Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 539 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mecanismos neurais de dor

A dor é uma experiência subjetiva, difícil de definir exatamente, embora

todos saibam o que significa. Tipicamente, é a resposta direta a um evento

indesejável associado a lesão tecidual, como traumatismo, inflamação ou

câncer, mas a dor intensa pode originar-se independentemente de qualquer

causa predisponente óbvia (p. ex., neuralgia do trigêmeo) ou persistir por

muito tempo depois que a lesão precipitante esteja resolvida (p. ex., dor do

membro fantasma). Também pode ocorrer em consequência de lesão

cerebral ou de nervo (p. ex., após um acidente vascular encefálico [AVE] ou

uma infecção por herpes, e como consequência do diabetes ou da esclerose

múltipla). As afecções dolorosas do segundo tipo, não diretamente ligadas à

lesão tecidual, são geralmente descritas como “dores neuropáticas”. São

muito comuns e uma causa importante de incapacidade e angústia. Sua

causa é muitas vezes incerta e, em geral, respondem menos aos analgésicos

convencionais. Nesses casos, é necessário pensar na dor em termos de

alteração da função neural, e não simplesmente como resposta “normal” a

alguma lesão tecidual. A percepção de estímulos nocivos (denominada

nocicepção por Sherrington) não é igual à dor, que é uma experiência

subjetiva e inclui um forte componente emocional (afetivo), especialmente

em pessoas que sofrem dor crônica.

Embora a dor clínica seja geralmente categorizada como “aguda” e

“crônica”, estes termos são um pouco enganadores (p. ex., a dor que ocorre

com o câncer, embora descrita como aguda, pode ser experienciada por um

tempo considerável). A seguinte classificação mecanística é mais relevante

quando se consideram os fármacos analgésicos.

• Dor associada à patologia tecidual (p. ex., traumatismo, inflamação,

tumores)