Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 324 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Antagonistas da histamina

incluem hemorragia GI, lesão renal, depressão da medula óssea e

neuropatia periférica.

 

ANTAGONISTAS DA HISTAMINA

Os anti-histamínicos foram introduzidos por Bovet et al. nos anos 1930,

antes da descoberta dos quatro subtipos de receptores de histamina descritos

no Capítulo 18. De modo convencional, o termo genérico “anti-

histamínico” normalmente refere-se apenas aos antagonistas do receptor H 1 usados para tratar diversas condições inflamatórias e alérgicas, sendo estes

os fármacos discutidos nesta seção.

A Tabela 27.4 mostra detalhes de alguns antagonistas característicos do

receptor H1. Além desses, existem muitos outros que são utilizados sobretudo de forma tópica (p. ex., sprays nasais ou colírios) no tratamento

da febre do feno e de outros sintomas alérgicos. Tais agentes incluem

antazolina, azelastina, epinastina, olapatadina e emedastina. Além da

atividade antagonista de H1, alguns anti-histamínicos (p. ex., o cetotifeno) também podem apresentar propriedades “estabilizadoras de mastócitos” e

outras propriedades anti-inflamatórias, não relacionadas com o antagonismo

da histamina (Assanasen e Naclerio, 2002).

 

■ Efeitos farmacológicos

Normalmente, os anti-histamínicos são divididos em fármacos da “primeira

geração”, que cruzam a barreira hematencefálica e muitas vezes apresentam

ações sedativas, e os fármacos de “segunda geração”, que em termos gerais

não o fazem. Alguns agentes originais da segunda geração (p. ex.,

terfenadina) demonstraram certa toxicidade cardíaca (p. ex., torsade de

pointes; ver Capítulo 22). Embora o risco seja muitíssimo baixo, este era aumentado quando ingerido juntamente com suco de toranja ou com

agentes que inibem o citocromo P450 hepático (ver Capítulos 10 e 58).

Esses fármacos foram, portanto, retirados do mercado e substituídos por

fármacos de “terceira geração seguros para o coração” (em geral, são

metabólitos ativos dos fármacos originais, p. ex., fexofenadina).

▼ Farmacologicamente, a maioria dos efeitos dos antagonistas dos

receptores H1 deriva das ações da histamina descritas no Capítulo 18.

Por exemplo, eles reduzem in vitro a contração mediada pela histamina

da musculatura lisa brônquica, intestinal e uterina. Além disso, inibem o

aumento da permeabilidade vascular e do broncospasmo em cobaias

induzidos pela histamina in vivo. Esses efeitos, porém, são de pouco

valor no caso de broncospasmos alérgicos no homem. Os usos clínicos

dos antagonistas dos receptores H1 encontram-se resumidos no boxe

clínico.

Os “efeitos colaterais” do SNC de alguns antagonistas dos receptores H1

mais antigos são às vezes clinicamente mais úteis dos que os efeitos

anti-H 1 periféricos (p. ex., clorfeniramina; ver Tabela 27.4). Quando

utilizados para tratar alergias, os efeitos sedativos são geralmente

indesejados, mas existem outras situações (p. ex., em crianças pequenas

que se aproximam da hora de dormir) quando são mais desejáveis.

Mesmo sob essas circunstâncias, outros efeitos no SNC, como tontura e

fadiga, não são bem-vindos. Outros são antieméticos e são usados para

prevenir a cinetose (p. ex., prometazina; ver Capítulo 31)

Vários antagonistas dos receptores H1 exercem um discreto bloqueio de

receptores α1-adrenérgicos (p. ex., prometazina). A cipro-heptadina é

antagonista tanto de receptores de 5-HT como de receptores H1 e a

rupatadina é também um antagonista do fator ativador de plaquetas

(PAF).

Usos clínicos dos antagonistas do receptor H da histamina 1

 

• Reações alérgicas (ver Capítulo 7):

– Fármacos não sedativos (p. ex., fexofenadina, cetirizina) são usados em rinite

alérgica (febre do feno) e urticária

– Preparações tópicas podem ser úteis para picadas de insetos

– As formulações injetáveis são úteis como complemento da epinefrina para

hipersensibilidades medicamentosas graves e tratamento de emergência da

ana laxia

• Como antieméticos (ver Capítulo 31):

– Prevenção de cinetose (p. ex., ciclizina, cinarizina)

– Outras causas de náuseas, especialmente distúrbios labirínticos

– Para sedação (ver Capítulo 45; p. ex., prometazina).

 

■ Aspectos farmacocinéticos

A maioria dos antagonistas ativos do receptor H1 é bem absorvida quando administrada por via oral e mantém-se eficaz por 3 a 6 h, embora haja

algumas exceções importantes (p. ex., a loratadina, que é convertida a um

metabólito mais duradouro). Ao que parece, eles em geral apresentam

ampla distribuição por todo o organismo, mas alguns não atravessam a

barreira hematencefálica, como os fármacos não sedativos já mencionados

(ver Tabela 27.4). Eles são sobretudo metabolizados no fígado e eliminados

na urina.

Muitos anti-histamínicos possuem efeitos colaterais periféricos

antimuscarínicos. O mais comum destes é boca seca, porém podem também

ocorrer visão embaçada, constipação intestinal e retenção urinária. Manifestam-se também efeitos adversos dissociados de seus mecanismos de