Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 677 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Inibidores da transcriptase reversa

(CCR5)

Sem atividade antiviral, mas prolonga a ação

Cobicistate Estimulador farmacocinético

do atazanavir e do darunavir

Estes fármacos são, por vezes, administrados isoladamente, sendo a maior parte administrada em combinações que podem ser

alteradas para evitar problemas de toxicidade, ou se o tratamento for interrompido ou falhar.

GI, gastrintestinal; PD, profármaco; EA, efeitos adversos.

(Dados de várias fontes, incluindo BNF 2017.)

 

INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA

Estes incluem análogos de nucleosídios ou de nucleotídios, exemplificados

pela zidovudina e pelo tenofovir, respectivamente. Os nucleosídios são

primeiro fosforilados nos nucleotídios correspondentes e podem, então,

atuar como falsos substratos, sendo posteriormente fosforilados novamente

pelas enzimas da célula hospedeira e incorporados na cadeia de DNA

crescente, mas causando a terminação da cadeia. A γ-DNA-polimerase na

mitocôndria das células do hospedeiro também é suscetível à inibição por

esses agentes. A α-DNA-polimerase dos mamíferos é relativamente

resistente, mas alguns efeitos podem ser observados em doses elevadas, e a

inibição das enzimas da polimerase do hospedeiro pode ser a base de alguns

efeitos indesejados. A principal utilidade desses fármacos é o tratamento do

HIV, porém vários também oferecem atividade útil contra outros vírus (p.

ex., hepatite B, que, embora não seja um retrovírus, utiliza uma

transcriptase reversa para sua replicação).

 

■ Zidovudina

A zidovudina (ou azidotimidina [AZT]) foi o primeiro fármaco

introduzido para o tratamento de infecções pelo HIV e, ainda hoje, é importante na terapia. Ela pode prolongar a vida dos indivíduos infectados

com HIV e diminuir a demência associada a essa doença. Administrada

durante a gravidez e depois ao bebê recém-nascido, pode reduzir a

transmissão mãe-bebê em mais de 20% dos casos. Em geral, a zidovudina é

administrada oralmente, 2 a 3 vezes/dia, mas também pode ser administrada

por infusão intravenosa. Sua meia-vida é de 1 hora, mas a meia-vida

intracelular do trisfosfato ativo é de 3 horas. A concentração no líquido

cefalorraquidiano (LCR) é de 65% do nível plasmático. A maior parte do

fármaco é metabolizada em glicuronídio inativo no fígado, sendo apenas

20% da forma ativa eliminada na urina.

Em virtude de sua rápida mutação, o vírus é um alvo constantemente em

movimento e a resistência se desenvolve com o uso a longo prazo de

zidovudina, particularmente na doença em estágio final. Além disso, as

cepas resistentes podem ser transferidas entre indivíduos. Outros fatores

subordinados à perda de eficácia do fármaco são a diminuição da ativação

da zidovudina para o trisfosfato e o aumento da carga viral enquanto a

redução da resposta imunológica do hospedeiro diminui.

Os efeitos adversos incluem alterações GI (p. ex., náuseas, êmese, dor

abdominal), alterações sanguíneas (algumas vezes, anemia ou neutropenia)

e efeitos sobre o sistema nervoso central (SNC) (p. ex., insônia, tontura,

cefaleia), assim como o risco de acidose láctica (possivelmente secundária à

toxicidade mitocondrial) em alguns pacientes. Todos esses efeitos são

compartilhados por esse grupo inteiro de fármacos, em maior ou menor

amplitude.

Atualmente, outros fármacos antivirais desse grupo já estão aprovados,

incluindo abacavir, adefovir dipivoxila, didanosina, entricitabina,

entecavir, lamivudina, estavudina, telbivudina e tenofovir, que são

usados para a hepatite B e para tratamento.