Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 84 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Perspectivas terapêuticas

diabetes melito tipo 1 (ver Capítulo 32; Voltarelli et al., 2007).

 

PERSPECTIVAS TERAPÊUTICAS

Teoricamente, todos os processos descritos neste capítulo poderiam

constituir alvos úteis para o desenvolvimento de novos medicamentos. A

seguir, apresentamos uma lista das abordagens que são ou podem vir a ser

promissoras.

 

MECANISMOS APOPTÓTICOS

Os compostos que podem alterar a apoptose estão sendo intensamente

investigados (Melnikova e Golden, 2004; MacFarlane, 2009). Podemos

apenas esboçar algumas das abordagens mais importantes.

Os fármacos que promovem apoptose por mecanismos diversos foram

anunciados como uma nova estratégia em potencial para o tratamento do

câncer, e estão sendo ativamente estudados, embora, até então, nenhum

deles tenha sido aprovado para uso clínico. As abordagens terapêuticas pró-

apoptóticas potenciais precisam ter como alvo preciso o tecido lesado, a fim

de evitar os riscos óbvios de lesar outros tecidos. Os exemplos incluem:

 

• Um composto antissenso contra Bcl-2 (oblimersen) está sendo testado

para tratamento de leucemia linfocítica crônica

• Obatoclax e Navitoclax – pequenas moléculas inibidoras da ação de

Bcl-2 – estão sendo testados para o tratamento de doenças

hematológicas malignas. Para mais detalhes, ver MacFarlane (2009)

• A tecnologia de microRNA também poderia ser utilizada para promover

apoptose (ver Figura 6.5)

• Anticorpos agonistas monoclonais para o ligante do receptor de morte

TRAIL (p. ex., lexatumumabe) se encontram em ensaios clínicos para

o tratamento contra tumores sólidos e linfomas (MacFarlane, 2009)

• Um fármaco inibidor de proteossomo, o bortezomibe, está disponível

para o tratamento de alguns tipos selecionados de câncer. Esse fármaco

causa acúmulo de Bax, uma proteína promotora de apoptose da família

da Bcl-2 que atua inibindo a Bcl-2 antiapoptótica. O bortezomibe atua,

em parte, inibindo a ação do NF- B (ver Capítulo 3)

• Um dos genes mais específicos de câncer codifica um inibidor de

caspase endógeno, a survivina. Esta ocorre em concentrações elevadas

em certos tumores e, por isso, encontra-se, em ensaios clínicos

(Giaccone e Rajan, 2009), uma pequena molécula supressora da

survivina, com o objetivo de induzir o suicídio da célula cancerosa.

 

A inibição da apoptose pode prevenir ou tratar uma vasta gama de doenças

degenerativas. Infelizmente, até o momento, o sucesso do desenvolvimento

desses inibidores para uso clínico tem se mostrado ilusório, e vários se

mostraram ineficazes. Atualmente, as áreas de interesse incluem:

 

• O bloqueio do receptor de morte PD-1 por um anticorpo (como o

nivolumabe) é um novo caminho potencialmente promissor para o

tratamento das infecções causadas pelo HIV, pelos vírus da hepatite B e

da hepatite C, assim como de outras infecções crônicas e alguns

cânceres que expressam o ligante de PD-1 (Trivedi et al., 2015)

• Alguns inibidores de caspases estão sob investigação para o tratamento

de infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, doenças

hepáticas, transplante de órgãos e sepse. A enricasana está sendo

testada em pacientes que necessitam de transplante de fígado ANGIOGÊNESE E METALOPROTEINASES