAO, de modo que ela se
acumula e desloca a norepinefrina das vesículas sinápticas. A α-
metilnorepinefrina é liberada do mesmo modo que a norepinefrina, mas é
menos ativa que esta última nos receptores α1-adrenérgicos e, portanto, é menos eficaz na produção de vasoconstrição. Entretanto, é mais ativa nos
receptores pré-sinápticos (α2), de tal modo que o mecanismo de retroalimentação autoinibitório passa a operar mais efetivamente que o
normal, reduzindo assim a liberação do transmissor. Ambos os efeitos
(assim como um efeito central, provavelmente causado pelo mesmo
mecanismo celular) contribuem para a ação hipotensora. O fármaco produz
efeitos colaterais típicos de fármacos antiadrenérgicos de ação central (p.
ex., sedação), além de estar associado a riscos “fora do alvo” de reações
hemolíticas de fundo imunológico e hepatotoxicidade, de modo que,
atualmente, é pouco utilizado, exceto para hipertensão na segunda metade
da gravidez, em que existe uma experiência considerável e sem sinais de
perigo para o feto.
A 6-hidroxidopamina (idêntica à dopamina, exceto por um grupo
hidroxila adicional) é uma neurotoxina do tipo “cavalo de Troia”. Ela é
captada seletivamente por terminações nervosas noradrenérgicas, em que é
convertida a uma quinona reativa que destrói a terminação nervosa,
produzindo uma “simpatectomia química”. Os corpos celulares sobrevivem
e, por fim, a inervação simpática se restabelece. O fármaco mostra-se útil
para objetivos experimentais, mas não apresenta usos clínicos. Se injetado
diretamente no cérebro, destrói seletivamente as terminações nervosas que
o captam (i. e., dopaminérgicas, noradrenérgicas e adrenérgicas), mas não
atinge o cérebro se administrado sistemicamente.
A MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,5-tetra-hidropiridina; ver Capítulo
41) é uma toxina seletiva semelhante que atua nos neurônios
dopaminérgicos.
A droxidopa (di-hidroxifenilserina, L-DOPS) está sob investigação
para o tratamento da hipotensão. Ela penetra na barreira hematencefálica e é
um profármaco convertido em norepinefrina pela dopa descarboxilase,
contornando a etapa de hidroxilação catalisada por DBH. Aumenta a
pressão arterial pelo aumento da liberação de norepinefrina.
Fármacos que afetam o armazenamento de norepinefrina
A reserpina é um alcaloide do arbusto Rauwolfia, que foi usado na Índia
durante séculos para o tratamento de distúrbios mentais. A reserpina
bloqueia de forma potente o transporte de norepinefrina e outras aminas
para as vesículas de armazenamento, bloqueando o VMAT. A norepinefrina
passa a acumular-se então no citoplasma, em que é degradada pela MAO. O
conteúdo de norepinefrina dos tecidos cai e a transmissão simpática é
bloqueada. A reserpina também causa depleção de 5-HT e dopamina de
neurônios no cérebro, no qual tais aminas são transmissoras (ver Capítulo
40). Na atualidade, a reserpina é usada apenas experimentalmente, mas já
teve uso como fármaco anti-hipertensivo. Seus efeitos centrais,
especialmente a depressão, são provavelmente resultantes do
comprometimento da transmissão mediada por norepinefrina e por 5-HT no
cérebro (ver Capítulo 48), e constituíam um sério problema quando sua
dose era aumentada.
Fármacos que afetam a liberação de norepinefrina
Os fármacos podem afetar a liberação de norepinefrina de quatro principais
maneiras:
• Bloqueando diretamente a liberação (“fármacos bloqueadores de
neurônios”)
• Promovendo liberação de norepinefrina na ausência de despolarização
da terminação nervosa (fármacos simpatomiméticos de ação indireta)
• Interagindo com receptores pré-sinápticos que indiretamente inibem ou
aumentam a liberação induzida por despolarização; exemplos são
agonistas α2 (pp. 200-201), angiotensina II, dopamina e prostaglandinas
• Aumentando ou diminuindo os estoques disponíveis de norepinefrina
(p. ex., reserpina, ver acima; inibidores da MAO, ver Capítulo 48).
Fármacos bloqueadores de neurônios noradrenérgicos
Os fármacos “bloqueadores de neurônios” (p. ex., guanetidina) foram
descobertos em meados dos anos 1950, quando estavam sendo investigadas
alternativas para substituir os bloqueadores ganglionares no tratamento da
hipertensão. O principal efeito da guanetidina é inibir a liberação de
norepinefrina das terminações nervosas simpáticas. Ela tem pouco efeito na
medula da suprarrenal e nenhum nas terminações nervosas que liberam
outros transmissores, diferentes da norepinefrina. Fármacos relacionados
incluem bretílio, betanidina e debrisoquina (na atualidade, de interesse
principalmente como ferramenta para estudos sobre o metabolismo de
fármacos; ver Capítulo 12).
■ Efeitos
Os fármacos dessa classe reduzem ou abolem a resposta dos tecidos à
estimulação nervosa simpática, mas não afetam (ou podem potencializar) os
efeitos da norepinefrina circulante.
▼ O mecanismo de ação da guanetidina sobre a transmissão
noradrenérgica é complexo. Sendo um substrato para o NET (ver Tabela
15.6), ela se acumula seletivamente nas terminações nervosas
noradrenérgicas. Sua atividade inicial é decorrente do bloqueio da
condução dos impulsos nas terminações nervosas que seletivamente
acumulam o fármaco – atuando como anestésico local seletivo para
nervos noradrenérgicos, sendo a seletividade reduzida até sua captação
pelo NET nos terminais desses axônios. Como consequência, sua ação é
impedida por fármacos que bloqueiam o NET, como os antidepressivos
tricíclicos (ver Capítulo 48).
A guanetidina concentra-se também em vesículas sinápticas por meio
do transportador vesicular VMAT, possivelmente interferindo na sua
capacidade exocitótica e deslocando a norepinefrina. Desse modo, ela
causa depleção gradual e de longa duração da norepinefrina nas
terminações nervosas simpáticas, similar ao efeito da reserpina.
Grandes doses de guanetidina causam danos estruturais aos neurônios
noradrenérgicos, provavelmente devido ao seu acúmulo em alta
concentração nos terminais nervosos. Pode, portanto, ser usado de
maneira experimental como uma neurotoxina seletiva para neurônios
simpáticos.
A guanetidina, a betanidina e a debrisoquina não são mais usadas
clinicamente, agora que estão disponíveis fármacos anti-hipertensivos
superiores. Embora extremamente eficazes na redução de níveis
pressóricos elevados, produzem graves efeitos colaterais associados à
perda dos reflexos simpáticos. Os mais problemáticos incluem
hipotensão postural, diarreia, congestão nasal e falha na ejaculação.
Também não conseguem reduzir a pressão arterial de forma eficaz à
noite, quando os pacientes estão deitados.
Aminas simpatomiméticas de ação indireta ■ Mecanismo de ação e relações estrutura-atividade
A tiramina, a anfetamina e a efedrina estão estruturalmente relacionadas
à norepinefrina e, embora sejam muito menos potentes, têm efeitos
qualitativamente semelhantes. No entanto, em vez de agir diretamente sobre
os adrenorreceptores, elas atuam principalmente de forma indireta,
liberando a norepinefrina endógena a partir das terminações nervosas
simpáticas. Fármacos que agem de modo semelhante e são usados por seus
efeitos centrais (ver Capítulo 49) incluem o metilfenidato e a atomoxetina.
Esses fármacos têm ações apenas discretas sobre os receptores
adrenérgicos, mas são suficientemente parecidos com epinefrina para serem
transportados para o interior das terminações nervosas pelo NET. Uma vez
no interior das terminações nervosas, eles são internalizados nas vesículas
pelo VMAT em troca da norepinefrina, a qual escapa para o citosol. A
norepinefrina citosólica sai através do NET, em troca pela monoamina
exógena, para agir em receptores pós-sinápticos (Figura 15.7). O processo
de liberação não envolve exocitose e, portanto, suas ações não necessitam
da presença de Ca2+. Eles não são completamente específicos em suas ações
e agem em parte por efeito direto em receptores adrenérgicos, em parte
inibindo o NET (aumentando, assim, o efeito da norepinefrina liberada), e
em parte, ainda, inibindo a MAO.
Figura 15.7 O modo de ação da anfetamina, uma amina simpatomimética de ação
indireta. A anfetamina entra na terminação nervosa por meio do transportador de norepinefrina (NET) e penetra nas vesículas sinápticas via transportador vesicular de monoaminas (VMAT), em troca com a norepinefrina (NE), que se acumula no citosol. Parte da NE é degradada pela monoamina oxidase (MAO) no interior da terminação nervosa, enquanto outra parte escapa, em troca com a anfetamina por intermédio do transportador de norepinefrina, atuando então em receptores pós-sinápticos. A anfetamina também reduz a recaptura de NE por meio do transportador, potencializando, assim, a ação da NE liberada.
Como esperado, o efeito desses fármacos é fortemente influenciado por
outros fármacos que modificam a transmissão noradrenérgica. Assim, a
reserpina e a 6-hidroxidopamina abolem seus efeitos por depletarem a
norepinefrina das terminações nervosas. Por outro lado, os inibidores da
MAO potencializam fortemente seus efeitos, pois impedem a inativação do transmissor deslocado das vesículas dentro das terminações. A inibição da
MAO aumenta a ação particularmente da tiramina, porque essa substância
é, em si, um substrato para a MAO. Em geral, a tiramina da dieta é
destruída pela MAO na parede intestinal e no fígado antes de alcançar a
circulação sistêmica. Esse mecanismo não ocorre quando a MAO está
inibida, e assim a ingestão de alimentos ricos em tiramina, tais como queijo
fermentado (p. ex., Brie maturado), pode então provocar aumento súbito e
perigoso da pressão arterial. Os inibidores de NET, tais como a imipramina
(ver Tabela 15.6), interferem nos efeitos das aminas simpatomiméticas de
ação indireta por bloqueio de sua captura nas terminações nervosas.
Esses fármacos, especialmente a anfetamina, têm importantes efeitos no
SNC (ver Capítulos 49 e 50), que dependem de sua capacidade de liberar
não apenas norepinefrina, mas também 5-HT e dopamina das terminações
nervosas no cérebro. Uma importante característica dos efeitos das aminas
simpatomiméticas de ação indireta consiste no desenvolvimento de
acentuada tolerância. Doses repetidas de anfetamina ou tiramina, por
exemplo, produzem respostas pressoras progressivamente menores. Isso
provavelmente é causado por depleção das reservas liberáveis de
norepinefrina. Verifica-se também o desenvolvimento de tolerância aos
efeitos centrais com a administração repetida.
■ Efeitos
Os efeitos periféricos das aminas simpatomiméticas de ação indireta
incluem broncodilatação, aumento da pressão arterial, vasoconstrição
periférica, aumento da frequência cardíaca e da força de contração do
miocárdio, e inibição da motilidade intestinal. Suas ações centrais são
responsáveis pelo seu significativo potencial de uso abusivo e pelas
limitadas aplicações terapêuticas (ver Capítulos 49, 50 e 59). Com exceção da efedrina, que ainda é utilizada como descongestionante nasal, em virtude
de sua ação central menor, esses fármacos não são mais usados por causa
dos seus efeitos simpatomiméticos periféricos.
Inibidores da captura de norepinefrina
A recaptura da norepinefrina liberada pelo NET constitui o mecanismo
mais importante de término de sua ação. Muitos fármacos inibem o NET, e
assim aumentam os efeitos tanto da atividade nervosa simpática como da
norepinefrina circulante. O NET não é responsável pela remoção da
epinefrina circulante, de modo que esses fármacos não afetam as respostas a
essa amina.
A principal classe de fármacos cuja ação primária é a inibição do NET é
constituída pelos antidepressivos tricíclicos (ver Capítulo 48), como, por
exemplo, a imipramina. Esses fármacos exercem seu principal efeito no
SNC, mas também causam taquicardia e arritmias cardíacas, refletindo seu
efeito periférico sobre a transmissão simpática. A cocaína, conhecida
principalmente pela sua tendência para causar uso abusivo (ver Capítulos
49 e 50) e pela atividade anestésica local (ver Capítulo 44), aumenta a
transmissão simpática, causando taquicardia e aumento da pressão arterial
(e após uso crônico, cardiomiopatia e hipertrofia cardíaca). Seus efeitos
centrais de euforia e excitação (ver Capítulo 49) são provavelmente
manifestação do mesmo mecanismo que atua por intermédio da dopamina e
da 5-HT no cérebro. A cocaína potencializa fortemente os efeitos da
norepinefrina em animais experimentais ou em tecidos isolados, desde que
as terminações nervosas simpáticas estejam intactas.
Muitos fármacos que agem principalmente em outras etapas da
transmissão simpática também inibem o NET em certo grau,
presumivelmente porque a molécula transportadora tem características estruturais em comum com outros locais de reconhecimento de
norepinefrina, tais como receptores e enzimas de degradação.
O transportador extraneuronal de monoaminas (EMT; do inglês,
extraneuronal monoamine transporter), que é importante na remoção da
epinefrina da circulação sanguínea, não é afetado pela maioria dos fármacos
que bloqueiam o NET. Contudo, é inibido pela fenoxibenzamina e por
vários corticosteroides (ver Capítulo 27). Essa ação dos corticosteroides
pode ter alguma relevância para seus efeitos terapêuticos em condições
como a asma, mas é provavelmente de importância menor.
Os principais locais de ação dos fármacos que afetam a transmissão
adrenérgica encontram-se resumidos na Figura 15.8.
Figura 15.8 Diagrama geral de uma terminação nervosa noradrenérgica, mostrando
os locais de ação de fármacos. EMT, transportador de monoaminas extraneuronais; MAO, monoamina oxidase; MeNE, metilnorepinefrina; NE, norepinefrina; NET, transportador neuronal de norepinefrina.
Fármacos que atuam nas terminações nervosas noradrenérgicas
• Fármacos que inibem a síntese de norepinefrina incluem:
– α-Metiltirosina: bloqueia a tirosina hidroxilase; não é usada clinicamente
– Carbidopa: bloqueia a dopa descarboxilase e é usada no tratamento do
parkinsonismo (ver Capítulo 41); exerce efeito pequeno na síntese de norepinefrina
• A α-metildopa dá origem a um falso transmissor (α-metilnorepinefrina), que é um
agonista α2-adrenérgico potente, causando, assim, uma forte retroalimentação pré-sináptica inibitória (bem como ações centrais). A sua utilização como agente anti-
hipertensor está limitada principalmente à gravidez
• A reserpina bloqueia o acúmulo de norepinefrinas nas vesículas pelo transportador
vesicular de monoaminas (VMAT), depletando, assim, os estoques de norepinefrina e
bloqueando a transmissão. É e caz na hipertensão, mas pode causar depressão grave.
Clinicamente obsoleta
• Os fármacos bloqueadores de neurônios noradrenérgicos (p. ex., guanetidina,
betanidina) são seletivamente concentrados nas terminações (captura pelo
transportador de norepinefrina [NET]) e em vesículas (captura pelo VMAT) e bloqueiam a
liberação do transmissor, parcialmente por ação anestésica local. São e cazes na
hipertensão, mas causam efeitos colaterais importantes (hipotensão postural, diarreia,
congestão nasal etc.), por isso atualmente são pouco utilizados
• A 6-hidroxidopamina é neurotóxica seletiva para neurônios noradrenérgicos, porque é
captada e convertida em um metabólito tóxico. É usada experimentalmente para destruir
neurônios noradrenérgicos. Não tem uso clínico
• As aminas simpatomiméticas de ação indireta (p. ex., anfetamina, efedrina, tiramina)
são acumuladas pelo NET e deslocam a norepinefrina das vesículas, possibilitando seu
escape. O efeito é muito aumentado pela inibição da monoamina oxidase (MAO), o que
pode levar à grave crise hipertensiva após ingestão de alimentos ricos em tiramina por
pacientes tratados com inibidores da MAO
• Os agentes simpatomiméticos de ação indireta são estimulantes do sistema nervoso
central. O metilfenidato e a atomoxetina são usados no tratamento do dé cit de
atenção com hiperatividade
• Os fármacos que inibem o NET incluem cocaína e fármacos antidepressivos tricíclicos.
Os efeitos simpáticos são aumentados por tais fármacos.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Geral
Robertson, D., Biaggioni, I., Burnstock, G., Low, P.A., Paton, G.F.R. (Eds.), 2012. Primer on the
autonomic nervous system, third ed. Academic Press, Elsevier, Amsterdam. (Excelente e
abrangente livro sobre todos os aspectos, incluindo farmacologia, do sistema nervoso autônomo.
De maneira alguma elementar, apesar do “primer” em seu título)
Receptores adrenérgicos
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Alexander, S.P.H., et al., 2015. The Concise Guide to Pharmacology 2015/16: G protein-coupled
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proteinoquinase ativada por mitógeno, apontando para possíveis diferenças na eficácia clínica
entre os diferentes membros da classe)
Gilsbach, R., Hein, L., 2012. Are the pharmacology and physiology of α adrenoceptors determined 2
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importância dos autorreceptores versus os heterorreceptores na mediação das funções
fisiológicas dos antagonista α-adrenérgicos e as funções farmacológicas dos fármacos 2
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estados da atividade dos receptores, existe uma variação significativa nas conformações dos
receptores provocadas por ligantes diferentes, o que tem implicações na concepção de novos
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Outros tópicos
Bermingham, D.P., Blakely, R.D., 2016. Kinase-dependent regulation of monoamine
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dependente de quinase de DAT, NET e SERT)
Biaggioni, I., 2017. The pharmacology of autonomic failure: from hypotension to hypertension.
Pharmacol. Rev. 69, 53–62. (Fascinante farmacologia aplicada de um distúrbio relativamente
incomum, mas altamente informativo)
Bristow, M.R., 2011. Treatment of chronic heart failure with beta-adrenergic receptor antagonists: a
convergence of receptor pharmacology and clinical cardiology. Circ. Res. 109, 1176–1194.
(Defende que existe “muito espaço para melhora da terapia antiadrenérgica, seja por meio de
novas abordagens que exploram as variações da biologia dos receptores e/ou da sinalização
intracelular, bem como pela busca através da farmacogenética”)
Eisenhofer, G., Kopin, I.J., Goldstein, D.S., 2004. Catecholamine metabolism: a contemporary view
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rejeita numerosas falácias relativas às vias pelas quais as catecolaminas de diferentes fontes são
metabolizadas e eliminadas)
Elenkov, I.J., Wilder, R.L., Chrousos, G.P., et al., 2000. The sympathetic nerve – an integrative
interface between two supersystems: the brain and the immune system. Pharmacol. Rev. 52, 595–
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sistema imunológico)
Gainetdinov, R.R., Caron, M.G., 2003. Monoamine transporters: from genes to behaviour. Annu.
Rev. Pharmacol. Toxicol. 43, 261–284. (Artigo de revisão com foco nas características de
camundongos transgênicos sem transportadores específicos de monoamina)
Léauté-Labrèze, C., Hoeger, P., Mazereeuw-Hautier, J., et al., 2015. A randomized, controlled trial of
oral propranolol in infantile hemangioma. N. Engl. J. Med. 372, 735–746. (Ensaio controlado
randomizado com desenho adaptativo identificando de modo elegante um regime de dose
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Nonogaki, K., 2000. New insights into sympathetic regulation of glucose and fat metabolism.
Diabetologia 43, 533–549. (Revisão dos complexos efeitos mediados por receptores adrenérgicos
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Sacco, E., Bientinesi, R., 2012. Mirabegron: a review of recent data and its prospects in the
management of overactive bladder. Ther. Adv. Urol. 4, 315–324. (Farmacologia de um agonista
seletivo dos receptores β3-adrenérgicos, licenciado para tratar os sintomas de bexiga hiperativa)
____________
1 Dale estava começando a trabalhar nos laboratórios da indústria farmacêutica Wellcome, com a incumbência de verificar a potência de lotes de epinefrina que vinham da fábrica. Ele testou um lote no final de um dia de experimentação em um gato ao qual já havia administrado uma preparação de esporão de centeio. Como ele obteve queda na pressão arterial do animal em vez do esperado aumento, aconselhou que todo o lote caro fosse rejeitado. Sem que soubesse, a mesma amostra lhe foi fornecida para testar poucos dias depois, e ele a descreveu como normal. Não há registro de como Dale conseguiu explicar o fato à administração da Wellcome.
2 O comprimento pode ser verificado aumentando o diâmetro de 20 μm de um corpo celular neuronal para o de uma bola de golfe (~40.000 μm de diâmetro, um fator de escala de cerca de 2.000); proporcionalmente, o axônio (comprimento do gânglio da cadeia simpática para, digamos, um vaso sanguíneo na panturrilha – aproximadamente 1 metro em humanos, esqueça as girafas) agora atingirá cerca de 2 km – um desafio no que se refere a comando e controle!
3 Os metabólitos aldeído são potencialmente neurotóxicos; considera-se que possam ter participação
em certas doenças degenerativas do SNC (ver Capítulo 41).
4 E, pelo contrário, a contração da musculatura lisa geralmente não é bem-vinda. Esta afirmativa genérica não deve ser tomada em termos rígidos, mas as exceções (tais como descongestionantes nasais e fármacos de ação oftálmica) são surpreendentemente poucas. Até mesmo a epinefrina (que pode salvar a vida no caso de parada cardíaca) dilata alguns vasos e contrai outros em tecidos menos essenciais como a pele.
5 O carvedilol também é um agonista parcial que atua durante a sinalização da arrestina (ver Capítulo
3).
Capítulo 15
15.1 TEMA
As catecolaminas endógenas medeiam uma variedade de efeitos siológicos
por meio da ativação de diferentes subtipos de receptores e ativação de
diferentes vias de sinalização de segundos mensageiros.
Qual das seguintes a rmativas sobre os efeitos farmacológicos das
catecolaminas endógenas é incorreta?
A. A ordem de potência das catecolaminas endógenas nos receptores α é norepinefrina (NE)
> epinefrina > isoprenalina
B. Os receptores α2 atuam principalmente como receptores inibitórios pré-sinápticos
C. Os receptores β 2 são receptores acoplados à proteína G
D. Os receptores α1 acoplam-se à adenilato ciclase
E. Os receptores β 1 são inotrópicos
Resposta A Os receptores α exibem maior a nidade pela epinefrina; isso é o inverso da
potência observada nos receptores β.
Alternativa B incorreta: Os receptores α 2 são predominantemente neuronais e atuam para inibir a liberação de transmissores.
Alternativa C incorreta: Todos os subtipos de receptores noradrenérgicos são
receptores acoplados à proteína G.
Alternativa D incorreta: Os receptores α 1 acoplam-se à adenilato ciclase.
Os receptores α1 acoplam-se à fosfolipase C (PLC) e provocam elevação do Ca2+ intracelular, mediando a vasoconstrição.
Alternativa E incorreta: Os receptores β1 apresentam efeitos inotrópicos e cronotrópicos positivos sobre o coração.
Concluir questão
15.2 TEMA
A NE é sintetizada nas terminações nervosas e armazenada em vesículas até ser
liberada por ativação neuronal.
Questão
Qual das seguintes a rmativas sobre a liberação e o término da transmissão
noradrenérgica é correta?
A. A síntese de NE envolve a hidroxilação de L-dopa
B. + – O transportador de NE é um cotransportador de Na /Cl
C. A reserpina aumenta a captação de NE nas vesículas
D. O término do sinal ocorre principalmente como resultado da degradação do transmissor
na sinapse
E. As enzimas catecol-O-metiltransferases (COMT) estão presentes nas terminações
noradrenérgicas para metabolizar as catecolaminas em derivados metoxi
Resposta A A síntese de NE envolve a hidroxilação da L-tirosina.
Alternativa B incorreta: O transportador de norepinefrina (NET) é um
cotransportador de Na+/Cl–.
O NET é especí co para o transporte de NE utilizando o gradiente de Na+ como força
impulsora.
Alternativa C incorreta: A reserpina bloqueia a captação de NE nas vesículas e
provoca depleção do transmissor nas terminações nervosas.
Alternativa D incorreta: O término do sinal ocorre principalmente por recaptação e
degradação nas células/terminações nervosas.
Alternativa E incorreta: Monoamina oxidases estão presentes nas terminações
nervosas. A COMT só é encontrada na medula da suprarrenal e em outros tecidos.
Concluir questão
15.3 TEMA
A ativação dos adrenorreceptores medeia uma variedade de efeitos
siológicos.
Qual dos seguintes efeitos não constitui um efeito siológico das
catecolaminas endógenas e dos fármacos simpatomiméticos de ação direta?
A. Contração do músculo liso, mediada pelos receptores α1
B. Relaxamento do músculo liso vascular mediado pelos receptores β2
C. Contração do músculo detrusor da bexiga mediada pelos receptores β3
D. Aumento do débito cardíaco mediado pelos receptores β1
E. Relaxamento brônquico mediado pelos receptores β2
Resposta A A ativação dos receptores α 2+ 1 provoca elevação do Ca intracelular e contração do músculo liso, exceto no intestino. O músculo liso vascular é mais afetado
por estimulação adrenérgica.
Alternativa B incorreta: A ativação dos receptores β causa relaxamento do músculo
liso por meio de aumento do cAMP e redução do Ca2+.
Alternativa C incorreta: Contração do músculo detrusor da bexiga mediada pelos
receptores β3.
A ativação dos receptores β3 provoca contração do músculo detrusor da bexiga, e os agonistas seletivos são úteis no tratamento da bexiga hiperativa.
Alternativa D incorreta: A ativação dos receptores β1 apresenta efeito cronotrópico
positivo (aumento da frequência cardíaca) e inotrópico (aumento da força de contração)
sobre o coração.
Alternativa E incorreta: O músculo liso brônquico é relaxado por ativação dos
receptores β2.
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15.4 TEMA
Em virtude dos efeitos siológicos variáveis dos diferentes subtipos de
adrenorreceptores, o desenvolvimento de agentes com seletividade para os
subtipos foi de grande importância para maximizar o seu potencial
terapêutico.
Qual das seguintes opções não seria um tratamento apropriado para a
condição prescrita?
A. Prazosina para hipertensão
B. Mirabegrona para bexiga hiperativa
C. Metoprolol para angina
D. Carvedilol para insu ciência cardíaca
E. Propranolol para asma
Resposta A A prazosina é um antagonista α-seletivo, de modo que provoca 1 vasodilatação efetiva, sem taquicardia.
Alternativa B incorreta: A mirabegrona é um agonista seletivo dos receptores β3, que medeia a contração do músculo detrusor da bexiga e reduz a micção.
Alternativa C incorreta: O uso de antagonistas β na angina reduz a demanda sobre o
coração, possibilitando a recuperação.
Alternativa D incorreta: Embora os antagonistas β agravem teoricamente a
insu ciência cardíaca, foi demonstrado que a sua administração em baixas doses a
pacientes bem compensados, particularmente com antagonistas não seletivos, tem
efeito bené co.
Alternativa E incorreta: Propranolol para asma.
O propranolol é um antagonista não seletivo dos receptores β, de modo que a sua
administração resultaria em contração prolongada do músculo liso e broncoconstrição.
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15.5 TEMA
Muitas condições patológicas estão associadas a um desequilíbrio dos níveis de
catecolaminas no corpo. Os agentes terapêuticos cuja ação consiste em
modular a liberação e a recaptação de catecolaminas das terminações nervosas
demonstraram ser e cazes em uma variedade de condições.
Que agentes devem reduzir/suprimir os efeitos da NE?
A. Guanetidina
B. Anfetamina
C. Antidepressivos tricíclicos
D. Cocaína
E. Inibidores da monoamina oxidase (MAO)
Resposta A Guanetidina.
Este fármaco inibe a liberação de NE e provoca depleção da amina nas terminações
nervosas.
Alternativa B incorreta: A anfetamina descola a NE nas vesículas, que podem
extravasar das terminações nervosas e atuar pós-sinapticamente, ampli cando as
respostas mediadas pela NE.
Alternativa C incorreta: Os antidepressivos tricíclicos (ADT), como a imipramina,
inibem a recaptação de NE pelo NET, prolongando a duração da NE na sinapse.
Alternativa D incorreta: A cocaína atua aumentando a transmissão simpática e,
portanto, potencializa os efeitos da NE.
Alternativa E incorreta: A monoamina oxidase é responsável pelo metabolismo e
pela degradação da NE; por conseguinte, inibidores dessa enzima prolongariam os
efeitos da NE.
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