Rang e Dale: Farmacologia
Outras infecções causadas por protozoários e fármacos utilizados em seu tratamento
mas são prontamente revertidos quando o tratamento é interrompido. A
terapia combinada com nifurtimox e eflornitina originou resultados
promissores em pacientes com doença em estágio avançado.
Há urgente necessidade de novos agentes para tratar algumas infecções
causadas por tripanossomas, em parte, em virtude da toxicidade dos
fármacos existentes e, em parte, por conta do desenvolvimento de
resistência aos fármacos. Há algum motivo para otimismo, e novos agentes,
bem como novas modalidades de tratamento, estão sob investigação
(Barrett, 2010; Brun et al., 2011).
OUTRAS INFECÇÕES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS E FÁRMACOS UTILIZADOS EM SEU TRATAMENTO
LEISHMANIOSE
Os microrganismos Leishmania são protozoários flagelados, e a
leishmaniose, a infecção por eles causada, é transmitida pelo flebotomíneo.
De acordo com a OMS (referente a 2017), entre 0,7 e 1,3 milhão de novos
casos e 20.000 a 30.000 mortes são registrados a cada ano. Com o aumento
das viagens internacionais, a leishmaniose vem sendo importada para novas
áreas, e infecções oportunistas têm sido relatadas (particularmente em
pacientes com AIDS).
▼ O vetor é o flebotomíneo-fêmea. O parasito existe em uma forma
flagelada (promastigota) no intestino do inseto infectado, e na forma
intracelular não flagelada (amastigota) nos fagócitos mononucleares do
hospedeiro mamífero infectado. Nessas células, o parasito desenvolve-
se em fagolisossomas modificados. Promovem uma série de
contramedidas (Singh et al., 2012), favorecem a geração de citocinas
Th2 e subvertem os sistemas microbicidas do macrófago, de modo a A Giardia lamblia coloniza o trato GI superior em sua forma trofozoítica, e
assegurar sua sobrevivência. Os amastigotas se multiplicam e,
eventualmente, a célula infectada libera uma nova geração de parasitos
no sistema hemolinfático, onde podem infectar mais macrófagos e,
possivelmente, outras células.
Existem diferentes espécies de Leishmania em distintas áreas
geográficas, provocando manifestações clínicas diversas (ver Tabela
55.1). As apresentações típicas incluem:
• A forma cutânea, que se apresenta como uma ferida desagradável (“chaga oriental”, “úlcera
de Chiclero” e outros nomes) e pode curar-se espontaneamente, embora, eventualmente, deixe cicatriz. Essa é a forma mais comum, sendo encontrada no continente americano, em alguns países do Mediterrâneo e em determinadas zonas da Ásia Central
• Uma forma mucocutânea (“espúndia” e outros nomes), que se apresenta como grandes
úlceras das membranas mucosas da boca, do nariz e da garganta; a maioria dos casos é vista na América do Sul
• Uma forma visceral grave (“calazar” e outros nomes), em que o parasito se dissemina na
corrente sanguínea, provocando hepatomegalia, esplenomegalia, anemia e febre intermitente. Essa manifestação é encontrada principalmente no subcontinente indiano e na África Ocidental.
Os principais medicamentos utilizados na leishmaniose visceral são
compostos de antimônio pentavalente, como estibogliconato de sódio e
pentamidina, bem como anfotericina (ver Capítulo 54), que, por vezes, é
usada como tratamento de seguimento. A miltefosina, um fármaco
antitumoral, também é usada em alguns países (não no Reino Unido), assim
como o antimoniato de meglumina.
O estibogliconato de sódio é administrado por via intramuscular ou
intravenosa lenta por um período de 10 dias. É rapidamente eliminado na
urina, sendo 70% excretados em 6 horas. Pode ser necessária mais de uma
sequência de tratamento. O mecanismo de ação do estibogliconato de sódio
não está esclarecido, porém o fármaco pode acentuar a produção de radicais
livres de oxigênio tóxicos no parasito.