Rang e Dale: Farmacologia
Antagonistas da histamina
incluem hemorragia GI, lesão renal, depressão da medula óssea e
neuropatia periférica.
ANTAGONISTAS DA HISTAMINA
Os anti-histamínicos foram introduzidos por Bovet et al. nos anos 1930,
antes da descoberta dos quatro subtipos de receptores de histamina descritos
no Capítulo 18. De modo convencional, o termo genérico “anti-
histamínico” normalmente refere-se apenas aos antagonistas do receptor H 1 usados para tratar diversas condições inflamatórias e alérgicas, sendo estes
os fármacos discutidos nesta seção.
A Tabela 27.4 mostra detalhes de alguns antagonistas característicos do
receptor H1. Além desses, existem muitos outros que são utilizados sobretudo de forma tópica (p. ex., sprays nasais ou colírios) no tratamento
da febre do feno e de outros sintomas alérgicos. Tais agentes incluem
antazolina, azelastina, epinastina, olapatadina e emedastina. Além da
atividade antagonista de H1, alguns anti-histamínicos (p. ex., o cetotifeno) também podem apresentar propriedades “estabilizadoras de mastócitos” e
outras propriedades anti-inflamatórias, não relacionadas com o antagonismo
da histamina (Assanasen e Naclerio, 2002).
■ Efeitos farmacológicos
Normalmente, os anti-histamínicos são divididos em fármacos da “primeira
geração”, que cruzam a barreira hematencefálica e muitas vezes apresentam
ações sedativas, e os fármacos de “segunda geração”, que em termos gerais
não o fazem. Alguns agentes originais da segunda geração (p. ex.,
terfenadina) demonstraram certa toxicidade cardíaca (p. ex., torsade de
pointes; ver Capítulo 22). Embora o risco seja muitíssimo baixo, este era aumentado quando ingerido juntamente com suco de toranja ou com
agentes que inibem o citocromo P450 hepático (ver Capítulos 10 e 58).
Esses fármacos foram, portanto, retirados do mercado e substituídos por
fármacos de “terceira geração seguros para o coração” (em geral, são
metabólitos ativos dos fármacos originais, p. ex., fexofenadina).
▼ Farmacologicamente, a maioria dos efeitos dos antagonistas dos
receptores H1 deriva das ações da histamina descritas no Capítulo 18.
Por exemplo, eles reduzem in vitro a contração mediada pela histamina
da musculatura lisa brônquica, intestinal e uterina. Além disso, inibem o
aumento da permeabilidade vascular e do broncospasmo em cobaias
induzidos pela histamina in vivo. Esses efeitos, porém, são de pouco
valor no caso de broncospasmos alérgicos no homem. Os usos clínicos
dos antagonistas dos receptores H1 encontram-se resumidos no boxe
clínico.
Os “efeitos colaterais” do SNC de alguns antagonistas dos receptores H1
mais antigos são às vezes clinicamente mais úteis dos que os efeitos
anti-H 1 periféricos (p. ex., clorfeniramina; ver Tabela 27.4). Quando
utilizados para tratar alergias, os efeitos sedativos são geralmente
indesejados, mas existem outras situações (p. ex., em crianças pequenas
que se aproximam da hora de dormir) quando são mais desejáveis.
Mesmo sob essas circunstâncias, outros efeitos no SNC, como tontura e
fadiga, não são bem-vindos. Outros são antieméticos e são usados para
prevenir a cinetose (p. ex., prometazina; ver Capítulo 31)
Vários antagonistas dos receptores H1 exercem um discreto bloqueio de
receptores α1-adrenérgicos (p. ex., prometazina). A cipro-heptadina é
antagonista tanto de receptores de 5-HT como de receptores H1 e a
rupatadina é também um antagonista do fator ativador de plaquetas
(PAF).
Usos clínicos dos antagonistas do receptor H da histamina 1
• Reações alérgicas (ver Capítulo 7):
– Fármacos não sedativos (p. ex., fexofenadina, cetirizina) são usados em rinite
alérgica (febre do feno) e urticária
– Preparações tópicas podem ser úteis para picadas de insetos
– As formulações injetáveis são úteis como complemento da epinefrina para
hipersensibilidades medicamentosas graves e tratamento de emergência da
ana laxia
• Como antieméticos (ver Capítulo 31):
– Prevenção de cinetose (p. ex., ciclizina, cinarizina)
– Outras causas de náuseas, especialmente distúrbios labirínticos
– Para sedação (ver Capítulo 45; p. ex., prometazina).
■ Aspectos farmacocinéticos
A maioria dos antagonistas ativos do receptor H1 é bem absorvida quando administrada por via oral e mantém-se eficaz por 3 a 6 h, embora haja
algumas exceções importantes (p. ex., a loratadina, que é convertida a um
metabólito mais duradouro). Ao que parece, eles em geral apresentam
ampla distribuição por todo o organismo, mas alguns não atravessam a
barreira hematencefálica, como os fármacos não sedativos já mencionados
(ver Tabela 27.4). Eles são sobretudo metabolizados no fígado e eliminados
na urina.
Muitos anti-histamínicos possuem efeitos colaterais periféricos
antimuscarínicos. O mais comum destes é boca seca, porém podem também
ocorrer visão embaçada, constipação intestinal e retenção urinária. Manifestam-se também efeitos adversos dissociados de seus mecanismos de