Rang e Dale: Farmacologia
Canabinoides sintéticos
Há evidências, tanto em animais experimentais quanto em tecidos humanos,
de que a sinalização endocanabinoide esteja alterada em várias doenças
neurodegenerativas (ver Capítulo 41). Outras doenças em que têm sido
verificadas anomalias da sinalização canabinoide em tecidos humanos, bem
como em modelos experimentais, incluem choque hipotensivo (tanto
hemorrágico quanto séptico; ver Capítulo 23), cirrose avançada do fígado
(em que há evidências de que a vasodilatação é mediada por
endocanabinoides atuando em receptores CB1 vasculares – ver Bátkai et al., 2001), aborto (Battista et al., 2012) e neoplasias malignas. Parece provável
que, em alguns distúrbios, a atividade endocanabinoide constitui um
mecanismo compensatório que limita a progressão da doença ou a
manifestação dos sintomas, ao passo que, em outras, ela pode ser um
“excesso de coisa boa” e em realidade contribui para a progressão da
doença. Consequentemente, pode haver um lugar na terapêutica para
medicamentos que potencializem ou inibam o sistema canabinoide (para
uma discussão mais completa, ver Pertwee, 2015).
CANABINOIDES SINTÉTICOS
Os agonistas de receptores canabinoides foram desenvolvidos nos anos
1970 na expectativa de que eles se provassem úteis analgésicos não
opioides/não AINE (anti-inflamatórios não esteroide) (ver Capítulos 43 e
27, respectivamente, sobre as limitações dos opioides e dos AINE), mas
efeitos adversos, particularmente sedação e prejuízo da memória, eram
problemáticos. Não obstante, um desses fármacos, a nabilona, é às vezes
utilizado clinicamente para as náuseas e vômitos causados pela
quimioterapia citotóxica, caso os pacientes não respondam aos antieméticos
convencionais (ver Capítulo 31). Além disso, os agonistas canabinoides
sintéticos (p. ex., spice, K2, jungle juice, code red, entre outras denominações pelas quais são conhecidas no comércio ilegal) vinham sendo