Rang e Dale: Farmacologia
Efeitos adversos não relacionados com a ação farmacológica conhecida do medicamento
COX-2 pudessem prevenir câncer de intestino) é que se pôde confirmar,
sem sombra de dúvida, a ação pró-trombótica.
EFEITOS ADVERSOS NÃO RELACIONADOS COM A AÇÃO FARMACOLÓGICA CONHECIDA DO MEDICAMENTO
Efeitos adversos não relacionados com a principal ação farmacológica
podem ser previsíveis quando um fármaco é tomado em doses excessivas,
como, por exemplo, hepatotoxicidade provocada por paracetamol (ver
adiante), ou zumbido induzido por ácido acetilsalicílico, ou, então, quando
a suscetibilidade aumenta, como no caso de gravidez, ou por alteração
predisponente, tal como a deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase ou
uma mutação no DNA mitocondrial (ver Capítulo 12).
Reações imprevisíveis, não relacionadas com o efeito principal do
fármaco (às vezes designadas como reações idiossincráticas, ou tipo B, de
Bizarras, segundo a classificação de Rawlins e Thomson), com frequência
são iniciadas por um metabólito quimicamente reativo, e não pelo fármaco
original. Exemplos desse tipo de RAF, que muitas vezes são de natureza
imunológica, incluem dano hepático e renal induzido pelo fármaco,
supressão da medula óssea, carcinogênese e desenvolvimento fetal
deficiente. Os efeitos adversos imprevisíveis, raros, porém graves, foram
mencionados em capítulos anteriores, incluindo anemia aplásica associada
ao cloranfenicol e anafilaxia com uso de penicilina. Em geral, são graves –
caso contrário, não seriam reconhecidas –, e sua existência é importante
para se estabelecer a segurança dos fármacos. A natureza imprevisível
dessas reações significa que o ajuste do regime terapêutico recomendado (p.
ex., utilizando uma dose mais baixa) pode não as prevenir.