Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 156 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Considerações finais

Estudos com gêmeos, assim como vários distúrbios de gene único bem

documentados (incluindo as anomalias cromossômicas mendelianas –

autossômicas recessivas, dominantes ou ligadas ao sexo – e anomalias

mitocondriais herdadas da mãe), provam o conceito de que a suscetibilidade

aos efeitos adversos de fármacos pode ser geneticamente determinada. Os

testes farmacogenômicos oferecem a possibilidade de uma terapia

“personalizada” mais precisa para vários fármacos e distúrbios, mas falta

evidência da utilidade clínica em ensaios clínicos de elevada qualidade

realizados em uma grande população, especialmente nas situações em que a

resposta ao fármaco é influenciada por traços multifatoriais complexos.

Esse é um campo de intensa atividade de investigação, rápido progresso e

elevadas expectativas, mas continua sendo um desafio provar que esses

testes acrescentem algo às presentes boas práticas e melhorem os

resultados.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

 

Leitura adicional

Doogue, M.P., Polasek, T.M., 2011. Drug dosing in renal disease. Clin. Biochem. Rev. 32, 69–73.

(Princípios e prática do ajuste de doses em pacientes com insuficiência renal) Chan, S.L., Jin, S., Loh, M., Brunham, L.R., 2015. Progress in understanding the genomic basis for

adverse drug reactions: a comprehensive review and focus on the role of ethnicity.

Pharmacogenomics 16, 1161–1178. (Descreve como o teste genético progrediu na avaliação da

suscetibilidade a reações farmacológicas adversas)

Khoury, M.J., 2017. No shortcuts on the long road to evidence-based genomic medicine. JAMA 318

(1), 27–28.

Pavlos, R., Mallal, S., Phillips, E., 2012. HLA and pharmacogenetics of drug hypersensitivity.

Pharmacogenomics 13, 1285–1306.

Phillips, E.J., Mallal, S.A., 2011. HLA-B*1502 screening and toxic effects of carbamazepine. N.

Engl. J. Med. 365, 672.

Phillips, K.A., Deverka, P.A., Sox, H.C., et al., 2017. Making genomic medicine evidence-based and

patient-centered: a structured review and landscape analysis of comparative effectiveness

research. Genet. Med. 19 (10), 1081–1091. (Revisão abrangente que relata a falta de evidência

da utilidade clínica e do benefício para os pacientes)

Relling, M.V., Evans, W.E., 2015. Pharmacogenomics in the clinic. Nature 526, 343–350. (Excelente

artigo de revisão sobre os testes farmacogenéticos que são clinicamente importantes, bem como

as barreiras na sua ampla adoção)

Weng, L.M., Zhang, L., Peng, Y., Huang, R.S., 2013. Pharmacogenetics and pharmacogenomics: a

bridge to individualized cancer therapy. Pharmacogenomics 14, 315–324.

 

Referências

Atkinson, A.J., Jr., Huang, S.M., Lertora, J., et al., 2012. Principles of Clinical Pharmacology, second

ed. Academic Press, San Diego. (Inclui relatos detalhados de aspectos clínicos, incluindo efeitos

das doenças renal e hepática na farmacocinética, efeitos da idade e na terapia farmacológica em

gestantes e lactantes)

Barbarino, J.M., Kroetz, D.L., Klein, T.E., Altman, R.B., 2015. PharmGKB summary: very important

pharmacogene information for Human Leukocyte Antigen B (HLA-B). Pharmacogenet.

Genomics 25, 205–221.

Cooper, R.S., Kaufman, J.S., Ward, R., 2003. Race and genomics. N. Engl. J. Med. 348, 1166–1170.

(Análise acadêmica e adequadamente cética)

Khoury, M.J., Galea, S., 2016. Will precision medicine improve population health? JAMA 316,

1357–1358.

Linden Phillips, L., Bitner-Glindzicz, M., Lench, N., et al., 2013. The future role of genetic screening

to detect newborns at risk of childhood-onset hearing loss. Int. J. Audiol. 52, 124–133.

Manrai, A.K., Ioannidis, J.A., Kohane, I.S., 2016. Clinical genomics: from pathogenicity claims to

quantitative risk estimates. JAMA 315, 1233–1234. (Argumenta que o impacto, clinicamente útil,

no tratamento dos pacientes ainda tem de ser demonstrado consistentemente por meio de testes

farmacogenéticos)

Mallal, S., Phillips, E., Carosi, G., et al., 2008. HLA-B*5701 screening for hypersensitivity to

abacavir. N. Engl. J. Med. 358, 568–579.

Martin, M.A., Kroetz, D.L., 2013. Abacavir pharmacogenetics – from initial reports to standard of

care. Pharmacotherapy 33, 765–775.

Rieder, M.J., Reiner, A.P., Gage, B.F., et al., 2005. Effect of VKORC1 haplotype on transcriptional

regulation and warfarin dose. N. Engl. J. Med. 352, 2285–2293.

Shah, R.R., Shah, D.R., 2012. Personalized medicine: is it a pharmacogenetic mirage? Br. J. Clin.

Pharmacol. 74, SI 698–SI 721.

Stergiopoulos, K., Brown, D.L., 2014. Genotype-guided vs clinical dosing of warfarin and its

analogues: meta-analysis of randomized clinical trials. JAMA Intern. Med. 174, 1330–1338.

(Metanálise de ensaios clínicos controlados randomizados de esquemas de varfarina orientados

pelo genótipo)

Teml, A., Schaeffeler, E., Schwab, M., 2009. Pretreatment determination of TPMT – state of the art

in clinical practice. Eur. J. Clin. Pharmacol. 65, 219–221, and related articles. (Introduz uma

questão dedicada ao impacto de polimorfismos TPMT no uso de tiopurinas na prática clínica)

Wadman, M., 2005. Drug targeting: is race enough? Nature 435, 1008–1009. (Não!) Weinshilboum, R.M., Sladek, S.L., 1980. Mercaptopurine pharmacogenetics: monogenic inheritance

of erythrocyte thiopurine methyltransferase activity. Am. J. Hum. Genet. 32, 651–662.

Wood, A.J.J., 2001. Racial differences in response to drugs – pointers to genetic differences. N. Engl.

J. Med. 344, 1393–1396.

Zineh, I., Pacanowski, M., Woodcock, J., 2013. Pharmacogenetics and coumarins dosing –

recalibrating expectations. N. Engl. J. Med. 369, 2273–2275.

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1 Deve ser mencionada uma terceira categoria de interações farmacêuticas, na qual os fármacos interagem in vitro, de forma que um ou ambos sejam inativados. Não estão envolvidos princípios farmacológicos, apenas químicos. Um exemplo é o da formação de um complexo entre o tiopental e o suxametônio, os quais não devem ser misturados na mesma seringa. A heparina é fortemente carregada e, assim, interage com muitos fármacos básicos; é, por vezes, utilizada para manter vias intravenosas ou cânulas abertas e pode inativar fármacos básicos se estes forem injetados sem lavar primeiramente a via com solução salina.

2 A interação com diuréticos pode envolver uma interação farmacocinética além do efeito farmacodinâmico aqui descrito, porque os AINE competem com ácidos fracos, incluindo diuréticos,

pela secreção tubular renal; ver Capítulo 9.

3 Diz-se que o código genético é “degenerado” devido à presença de redundância, em que mais de um conjunto de tripletos de bases de nucleotídios codificam para o mesmo aminoácido. Uma mutação “silenciosa”, sem alteração proteica e, consequentemente, sem alteração na função, pode ter origem na alteração em uma base envolvendo um tripleto que codifica para o mesmo aminoácido que o original. Tais mutações não são vantajosas nem desvantajosas; assim, não serão eliminadas pela seleção natural nem irão se acumular na população à custa do gene do tipo selvagem.

4 Um homem de meia-idade, aparentemente saudável, foi consultado por um dos autores ao longo de vários meses devido à hipertensão; foi igualmente visto por um psiquiatra devido à depressão. Não melhorou com o tratamento e foi submetido à terapia eletroconvulsiva (ECT). Usou-se suxametônio para evitar lesões causadas pelas convulsões; isso geralmente resulta em uma paralisia de curta duração, mas este pobre homem recuperou a consciência uns 2 dias depois, quando se encontrava em processo de desmame da ventilação artificial em uma unidade de cuidados intensivos. Análises subsequentes mostraram que ele era homozigoto para uma forma ineficaz de colinesterase plasmática.

5 A expectativa de vida, obtida a partir de registros locais de pacientes com porfiria diagnosticados retrospectivamente em grandes grupos familiares na Escandinávia, era normal até o advento e uso generalizado de barbitúricos e outros fármacos sedativos e anticonvulsivantes no século XX, altura em que ocorreu uma queda. Há uma longa e útil lista de fármacos a serem evitados no British National Formulary, juntamente com o aviso de que fármacos que não estejam na lista podem não ser necessariamente seguros em tais pacientes.

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