Rang e Dale: Farmacologia
Mecanismos neurais de dor
A dor é uma experiência subjetiva, difícil de definir exatamente, embora
todos saibam o que significa. Tipicamente, é a resposta direta a um evento
indesejável associado a lesão tecidual, como traumatismo, inflamação ou
câncer, mas a dor intensa pode originar-se independentemente de qualquer
causa predisponente óbvia (p. ex., neuralgia do trigêmeo) ou persistir por
muito tempo depois que a lesão precipitante esteja resolvida (p. ex., dor do
membro fantasma). Também pode ocorrer em consequência de lesão
cerebral ou de nervo (p. ex., após um acidente vascular encefálico [AVE] ou
uma infecção por herpes, e como consequência do diabetes ou da esclerose
múltipla). As afecções dolorosas do segundo tipo, não diretamente ligadas à
lesão tecidual, são geralmente descritas como “dores neuropáticas”. São
muito comuns e uma causa importante de incapacidade e angústia. Sua
causa é muitas vezes incerta e, em geral, respondem menos aos analgésicos
convencionais. Nesses casos, é necessário pensar na dor em termos de
alteração da função neural, e não simplesmente como resposta “normal” a
alguma lesão tecidual. A percepção de estímulos nocivos (denominada
nocicepção por Sherrington) não é igual à dor, que é uma experiência
subjetiva e inclui um forte componente emocional (afetivo), especialmente
em pessoas que sofrem dor crônica.
Embora a dor clínica seja geralmente categorizada como “aguda” e
“crônica”, estes termos são um pouco enganadores (p. ex., a dor que ocorre
com o câncer, embora descrita como aguda, pode ser experienciada por um
tempo considerável). A seguinte classificação mecanística é mais relevante
quando se consideram os fármacos analgésicos.
• Dor associada à patologia tecidual (p. ex., traumatismo, inflamação,
tumores)