Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 39 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Canais iônicos como alvos de fármacos

com uma

Fármacos

sequência

tireoide TR α,β T , T invertida ou 3 4 tireoide (ver Hormônio da hormônios da

simples

Capítulo 35)

repetida.

 

Proliferador Ácidos graxos, com PPAR α,β,γ,δ pioglitazona (ver peroxissoma Rosiglitazona, Complexados

prostaglandinas correpressores, Capítulo 32)

que são

 

Androstano Estimulação da deslocados CAR Androstano constitutivo síntese de CYP e após ligação

alteração do ao ligante, o

metabolismo do que permite a

Pregnano X PXR Xenobióticos ligação de fármaco (ver

Capítulo 10) coativadores

Apenas estão apresentados exemplos das classes I e II.

 

Essa apresentação apenas deve ser tida em conta como um guia geral da

ação dos NR, visto que foram descobertos muitos outros tipos de ação. Por

exemplo, alguns desses receptores podem provocar ações não genômicas – ou

até mesmo genômicas – ao interagirem diretamente com fatores no citosol, ou

podem ser modificados de forma covalente por fosforilação ou por proteínas

– a proteína interage com outros fatores de transcrição de tal forma que sua

função é alterada (Falkenstein et al., 2000).

A Tabela 3.4 resume as propriedades de alguns NR comuns e com

importância para os farmacologistas.

 

CANAIS IÔNICOS COMO ALVOS DE FÁRMACOS

Já foram discutidos os canais iônicos regulados por ligantes como um dos

quatro principais tipos de receptores de fármacos. Existem muitos outros

tipos de canais iônicos que representam importantes alvos de fármacos,

embora nem sempre sejam classificados como “receptores”, por não serem alvos imediatos de neurotransmissores rápidos, mas os fármacos podem

alterar sua capacidade de abrir e fechar.18

 

Receptores nucleares

 

• Uma família de 48 receptores solúveis que podem detectar lipídios e sinais hormonais, além

de modular a transcrição gênica

• Seus ligantes são muitos e variados, incluindo fármacos esteroides e hormonais, hormônios

da tireoide, vitaminas A e D, vários lipídios e xenobióticos

• Duas categorias principais:

– Os receptores nucleares (RN) de classe I estão presentes no citoplasma e formam

homodímeros na presença de seu ligante, migrando até o núcleo. Seus ligantes são

principalmente de natureza endócrina (p. ex., hormônios esteroides)

– Os RN de classe II estão, em geral, constitutivamente presentes no núcleo e formam

heterodímeros com o receptor retinoide X. Seus ligantes são, em geral, lipídios (p. ex.,

ácidos graxos)

• Os complexos receptores-ligantes iniciam mudanças na transcrição gênica ao se ligarem a

elementos da resposta hormonal em promotores de genes e recrutarem fatores de

coativação ou correpressão

• A família dos receptores é o alvo de cerca de 10% dos fármacos prescritos, e as enzimas que

regulam afetam a farmacocinética de aproximadamente 60% de todos os fármacos

prescritos.

 

A seguir, analisaremos a estrutura e a função dos canais iônicos em nível

molecular; seu papel como reguladores da função celular é descrito no

Capítulo 4.

Os íons são incapazes de penetrar na bicamada lipídica da membrana

celular, e só podem atravessá-la com a ajuda de proteínas transmembrana na

forma de canais ou transportadores. O conceito de canais iônicos foi

desenvolvido nos anos 1950, com base em estudos eletrofisiológicos sobre o

mecanismo de excitação da membrana (ver Capítulo 4). A eletrofisiologia,

em especial a técnica de clampeamento de voltagem (voltage clamp), ainda é

uma ferramenta essencial para o estudo das propriedades fisiológicas e

farmacológicas dos canais iônicos. Desde meados de 1980, quando os

primeiros canais iônicos foram clonados por Numa, no Japão, uma

colaboração altamente produtiva entre eletrofisiologistas e biologistas

moleculares revelou muitos detalhes sobre a estrutura e o funcionamento

dessas complexas moléculas. A utilização de registro patch clamp, que

permite o estudo do comportamento de canais individuais em tempo real,

vem sendo particularmente valiosa na distinção de canais com base em sua

condutância e características de controle. Relatos de Hille (2001), Ashcroft

(2000) e Catterall (2000) dão mais informações.

Canais iônicos consistem em moléculas proteicas organizadas para formar

poros contendo água que atravessam a membrana e podem alterar seu estado

entre aberto e fechado. A taxa de transferência e a direção do movimento de

íons através do poro são determinadas pelo gradiente eletroquímico para o

íon em questão, o que é função de sua concentração em ambos os lados da

membrana, e também do potencial da membrana. Canais iônicos são

caracterizados por:

 

• Sua seletividade por espécies particulares de íons, determinada pelo

tamanho do poro e a natureza de seu revestimento

• Suas propriedades de controle (i. e., a natureza do estímulo que controla a

transição entre os estados aberto e fechado do canal)

• Sua arquitetura molecular.