Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 721 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Anticorpos monoclonais

Os efeitos adversos são semelhantes aos sentidos por mulheres depois

da menopausa. Os potencialmente mais graves incluem eventos

hiperplásicos no endométrio, que podem evoluir para alterações malignas e

risco de tromboembolia.

Os inibidores de aromatase, como anastrozol, letrozol e exemestano,

que suprimem a síntese de estrógeno a partir dos andrógenos no córtex da

suprarrenal (mas não no ovário), também são eficazes no tratamento do

câncer de mama em mulheres na pós-menopausa (mas não na pré-

menopausa), nas quais são um pouco mais eficazes do que o tamoxifeno.

 

■ Antiandrógenos

Os antagonistas de andrógeno, flutamida, ciproterona e bicalutamida,

podem ser usados como monoterapia ou em combinação com outros

agentes para tratar tumores da próstata. Também podem ser administrados

para controlar os picos de testosterona (“surtos”) que ocorrem quando se

tratam pacientes com análogos de gonadorrelina. O degarrelix provoca esse

pico.

 

ANTICORPOS MONOCLONAIS

Os anticorpos monoclonais (ver Capítulo 5) são aquisições recentes no

arsenal anticâncer. Em alguns casos, a ligação do anticorpo com seu alvo

ativa o mecanismo imune do hospedeiro, e a célula cancerosa é morta por

lise mediada pelo complemento ou por células T killer (ver Capítulo 7).

Outros anticorpos monoclonais fixam-se e inativam os fatores de

crescimento ou seus receptores nas células cancerosas, inibindo, assim, a

via de sobrevivência e promovendo apoptose (ver Capítulo 6, Figura 6.5).

Ao contrário de muitos fármacos citotóxicos anteriormente descritos, eles

oferecem o prospecto de terapia altamente específica, sem muitos dos efeitos adversos da quimioterapia convencional. Essa vantagem, na maioria

dos casos, é compensada pelo fato de, em geral, serem administrados em

combinação com fármacos mais tradicionais. Atualmente, muitos

anticorpos monoclonais estão em uso clínico. Seu custo elevado é um

problema importante.

 

Agentes antineoplásicos | Hormônios

 

Os hormônios ou seus antagonistas são utilizados em tumores sensíveis a hormônios:

• Glicocorticoides, para leucemias e linfomas

• Tamoxifeno, para tumores de mama

• Análogos do hormônio de liberação das gonadotro nas, para tumores de próstata

e de mama

• Antiandrógenos, para câncer de próstata

• Inibidores de aromatase, para câncer de mama pós-menopáusico.

 

■ Rituximabe

O rituximabe é um anticorpo monoclonal usado (em combinação com

outros agentes quimioterápicos) no tratamento de certos tipos de linfoma,

incluindo linfoma não Hodgkin. O agente lisa os linfócitos B ao se ligar à

proteína CD20, formadora do canal de cálcio, e ativar o complemento.

Além disso, sensibiliza células resistentes a outros fármacos

quimioterápicos. Proporciona sobrevida livre de doença em 40 a 50% dos

casos quando combinado com quimioterapia-padrão (R-CHOP; rituximabe-

ciclofosfamina-hidroxidaunorrubicina [doxorrubicina], oncovina

[vincristina] mais prednisolona).

O fármaco é administrado por infusão, e sua meia-vida plasmática é de

cerca de 3 dias quando administrado pela primeira vez, aumentando a cada

administração, até alcançar cerca de 8 dias por volta da quarta

administração.

Os efeitos adversos durante as infusões iniciais incluem hipotensão,

calafrios e febre; posteriormente, abrangem reações de hipersensibilidade.

Pode ocorrer reação de liberação de citocina, que tem sido fatal. O fármaco

pode exacerbar os transtornos cardiovasculares.

▼ O alentuzumabe é outro anticorpo monoclonal que lisa linfócitos B

e é usado no tratamento da leucemia linfocítica crônica resistente.

Também pode causar reação de liberação de citocinas semelhante à do

rituximabe. O ofatumumabe é semelhante. Brentuximabe tem

adicionalmente como alvo as células T, mas de uma forma diferente. É

um conjugado de um fármaco citotóxico ligado a um anticorpo que se

une aos CD30 nas células malignas. É usado para tratar o linfoma de

Hodgkin.

 

■ Trastuzumabe

O trastuzumabe (Herceptin®) é um anticorpo monoclonal murino

humanizado, que se liga a uma proteína denominada HER2 (o receptor 2 do

fator de crescimento epidérmico humano), um membro da família mais

ampla dos receptores com atividade integral de tirosinoquinase (ver Figura

57.1). Existem algumas evidências de que, além de induzir as respostas

imunes do hospedeiro, o trastuzumabe induza os inibidores p21 e p27 do

ciclo celular (ver Capítulo 6, Figura 6.2). Em cerca de 25% das pacientes

com câncer de mama, as células tumorais superexpressam esse receptor, e o

câncer prolifera com rapidez. Resultados preliminares revelam que o

trastuzumabe, administrado em conjunto com quimioterapia-padrão, resulta em uma taxa de sobrevida de 1 ano em 79% das pacientes com essa forma

agressiva de câncer de mama que são virgens de tratamento. O fármaco é,

em geral, administrado com um taxano, como o docetaxel. Os efeitos

adversos são semelhantes aos do rituximabe.

▼ Panitumumabe e cetuximabe são dois compostos mecanicamente

relacionados que se ligam aos receptores do fator de crescimento

epidérmico (EGF; do inglês, epidermal growth factor) (também

superexpressado em muitos tumores). São empregados no tratamento de

câncer colorretal, geralmente em combinação com outros agentes.

 

■ Bevacizumabe

O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que é utilizado

no tratamento de câncer colorretal e, atualmente, em uma ampla gama de

outros cânceres. Ele neutraliza o fator de crescimento vascular endotelial

(VEGF), prevenindo, portanto, a angiogênese, que é crucial para a

sobrevivência do tumor. Sua administração é por meio de infusão

intravenosa e, em geral, é associado a outros agentes. Um preparado

intimamente relacionado também pode ser administrado por injeção direta

no olho, a fim de retardar a progressão da degeneração macular aguda

(DMA), que é uma causa comum de cegueira associada ao aumento de

vascularização na retina.

 

■ Catumaxomabe

O catumaxomabe se liga a uma molécula de adesão epitelial, a EpCAM,

que é superexpressa em algumas células malignas. É administrado por

injeção intraperitoneal para tratar a ascite maligna, uma coleção de líquido e

células de câncer na cavidade peritoneal. O anticorpo se liga a essa

molécula de adesão e também aos linfócitos T e às células apresentadoras de antígeno, facilitando, assim, a ação do sistema imunológico na

eliminação do câncer.

 

■ Nivolumabe

O nivolumabe é um anticorpo monoclonal totalmente humanizado (mAb)

contra a proteína da morte celular programada-1 (PD-1; do inglês,

Programmed cell Death protein-1), que é um receptor de superfície celular

que deprime o sistema imune para promover autotolerância e suprimir a

ativação de células T. Seu ligante é a PD-1. O nivolumabe tem sido usado

para reativar o sistema imune de modo que este reconheça e destrua as

células cancerosas que se evadiram previamente à imunovigilância. Foi

aprovado para o tratamento de melanoma metastático, linfoma e cânceres

de pulmão, rim, cabeça e pescoço. O pembrolizumabe é outra variante

aprovada de um mAb PD-1. O atezolizumabe é um mAb contra a PD-L1

aprovado em 2016 para o tratamento do câncer de bexiga.

 

■ Ipilimumabe

Aprovado em 2011 para o tratamento do melanoma, o ipilimumabe tem

como alvo o sistema de checkpoint imune, conhecido como proteína 4

citotóxica associada aos linfócitos T (CTLA-4), que funciona de forma

semelhante ao sistema PD-1 para “inibir” o sistema imune. Os cânceres

usam frequentemente esses dois mecanismos para evadir-se à

imunodetecção. Inibidores dos dois sistemas são chamados “inibidores de

checkpoint imune”. O ipilimumabe tem sido usado no tratamento do

melanoma, com eficácia demonstrada no combate aos cânceres de pulmão e

pâncreas. Ensaios combinando inibidores PD-1 e CTLA-4 provaram que a

terapia combinada desses inibidores de checkpoint irá ser uma estratégia útil para reativar os sistemas imunes humanos e dirigi-los contra as células