Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 497 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Aspectos funcionais

heteroméricas de subunidades α (α2-7) e β (β2-4) (ver Capítulo 3; Gotti et

al., 2008) e estão distribuídos amplamente pelo encéfalo (Tabela 40.2). A

nicotina (ver Capítulo 49) exerce seu efeito central por ação agonista nos

nAChR. Os subtipos α4β2 heteromérico e α7 homomérico são os

caracterizados mais extensivamente. Foram desenvolvidos agonistas

específicos dos subtipos e moduladores alostéricos positivos, mas os

resultados iniciais dos ensaios clínicos para a melhora cognitiva não

corresponderam ainda às expectativas.

Os nAChR estão localizados pré e pós-sinapticamente. Os nAChR pré-

sinápticos normalmente agem para facilitar a liberação de outros

transmissores, tais como o glutamato, a dopamina e o GABA.4 Os nAChR

pós-sinápticos medeiam a transmissão excitatória rápida, como na periferia

(ver Capítulo 14).

Muitos dos fármacos que bloqueiam os nAChR (p. ex., tubocurarina;

ver Capítulo 14) não atravessam a barreira hematencefálica, e mesmo os

que o fazem (p. ex., mecamilamina) produzem apenas efeitos discretos no

SNC. Várias cepas de ratos sem nAChR foram produzidas e estudadas. A

destruição de vários subtipos de nAChR específicos do SNC geralmente

provoca muito pouco efeito, embora alguma dificuldade cognitiva possa ser

detectada. Mutações nos nAChR podem ser a causa de algumas formas de

epilepsia, e as alterações na expressão dos nAChR podem ocorrer em

distúrbios como esquizofrenia, transtorno do déficit de atenção com

hiperatividade, depressão e ansiedade, assim como a posterior

neurodegeneração nas doenças de Alzheimer e Parkinson.

 

ASPECTOS FUNCIONAIS

As principais funções atribuídas às vias colinérgicas estão relacionadas com

o despertar, a recompensa, o aprendizado, a memória e o controle motor. Acredita-se que a projeção colinérgica da parte ventral do prosencéfalo para

o córtex medeie o despertar, enquanto a via septo-hipocampal esteja

envolvida no aprendizado e na memória a curto prazo (Hasselmo, 2006). Os

interneurônios colinérgicos no estriado estão envolvidos no controle motor

(ver Capítulo 41).

Os agonistas muscarínicos sintéticos mostraram restauração parcial das

deficiências de aprendizado e de memória induzidas nos animais

experimentais, por lesões nas vias colinérgicas septo-hipocampais. A

hioscina, antagonista muscarínico, prejudica a memória nos humanos e

provoca amnésia quando usada como medicação pré-anestésica. Sem os

receptores muscarínicos M 1, entretanto, os camundongos mostram apenas discreto comprometimento do aprendizado e da memória (Wess, 2004).

A nicotina aumenta o nível de alerta e também reforça o aprendizado e a

memória, assim como o fazem vários agonistas sintéticos nos receptores

nicotínicos neuronais. Inversamente, os antagonistas ativos dos receptores

nicotínicos, como a mecamilamina, podem causar comprometimento

detectável, embora leve, do aprendizado e da memória. Os camundongos

transgênicos com alteração dos receptores nicotínicos cerebrais apresentam

apenas discreto comprometimento no aprendizado das tarefas espaciais. Na

via de “recompensa” dopaminérgica entre a VTA e o nucleus accumbens, a

nicotina afeta a descarga neuronal no nível do corpo do neurônio na VTA e

modula a liberação de dopamina dos terminais no nucleus accumbens,

modificando a liberação de dopamina nesse sistema de recompensa (ver

Capítulo 50).

 

Tabela 40.2 Presença dos receptores nicotínicos de

diferentes composições de subunidades em

regiões selecionadas do sistema nervoso

central.

 

Receptores nicotínicos

Região do

α7 α3β2 α3β4 α4β2 α4α5β α6β2β3 α6α4β2β3

encéfalo

Córtex + + +

Hipocampo + + + +

Estriado + + + +

Amígdala + +

Tálamo +

Hipotálamo + +

Substância negra + + + + +

Cerebelo + + + +

Medula espinal + + +

α7 também pode formar receptores heteroméricos com subunidades β2. Os nAChR que compreendem α2β2 e α3β3β4 são

encontrados em outras áreas do cérebro.

(Dados retirados de Gotti et al., 2008.)

 

Concluindo, tanto os receptores nicotínicos quanto os receptores

muscarínicos desempenham um papel no aprendizado e na memória,

enquanto os receptores nicotínicos também medeiam o alerta

comportamental. Sem esses receptores, os camundongos são

surpreendentemente pouco afetados, sugerindo que mecanismos

alternativos possam ser capazes de compensar a perda da sinalização dos

receptores de ACh.