Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 560 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Efeito ansiolítico tardio dos ISRS e da buspirona

benzodiazepínicos, cujo uso primário é para tratar a ansiedade.

 

Classes de fármacos ansiolíticos

 

• Fármacos antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação de serotonina [ISRS],

inibidores da recaptação de serotonina/norepinefrina [ISRSN], antidepressivos tricíclicos e

inibidores da monoamina oxidase [IMAO] – ver Capítulo 48) são agentes ansiolíticos

e cazes

• Os benzodiazepínicos são utilizados para tratar ansiedade aguda e insônia

• A gabapentina e a pregabalina são fármacos com propriedades ansiolíticas

• A buspirona é um agonista do receptor 5-hidroxitriptamina (5-HT)1A com atividade

ansiolítica, mas tem pouco efeito sedativo

• Alguns agentes antipsicóticos (p. ex., quetiapina) podem ser úteis para tratar algumas

formas de ansiedade, mas têm efeitos adversos signi cativos

• Os antagonistas beta-adrenergicos (p. ex., propranolol) são utilizados principalmente

para reduzir os sintomas físicos da ansiedade (tremor, palpitações etc.); não têm efeito no

componente afetivo.

 

EFEITO ANSIOLÍTICO TARDIO DOS ISRS E DA BUSPIRONA

Os efeitos ansiolóticos dos ISRS (p. ex., escitalopram e sertralina) e da

buspirona não são imediatos, levando dias ou semanas para se desenvolver

após começar uma terapia farmacológica, sugerindo que sejam importantes

as respostas adaptativas aos efeitos iniciais desses fármacos que se

desenvolvem ao longo do tempo.

A buspirona é um agonista parcial dos receptores 5-HT1A (ver Capítulo

16) e também se liga a receptores dopaminérgicos, mas é provável que as ações relacionadas com os receptores 5-HT sejam mais importantes na

supressão da ansiedade, porque compostos experimentais relacionados (p.

ex., ipsapirona e gepirona), que são altamente específicos para os receptores

5-HT1A, mostram atividade ansiolítica semelhante em animais experimentais.

Os receptores 5-HT1A são expressos no corpo celular e em dendritos de neurônios que contêm receptores 5-HT, em que eles atuam como

autorreceptores inibitórios, assim como são expressos em outros tipos de

neurônios (p. ex., nos neurônios noradrenérgicos do locus coeruleus), em

que, com outros tipos de receptores 5 HT (ver Capítulo 40), eles medeiam

as ações pós-sinápticas da 5 HT. Os receptores 5-HT 1A pós-sinápticos são altamente expressos nos circuitos corticolímbicos implicados no

comportamento emocional. Uma teoria de como os ISRS e a buspirona

produzem o seu efeito ansiolítico retardado é que, ao longo do tempo, eles

induzem dessensibilização dos autorreceptores somatodendríticos 5-HT1A, resultando em aumento da excitação serotoninérgica dos neurônios e no

aumento da liberação de 5-HT (ver Capítulo 48, Figura 48.3). Isso também

pode explicar por que, precocemente no tratamento da ansiedade, pode

ocorrer agravamento por esses fármacos devido à ativação inicial dos

autorreceptores 5-HT1A e inibição da liberação de 5-HT. Essa teoria de

dessensibilização poderia predizer por que um antagonista 5-HT 1A que

bloquearia a ação do 5-HT nos autorreceptores 5-HT 1 , e assim aumentaria rapidamente a liberação de 5-HT, poderia ser ansiolítico sem o início de

ação retardado. Foram desenvolvidos fármacos combinados antagonistas 5-

HTA 1A com propriedades dos ISRS, mas não se mostraram eficazes nos seres humanos, porque eles bloqueiam os autorreceptores e os receptores

pós-sinápticos, o último efeito contribuindo para bloquear o efeito benéfico

do primeiro. Níveis elevados de 5-HT também induzem adaptações pós-sinápticas. Os receptores 5-HT2 também foram implicados, cuja infrarregulação pode ter uma ação ansiolítica importante. Os fármacos

antagonistas dos receptores 5-HT2 e 5.HT3 estão sendo submetidos a ensaios clínicos para tratar a ansiedade.

A buspirona inibe a atividade dos neurônios noradrenérgicos do locus

coeruleus (ver Capítulo 40) e assim interfere nas reações de excitação. Tem

efeitos secundários muito diferentes dos efeitos dos benzodiazepínicos. Não

causa sedação nem incoordenação motora, não foram relatados efeitos de

tolerância nem efeitos de privação. Os seus principais efeitos adversos são

náuseas, tonturas, cefaleias e inquietação, geralmente sendo menos

incômodos que os efeitos secundários dos benzodiazepínicos. A buspirona

não apresenta efeito de síndrome de privação dos benzodiazepínicos (p.

576), presumivelmente porque ela age por meio de um mecanismo

diferente. Assim, ao mudar do tratamento de um benzodiazepínico para o

tratamento com buspirona, a dose de benzodiazepínico deve ser reduzida

gradualmente.