Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 50 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Excitação

no citosol – se o ATP da célula se esgotar, como ocorre, por exemplo, na

hipoxia. Isso só ocorre em casos extremos, e a liberação de Ca2+

resultante contribui para a citotoxicidade associada a distúrbios

metabólicos graves. A morte celular resultante de isquemia cerebral ou

isquemia coronariana (ver Capítulos 22 e 41) envolve esse mecanismo,

além de outros que contribuem para o aumento excessivo de [Ca2+] i.

 

CALMODULINA

O cálcio controla as funções celulares graças à sua habilidade de regular a

atividade de diversas proteínas, incluindo enzimas (particularmente as

quinases e fosfatases), canais, transportadores, fatores de transcrição,

proteínas das vesículas sinápticas e muitas outras, seja por se ligar

diretamente a essas proteínas, seja por meio de uma proteína ligante de Ca2+

que atua como intermediária entre o Ca2+ e a proteína funcional que está

sendo regulada, sendo que a proteína ligante mais conhecida é a ubíqua

calmodulina. Esta regula pelo menos 40 proteínas funcionais diferentes –

um modulador realmente poderoso. A calmodulina é uma proteína em

forma de haltere com um domínio globular em ambas as extremidades, cada

uma com dois locais de ligação de Ca2+. Quando todos estão ocupados, a

proteína sofre uma alteração conformacional, expondo um domínio

hidrofóbico “aderente”, que atrai e mantém unidas muitas proteínas,

afetando, assim, suas propriedades funcionais.

 

EXCITAÇÃO

A palavra excitabilidade descreve a capacidade de uma célula apresentar

uma resposta elétrica regenerativa do tipo “tudo ou nada”, em resposta à

despolarização de sua membrana, conhecida como potencial de ação. É

característica da maioria dos neurônios e das células musculares (incluindo os músculos esquelético, cardíaco e liso) e de muitas células das glândulas

endócrinas. Nos neurônios e nas células musculares, a capacidade do

potencial de ação, depois de iniciado, de se propagar para todas as partes da

membrana celular e, geralmente, de se disseminar para as células vizinhas

explica a importância da excitação da membrana na sinalização intra e

intercelular. No sistema nervoso, e também no músculo esquelético, a

propagação do potencial de ação é o mecanismo responsável pela

comunicação por longas distâncias a uma grande velocidade, indispensável

para seres grandes que se movem rapidamente. Nos músculos cardíaco e

liso, assim como em alguns neurônios centrais, ocorre atividade espontânea

e rítmica. Nas células glandulares, o potencial de ação, onde ocorre,

amplifica o sinal que faz com que a célula secrete seu conteúdo. Em cada

tipo de tecido, as propriedades do processo de excitação refletem as

características especiais dos canais iônicos que são responsáveis pelo

processo. A natureza molecular dos canais iônicos e sua importância como

alvo de fármacos são abordadas no Capítulo 3; aqui, discutiremos os

processos celulares que dependem primariamente da função dos canais

iônicos. Para mais detalhes, ver Hille (2001).