Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 293 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fibratos

do gene PCSK9 sofrem de hipercolesterolemia grave. Por sua vez, os

indivíduos com mutações inativas nesse gene apresentam baixas

concentrações de LDL circulante e baixa incidência de doença ateromatosa.

Aqueles com homozigose para PCSK9 inativado apresentam concentrações

plasmáticas de LDL muito baixas e são saudáveis. Este fato encorajou o

desenvolvimento de anticorpos monoclonais que bloqueiam a PCSK9,

prevenindo a ligação aos receptores LDL e sinalizando-os para a destruição

lisossomal. Evolocumabe e alirocumabe já estão aprovados nos EUA e na

Europa para o tratamento de hipercolesterolemia primária em pacientes cujo

LDL circulante não esteja devidamente controlado por uma estatina ou

combinação de estatina/ezetimiba, como agentes adicionais (ou

administrados de forma isolada aos pacientes que não toleram o tratamento

com estatina). O evolocumabe é administrado por via subcutânea a cada 2 a

4 semanas e o alirocumabe, a cada 2 semanas. Efeitos adversos comuns em

ambos os agentes incluem nasofaringite e sintomas gripais. Estão sendo

desenvolvidos outros agentes que funcionam por meio da inibição dessa via

como, por exemplo, pequeno RNA de interferência que provoca a inibição

prolongada da síntese de PCSK9.

 

FIBRATOS

Estão disponíveis vários derivados do ácido fíbrico (fibratos), incluindo

bezafibrato, ciprofibrato, genfibrozila, fenofibrato e clofibrato. Eles

reduzem acentuadamente o VLDL circulante e, portanto, os triglicerídios,

com redução modesta (cerca de 10%) do LDL e aumento de

aproximadamente 10% do HDL. Seu mecanismo de ação é complexo (ver

Figura 24.1). São agonistas dos receptores nucleares PPARα5 (ver Capítulo

3); em seres humanos, os principais efeitos são de aumento da transcrição dos genes de lipoproteína lipase, apoA1 e apoA5. Aumentam a captação

hepática de LDL. Além dos efeitos sobre lipoproteínas, os fibratos reduzem

a PC-R e o fibrinogênio plasmáticos, aumentam a tolerância à glicose e

inibem a inflamação da musculatura lisa vascular por inibição da expressão

do fator de transcrição nuclear NFκB (ver Capítulo 3). Desconhece-se a

importância relativa desses efeitos, não tendo sido demonstrado o aumento

da sobrevida com a utilização de fibratos.

 

■ Efeitos adversos

A rabdomiólise é incomum, mas grave, originando insuficiência renal

aguda associada à excreção de proteínas musculares pelos rins,

especialmente a mioglobina. Ocorre particularmente em pacientes com

comprometimento renal, devido a redução da ligação proteica e eliminação

deficiente de fármacos. Os fibratos devem ser evitados em tais pacientes e

também em alcoólatras, que possuem predisposição à hipertrigliceridemia,

porém com risco de rabdomiólise.6 Em raros casos, as estatinas podem

também causar rabdomiólise (p. 315) e, portanto, o uso combinado de

fibratos com essa classe de fármacos é desaconselhável (embora às vezes

alguns especialistas o façam). Os sintomas gastrintestinais, prurido e rash

são mais comuns do que com as estatinas. O clofibrato predispõe a cálculos

biliares e, portanto, seu uso está restrito a pacientes que sofreram

colecistectomia (p. ex., remoção da vesícula biliar).