Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 362 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos que alteram a eliminação de moléculas orgânicas

O metabolismo e a eliminação de ácido úrico são relevantes no tratamento e

na prevenção da gota (ver Capítulo 27); apenas alguns aspectos de sua

eliminação são aqui considerados. A concentração normal de urato no

plasma é de aproximadamente 0,24 mmol/ ℓ . Concentrações mais altas

predispõem ao desenvolvimento de gota (ver Capítulo 27).

O ácido úrico é derivado do catabolismo das purinas e está presente, no

plasma, principalmente na forma de urato ionizado. Em humanos, passa

livremente para o filtrado glomerular, e a maior parte é então reabsorvida no

túbulo proximal, enquanto uma pequena quantidade é secretada para o

túbulo pelo mecanismo de secreção de ânions. O resultado final é a

eliminação de aproximadamente 8 a 12% do urato filtrado. O mecanismo

secretor, em geral, é inibido por baixas dosagens de fármacos que afetam o

transporte de ácido úrico (ver adiante), enquanto são necessárias doses mais

altas para bloquear a reabsorção. Tais fármacos, portanto, tendem a causar

retenção de ácido úrico em doses baixas, enquanto promovem sua

eliminação em dosagens mais altas. Os fármacos que aumentam a

eliminação de uratos (agentes uricosúricos, como a probenecida e a

sulfimpirazona) podem ser úteis em tais pacientes, embora tenham sido

amplamente suplantados pelo alopurinol, que inibe a síntese de uratos (ver

Capítulo 27).

A probenecida inibe o transportador de ânions responsável pela

reabsorção de uratos no túbulo proximal e aumenta sua excreção. Esse

fármaco apresenta efeito oposto sobre a penicilina, isto é, inibe a secreção

desta última nos túbulos e eleva sua concentração plasmática. Quando

administrada por via oral, a probenecida é bem absorvida no trato

gastrintestinal; suas concentrações plasmáticas máximas são alcançadas em aproximadamente 3 h. Cerca de 90% do fármaco ligam-se à albumina