Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 99 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Modelos animais de doenças

Ensaio biológico

 

• Ensaio biológico é a determinação da potência de um fármaco ou mediador desconhecido

a partir da magnitude do efeito biológico que produz

• O ensaio biológico normalmente envolve a comparação entre uma preparação

desconhecida e um padrão. Estimativas que não se baseiam na comparação com padrões

geralmente não são con áveis, variando de um laboratório para outro

As comparações são mais bem realizadas com base nas curvas dose-resposta, que

•

permitem estimativas das concentrações equie cazes do desconhecido e do padrão, para

serem usadas como base para a comparação de potência. Os ensaios em linha paralela

seguem esse princípio

• A resposta biológica pode ser quantal (a proporção de testes em que é produzido um

efeito do tipo “tudo ou nada”) ou gradual. Em cada caso, são usados procedimentos

estatísticos diferentes

• Diferentes métodos de medida são empregados de acordo com o nível de organização

biológica em que o efeito do fármaco deve ser mensurado. Os métodos vão desde técnicas

moleculares e químicas, estudos in vitro ou in vivo em animais e estudos clínicos em

voluntários e pacientes, até a avaliação dos efeitos em nível socioeconômico.

 

MODELOS ANIMAIS DE DOENÇAS

Existem muitos exemplos em que modelos intuitivos simples preveem, com

uma boa dose de precisão, a eficácia terapêutica nos seres humanos.

Quando furões (ferrets) são postos em gaiolas que balançam, eles vomitam,

e fármacos que previnem essa reação também aliviam a cinetose e outros

tipos de náuseas em humanos. Substâncias químicas irritantes injetadas em

patas de ratos as tornam edemaciadas e doloridas; esse teste prevê muito

bem a eficácia de fármacos para alívio sintomático de condições inflamatórias, como a artrite reumatoide em seres humanos. Como

mencionado em outra parte deste livro, estão disponíveis modelos animais

para muitas doenças importantes, tais como epilepsia, diabetes, hipertensão

e úlcera gástrica, com base no conhecimento da fisiologia da afecção. Esses

modelos têm sido utilizados com sucesso para produzir novos fármacos,

mesmo que sua capacidade de prever a eficácia terapêutica esteja longe da

perfeição.4

Um modelo animal ideal deveria ser semelhante à doença humana nos

seguintes aspectos:

1. Fenótipo fisiopatológico semelhante (validade de apre-sentação).

2. Causas similares (validade de construção).

3. Resposta semelhante ao tratamento (validade preditiva).

Na prática, existem muitas dificuldades, e as deficiências dos modelos

animais representam um dos principais obstáculos no caminho entre a

ciência médica básica e os aperfeiçoamentos terapêuticos. As dificuldades

incluem o seguinte:

 

• Muitas doenças, especialmente as psiquiátricas, são definidas por alguns

fenômenos em seres humanos cuja observação em animais é difícil ou

até mesmo impossível. Até onde sabemos, a mania ou as ilusões

paranoicas não encontram equivalentes em ratos, nem podemos

reconhecer nesses animais algo semelhante à enxaqueca ou ao

comportamento suicida. A semelhança fisiopatológica também não se

aplica a condições como depressão ou ansiedade, que não apresentam

uma patologia cerebral definida

• A “causa” de muitas doenças humanas é complexa ou desconhecida.

Para muitas doenças degenerativas (p. ex., doença de Alzheimer,

osteoartrite e doença de Parkinson), precisamos de modelos para os