Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 244 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Canabinoides sintéticos

Há evidências, tanto em animais experimentais quanto em tecidos humanos,

de que a sinalização endocanabinoide esteja alterada em várias doenças

neurodegenerativas (ver Capítulo 41). Outras doenças em que têm sido

verificadas anomalias da sinalização canabinoide em tecidos humanos, bem

como em modelos experimentais, incluem choque hipotensivo (tanto

hemorrágico quanto séptico; ver Capítulo 23), cirrose avançada do fígado

(em que há evidências de que a vasodilatação é mediada por

endocanabinoides atuando em receptores CB1 vasculares – ver Bátkai et al., 2001), aborto (Battista et al., 2012) e neoplasias malignas. Parece provável

que, em alguns distúrbios, a atividade endocanabinoide constitui um

mecanismo compensatório que limita a progressão da doença ou a

manifestação dos sintomas, ao passo que, em outras, ela pode ser um

“excesso de coisa boa” e em realidade contribui para a progressão da

doença. Consequentemente, pode haver um lugar na terapêutica para

medicamentos que potencializem ou inibam o sistema canabinoide (para

uma discussão mais completa, ver Pertwee, 2015).

 

CANABINOIDES SINTÉTICOS

Os agonistas de receptores canabinoides foram desenvolvidos nos anos

1970 na expectativa de que eles se provassem úteis analgésicos não

opioides/não AINE (anti-inflamatórios não esteroide) (ver Capítulos 43 e

27, respectivamente, sobre as limitações dos opioides e dos AINE), mas

efeitos adversos, particularmente sedação e prejuízo da memória, eram

problemáticos. Não obstante, um desses fármacos, a nabilona, é às vezes

utilizado clinicamente para as náuseas e vômitos causados pela

quimioterapia citotóxica, caso os pacientes não respondam aos antieméticos

convencionais (ver Capítulo 31). Além disso, os agonistas canabinoides

sintéticos (p. ex., spice, K2, jungle juice, code red, entre outras denominações pelas quais são conhecidas no comércio ilegal) vinham sendo