Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos que alteram a eliminação de moléculas orgânicas
O metabolismo e a eliminação de ácido úrico são relevantes no tratamento e
na prevenção da gota (ver Capítulo 27); apenas alguns aspectos de sua
eliminação são aqui considerados. A concentração normal de urato no
plasma é de aproximadamente 0,24 mmol/ ℓ . Concentrações mais altas
predispõem ao desenvolvimento de gota (ver Capítulo 27).
O ácido úrico é derivado do catabolismo das purinas e está presente, no
plasma, principalmente na forma de urato ionizado. Em humanos, passa
livremente para o filtrado glomerular, e a maior parte é então reabsorvida no
túbulo proximal, enquanto uma pequena quantidade é secretada para o
túbulo pelo mecanismo de secreção de ânions. O resultado final é a
eliminação de aproximadamente 8 a 12% do urato filtrado. O mecanismo
secretor, em geral, é inibido por baixas dosagens de fármacos que afetam o
transporte de ácido úrico (ver adiante), enquanto são necessárias doses mais
altas para bloquear a reabsorção. Tais fármacos, portanto, tendem a causar
retenção de ácido úrico em doses baixas, enquanto promovem sua
eliminação em dosagens mais altas. Os fármacos que aumentam a
eliminação de uratos (agentes uricosúricos, como a probenecida e a
sulfimpirazona) podem ser úteis em tais pacientes, embora tenham sido
amplamente suplantados pelo alopurinol, que inibe a síntese de uratos (ver
Capítulo 27).
A probenecida inibe o transportador de ânions responsável pela
reabsorção de uratos no túbulo proximal e aumenta sua excreção. Esse
fármaco apresenta efeito oposto sobre a penicilina, isto é, inibe a secreção
desta última nos túbulos e eleva sua concentração plasmática. Quando
administrada por via oral, a probenecida é bem absorvida no trato
gastrintestinal; suas concentrações plasmáticas máximas são alcançadas em aproximadamente 3 h. Cerca de 90% do fármaco ligam-se à albumina