Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 699 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Outras infecções causadas por protozoários e fármacos utilizados em seu tratamento

mas são prontamente revertidos quando o tratamento é interrompido. A

terapia combinada com nifurtimox e eflornitina originou resultados

promissores em pacientes com doença em estágio avançado.

Há urgente necessidade de novos agentes para tratar algumas infecções

causadas por tripanossomas, em parte, em virtude da toxicidade dos

fármacos existentes e, em parte, por conta do desenvolvimento de

resistência aos fármacos. Há algum motivo para otimismo, e novos agentes,

bem como novas modalidades de tratamento, estão sob investigação

(Barrett, 2010; Brun et al., 2011).

 

OUTRAS INFECÇÕES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS E FÁRMACOS UTILIZADOS EM SEU TRATAMENTO

 

LEISHMANIOSE

Os microrganismos Leishmania são protozoários flagelados, e a

leishmaniose, a infecção por eles causada, é transmitida pelo flebotomíneo.

De acordo com a OMS (referente a 2017), entre 0,7 e 1,3 milhão de novos

casos e 20.000 a 30.000 mortes são registrados a cada ano. Com o aumento

das viagens internacionais, a leishmaniose vem sendo importada para novas

áreas, e infecções oportunistas têm sido relatadas (particularmente em

pacientes com AIDS).

▼ O vetor é o flebotomíneo-fêmea. O parasito existe em uma forma

flagelada (promastigota) no intestino do inseto infectado, e na forma

intracelular não flagelada (amastigota) nos fagócitos mononucleares do

hospedeiro mamífero infectado. Nessas células, o parasito desenvolve-

se em fagolisossomas modificados. Promovem uma série de

contramedidas (Singh et al., 2012), favorecem a geração de citocinas

Th2 e subvertem os sistemas microbicidas do macrófago, de modo a A Giardia lamblia coloniza o trato GI superior em sua forma trofozoítica, e

assegurar sua sobrevivência. Os amastigotas se multiplicam e,

eventualmente, a célula infectada libera uma nova geração de parasitos

no sistema hemolinfático, onde podem infectar mais macrófagos e,

possivelmente, outras células.

Existem diferentes espécies de Leishmania em distintas áreas

geográficas, provocando manifestações clínicas diversas (ver Tabela

55.1). As apresentações típicas incluem:

• A forma cutânea, que se apresenta como uma ferida desagradável (“chaga oriental”, “úlcera

de Chiclero” e outros nomes) e pode curar-se espontaneamente, embora, eventualmente, deixe cicatriz. Essa é a forma mais comum, sendo encontrada no continente americano, em alguns países do Mediterrâneo e em determinadas zonas da Ásia Central

• Uma forma mucocutânea (“espúndia” e outros nomes), que se apresenta como grandes

úlceras das membranas mucosas da boca, do nariz e da garganta; a maioria dos casos é vista na América do Sul

• Uma forma visceral grave (“calazar” e outros nomes), em que o parasito se dissemina na

corrente sanguínea, provocando hepatomegalia, esplenomegalia, anemia e febre intermitente. Essa manifestação é encontrada principalmente no subcontinente indiano e na África Ocidental.

Os principais medicamentos utilizados na leishmaniose visceral são

compostos de antimônio pentavalente, como estibogliconato de sódio e

pentamidina, bem como anfotericina (ver Capítulo 54), que, por vezes, é

usada como tratamento de seguimento. A miltefosina, um fármaco

antitumoral, também é usada em alguns países (não no Reino Unido), assim

como o antimoniato de meglumina.

O estibogliconato de sódio é administrado por via intramuscular ou

intravenosa lenta por um período de 10 dias. É rapidamente eliminado na

urina, sendo 70% excretados em 6 horas. Pode ser necessária mais de uma

sequência de tratamento. O mecanismo de ação do estibogliconato de sódio

não está esclarecido, porém o fármaco pode acentuar a produção de radicais

livres de oxigênio tóxicos no parasito.