Rang e Dale: Farmacologia
Modelos animais de doenças
Ensaio biológico
• Ensaio biológico é a determinação da potência de um fármaco ou mediador desconhecido
a partir da magnitude do efeito biológico que produz
• O ensaio biológico normalmente envolve a comparação entre uma preparação
desconhecida e um padrão. Estimativas que não se baseiam na comparação com padrões
geralmente não são con áveis, variando de um laboratório para outro
As comparações são mais bem realizadas com base nas curvas dose-resposta, que
•
permitem estimativas das concentrações equie cazes do desconhecido e do padrão, para
serem usadas como base para a comparação de potência. Os ensaios em linha paralela
seguem esse princípio
• A resposta biológica pode ser quantal (a proporção de testes em que é produzido um
efeito do tipo “tudo ou nada”) ou gradual. Em cada caso, são usados procedimentos
estatísticos diferentes
• Diferentes métodos de medida são empregados de acordo com o nível de organização
biológica em que o efeito do fármaco deve ser mensurado. Os métodos vão desde técnicas
moleculares e químicas, estudos in vitro ou in vivo em animais e estudos clínicos em
voluntários e pacientes, até a avaliação dos efeitos em nível socioeconômico.
MODELOS ANIMAIS DE DOENÇAS
Existem muitos exemplos em que modelos intuitivos simples preveem, com
uma boa dose de precisão, a eficácia terapêutica nos seres humanos.
Quando furões (ferrets) são postos em gaiolas que balançam, eles vomitam,
e fármacos que previnem essa reação também aliviam a cinetose e outros
tipos de náuseas em humanos. Substâncias químicas irritantes injetadas em
patas de ratos as tornam edemaciadas e doloridas; esse teste prevê muito
bem a eficácia de fármacos para alívio sintomático de condições inflamatórias, como a artrite reumatoide em seres humanos. Como
mencionado em outra parte deste livro, estão disponíveis modelos animais
para muitas doenças importantes, tais como epilepsia, diabetes, hipertensão
e úlcera gástrica, com base no conhecimento da fisiologia da afecção. Esses
modelos têm sido utilizados com sucesso para produzir novos fármacos,
mesmo que sua capacidade de prever a eficácia terapêutica esteja longe da
perfeição.4
Um modelo animal ideal deveria ser semelhante à doença humana nos
seguintes aspectos:
1. Fenótipo fisiopatológico semelhante (validade de apre-sentação).
2. Causas similares (validade de construção).
3. Resposta semelhante ao tratamento (validade preditiva).
Na prática, existem muitas dificuldades, e as deficiências dos modelos
animais representam um dos principais obstáculos no caminho entre a
ciência médica básica e os aperfeiçoamentos terapêuticos. As dificuldades
incluem o seguinte:
• Muitas doenças, especialmente as psiquiátricas, são definidas por alguns
fenômenos em seres humanos cuja observação em animais é difícil ou
até mesmo impossível. Até onde sabemos, a mania ou as ilusões
paranoicas não encontram equivalentes em ratos, nem podemos
reconhecer nesses animais algo semelhante à enxaqueca ou ao
comportamento suicida. A semelhança fisiopatológica também não se
aplica a condições como depressão ou ansiedade, que não apresentam
uma patologia cerebral definida
• A “causa” de muitas doenças humanas é complexa ou desconhecida.
Para muitas doenças degenerativas (p. ex., doença de Alzheimer,
osteoartrite e doença de Parkinson), precisamos de modelos para os