Rang e Dale: Farmacologia
Movimento das moléculas de fármacos através das barreiras celulares
peso molecular. Consequentemente, enquanto moléculas grandes se
difundem mais lentamente que as pequenas, a variação com o peso
molecular é pouco significativa. Os fármacos clássicos com “molécula
pequena” apresentam um peso molecular entre 200 e 1.000 Da, sendo que
as variações na velocidade de difusão aquosa apresentam apenas um
pequeno efeito no seu comportamento farmacocinético global. Por outro
lado, os medicamentos biofarmacêuticos são, normalmente, moléculas
muito maiores (ver Capítulo 5). Assim, o peso molecular de um anticorpo
monoclonal é de cerca de 150 kDa e o de um pequeno RNA de
interferência, de 7,5 kDa. Assim, a difusão pode ser uma importante
limitação à velocidade de início de ação dos medicamentos
biofarmacêuticos.
Para fármacos de moléculas pequenas, podemos considerar o corpo
como uma série de compartimentos interligados, bem misturados, dentro
dos quais a concentração dos fármacos é uniforme. É o movimento entre os
compartimentos, geralmente envolvendo a passagem por barreiras não
aquosas, que determina onde e por quanto tempo um fármaco estará
presente no organismo depois de administrado. O Capítulo 11 discute a
análise do movimento de um fármaco com o auxílio de um modelo
compartimental simples.
MOVIMENTO DAS MOLÉCULAS DE FÁRMACOS
ATRAVÉS DAS BARREIRAS CELULARES
As membranas celulares formam as barreiras entre os compartimentos
aquosos do organismo. Uma única camada de membrana separa os
compartimentos intracelular e extracelular. Uma barreira epitelial, como a
mucosa gastrintestinal ou o túbulo renal, consiste em uma camada de células estreitamente conectadas, de modo que as moléculas devem
atravessar pelo menos duas membranas celulares (a interna e a externa) para
passar de um lado para o outro. A disposição anatômica e a permeabilidade
do endotélio vascular (a camada celular que separa os compartimentos intra
e extravascular) variam entre tecidos. As fendas entre as células endoteliais
estão preenchidas com matriz proteica frouxa que atua como um filtro,
retendo moléculas grandes e possibilitando a passagem de moléculas
menores. O limite do tamanho molecular não é exato: a água é transferida
rapidamente, enquanto moléculas de 80.000 a 100.000 Da são transferidas
muito lentamente. Em algumas regiões, especialmente na barreira
hematencefálica (p. 129) do sistema nervoso central (SNC) e na placenta,
existem junções oclusivas entre as células, e o endotélio está envolto por
uma camada impermeável de células periendoteliais (pericitos). Essas
características evitam que moléculas potencialmente perigosas penetrem no
cérebro ou no feto, e têm consequências importantes para a distribuição e a
atividade dos fármacos.
Em outros órgãos (p. ex., fígado e baço), o endotélio não é contínuo, o
que torna possível livre passagem entre as células. No fígado, os
hepatócitos formam a barreira entre os compartimentos intra e extravascular
e assumem diversas funções das células endoteliais. As glândulas
endócrinas contêm um endotélio fenestrado que facilita a transferência de
hormônios e outras moléculas para a corrente sanguínea através de poros no
endotélio. A formação do endotélio fenestrado é controlada pelo específico
fator de crescimento endotelial vascular derivado de glândula endócrina
(EG-VEGF; do inglês, endocrine gland-derived vascular endothelial
growth factor). As células endoteliais que revestem as vênulas pós-capilares
apresentam funções especializadas relacionadas com a migração de
leucócitos e inflamação, e a sofisticação da junção intercelular pode ser apreciada pelo fato de que a migração leucocitária pode ocorrer sem
qualquer extravasamento detectável de água ou pequenos íons (ver Capítulo
7).
As moléculas pequenas atravessam as membranas celulares de quatro
maneiras principais (Figura 9.1):
• Por difusão direta através dos lipídios
• Combinando-se com um transportador de soluto (SLC; do inglês,
solute carrier) ou outro transportador de membrana
• Por difusão através de poros aquosos formados por glicoproteínas de
membrana especiais (aquaporinas) que atravessam os lipídios
• Por pinocitose.
Dessas vias, a difusão através de lipídios e o transporte mediado por
transportadores são particularmente importantes com relação aos
mecanismos farmacocinéticos.
▼ A difusão através das aquaporinas é provavelmente importante na
transferência de gases, como o dióxido de carbono, mas os poros têm
um diâmetro muito pequeno (em torno de 0,4 nm) para possibilitar a
passagem da maioria das moléculas de fármacos (que geralmente
excedem 1 nm de diâmetro). Consequentemente, a distribuição dos
fármacos não é apreciavelmente anormal em pacientes com doenças
genéticas que afetam as aquaporinas. A pinocitose envolve a
invaginação de parte da membrana celular e a captação, dentro da
célula, de uma pequena vesícula contendo constituintes extracelulares.
O conteúdo da vesícula pode, então, ser liberado dentro da célula ou
extruído no outro lado desta. Esse mecanismo parece ser importante
para o transporte de algumas macromoléculas (p. ex., a insulina, que
cruza a barreira hematencefálica por esse processo), mas não para
moléculas pequenas.
Difusão lipídica
As moléculas apolares (nas quais os elétrons estão distribuídos
uniformemente) dissolvem-se livremente na camada lipídica da membrana,
difundindo-se prontamente através das membranas celulares. O número de
moléculas que atravessam a membrana por unidade de área na unidade de
tempo é determinado pelo coeficiente de permeabilidade, P, e pela
diferença de concentração nos dois lados da membrana. As moléculas
permeantes devem estar presentes em número suficiente na membrana e ser
móveis dentro dela para que ocorra uma passagem rápida. Assim, dois
fatores físico-químicos contribuem para P, quais sejam, a solubilidade na
membrana (que pode ser expressa como o coeficiente de partição para a
substância distribuída entre a fase da membrana e o ambiente aquoso) e a
difusibilidade, que é a medida da mobilidade das moléculas na camada
lipídica, sendo expressa como um coeficiente de difusão. O coeficiente de
difusão varia muito pouco entre os fármacos convencionais, como referido
anteriormente e, por isso, a variável mais importante de permeabilidade
membranar para fármacos de baixo peso molecular é o coeficiente de
partição (Figura 9.2). Muitas características farmacocinéticas de um
fármaco – como a velocidade de absorção pelo intestino, a penetração em
diferentes tecidos e a extensão da eliminação renal – podem ser previstas
por meio do conhecimento da sua solubilidade lipídica.
Figura 9.1 Vias pelas quais os solutos podem atravessar as membranas celulares.
(As moléculas também podem cruzar barreiras celulares por pinocitose.)
Captura iônica
A ionização e a permeabilidade membranar afetam não só a velocidade na
qual os fármacos atravessam a membrana, mas também a distribuição em
fase de equilíbrio das moléculas de fármacos entre os compartimentos
aquosos. As moléculas lipossolúveis difundem-se para dentro das células,
onde são metabolizadas (p. ex., por esterases). Estas podem liberar um
importante metabólito funcional carregado (e logo impermeável), que fica,
consequentemente, preso dentro da célula. Isso tem sido explorado de
forma extensa, especialmente para provar a função de mediadores
intracelulares como o Ca2+ utilizando indicadores fluorescentes como fura-
2, que é carregado dentro das células como um éster não carregado e preso
na forma carregada (ver, p. ex., Figura 4.2). A mesma abordagem foi
utilizada recentemente por químicos farmacêuticos que procuram direcionar
os fármacos para alvos intracelulares de ação (vários dos quais em
desenvolvimento), dentro de monócitos e macrófagos, utilizando motivos
químicos sensíveis a esterases, conjugados com um fármaco como um
inibidor de histona deacetilase (ver Capítulo 29). Esta produz um
profármaco (ver, p. 131) que transporta o fármaco para dentro das células
da linhagem macrófago/monócito, que expressam seletivamente a
carboxilesterase-1 humana, ficando o fármaco carregado preso no
citoplasma monocítico, que é o seu local de ação (Needham et al., 2011).
Figura 9.2 A importância da lipossolubilidade na permeação de membranas. A e B. As figuras mostram o perfil de concentração em uma membrana lipídica que separa dois compartimentos aquosos. Um fármaco lipossolúvel (A) está sujeito a um gradiente de concentração transmembrana ( △ C ) muito maior que um fármaco que não é lipossolúvel m
(B). Consequentemente, ele se difunde mais rapidamente, apesar de o gradiente de concentração aquoso (C – C ) ser o mesmo em ambos os casos. 1 2
■ pH e ionização
Um fator complicador importante com relação à permeação da membrana é
o fato de que muitos fármacos são ácidos ou bases fracas, existindo,
portanto, tanto na forma não ionizada quanto na ionizada; a razão entre as
duas formas varia com o pH. Para uma base fraca, B, a reação de ionização
é:
e a constante de dissociação pK é dada pela equação de Henderson-a Hasselbalch
Para um ácido fraco, AH:
Em ambos os casos, a espécie ionizada, BH+ ou A−, apresenta solubilidade
lipídica muito baixa, sendo virtualmente incapaz de difundir-se através de
membranas, exceto onde exista um mecanismo específico de transporte. A lipossolubilidade de uma espécie sem carga, B ou AH, depende da natureza
química do fármaco; para muitos fármacos, a espécie sem carga é
suficientemente lipossolúvel para permitir uma rápida difusão através da
membrana, mas existem exceções (p. ex., antibióticos aminoglicosídios; ver
Capítulo 52) em que mesmo a molécula sem carga é insuficientemente
lipossolúvel, não apresentando difusão de monta. Em geral, isso se deve aos
grupos ligantes de hidrogênio (como as hidroxilas do componente açúcar
dos aminoglicosídios) que fazem com que a molécula sem carga fique
hidrofílica.
■ Partição pelo pH e aprisionamento iônico
Se existir uma diferença de pH entre os compartimentos corporais, tal pode
alterar a distribuição, em fase de equilíbrio, dos fármacos que são ácidos ou
tenham bases fracas, mediante na sua ionização. A Figura 9.3 mostra como
um ácido fraco (p. ex., ácido acetilsalicílico, pKa de 3,5) e uma base fraca
(p. ex., petidina, pKa de 8,6) estariam distribuídos, no equilíbrio, entre três compartimentos do organismo, quais sejam: plasma (pH de 7,4), urina
alcalina (pH de 8) e suco gástrico (pH de 3). Em cada compartimento, a
razão entre as formas ionizada e não ionizada de um fármaco é determinada
pelo seu pKa e o pH do compartimento. Presume-se que a forma não ionizada possa atravessar a membrana e, consequentemente, alcançar
concentrações iguais em cada compartimento, e que a forma ionizada não
consiga atravessá-la. O resultado é que, no equilíbrio, a concentração total
(ionizada + não ionizada) do fármaco será diferente em cada
compartimento, com um fármaco ácido sendo concentrado no
compartimento com um pH alto (“aprisionamento iônico”) e vice-versa. Os
gradientes de concentração produzidos pelo aprisionamento iônico podem,
em teoria, ser muito grandes se houver significativa diferença de pH entre os compartimentos. Assim, o ácido acetilsalicílico apresentaria
concentração quatro vezes maior no túbulo renal alcalino que no plasma, e
cerca de 6.000 vezes maior no plasma em relação ao meio ácido do
estômago. No entanto, é improvável que, na realidade, gradientes tão
grandes sejam alcançados, sendo duas as razões: em primeiro lugar, a
presunção de impermeabilidade total das formas polares não é realista, e até
mesmo uma pequena permeabilidade atenuaria consideravelmente a
diferença de concentração que pode ser alcançada; em segundo lugar, os
compartimentos do organismo raramente chegam ao equilíbrio. Nem o
conteúdo gástrico nem o líquido tubular renal ficam estáticos, e o fluxo de
moléculas de fármacos resultante reduz os gradientes de concentração bem
abaixo das condições teóricas de equilíbrio. Contudo, o mecanismo de
partição pelo pH explica corretamente alguns dos efeitos qualitativos das
alterações de pH em diferentes compartimentos do organismo sobre a
farmacocinética de fármacos que são ácidos fracos ou bases fracas,
especialmente com relação à eliminação renal e à penetração pela barreira
hematencefálica.
A partição pelo pH não é o principal determinante do local de absorção
de fármacos no trato gastrintestinal. Isso ocorre em virtude da enorme área
de absorção das vilosidades e microvilosidades do íleo, comparada com a
área de absorção do estômago, que é muito menor, diminuindo, assim, sua
importância. Desse modo, a absorção de um fármaco ácido, como o ácido
acetilsalicílico, é aumentada por fármacos que aceleram o esvaziamento
gástrico (p. ex., metoclopramida) e retardada por fármacos que o reduzem
(p. ex., a propantelina), apesar de o pH ácido do estômago favorecer a
absorção de ácidos fracos. A Figura 9.4 mostra valores de pKa de alguns fármacos comuns.
A partição pelo pH tem várias consequências importantes:
• O aprisionamento da base livre de alguns fármacos antimaláricos (p.
ex., cloroquina, ver Capítulo 55) no ambiente ácido do vacúolo
alimentar do parasito da malária contribui para a interrupção da via de
digestão da hemoglobina que é a base do seu efeito tóxico sobre o
parasito
• A acidificação da urina acelera a eliminação de bases fracas e retarda a
de ácidos fracos (ver Capítulo 10)
• A alcalinização da urina tem o efeito oposto: reduz a eliminação de
bases fracas e aumenta a de ácidos fracos
• O aumento do pH do plasma (p. ex., pela administração de bicarbonato
de sódio) faz com que ácidos fracos sejam extraídos do SNC para o
plasma. O oposto é verdadeiro, ou seja, a redução do pH do plasma (p.
ex., pela administração de um inibidor da anidrase carbônica, como a
acetazolamida, ver Capítulo 30) faz com que ácidos fracos sejam
concentrados no SNC, potencialmente aumentando sua neurotoxicidade.
Esse conhecimento tem consequências práticas na escolha do método de
alcalinização da urina para o tratamento de uma superdosagem de ácido
acetilsalicílico: o bicarbonato e a acetazolamida aumentam o pH
urinário e, portanto, facilitam a eliminação dos salicilatos. Por outro
lado, o bicarbonato reduz a distribuição de salicilatos no SNC, enquanto
a acetazolamida a aumenta.
Figura 9.3 Partição teórica de um ácido fraco (ácido acetilsalicílico) e uma base
fraca (petidina) entre compartimentos aquosos (urina, plasma e suco gástrico) de acordo com a diferença de pH entre eles. Os números representam concentrações relativas (concentração plasmática total = 100). Presume-se que a forma não carregada em cada caso possa atravessar a barreira celular que separa os compartimentos, atingindo, assim, a mesma concentração em todos os três. Variações na ionização fracional em função do pH dão origem a grandes diferenças na concentração total em relação ao plasma.
Transporte mediado por transportadores
Muitas membranas celulares apresentam mecanismos especializados de
transporte que regulam a entrada e a saída de moléculas fisiologicamente
importantes, tais como açúcares, aminoácidos, neurotransmissores e íons
metálicos. São divididos de modo amplo em transportadores SLC e
transportadores cassetes de ligação ao ATP (ABC; do inglês, ATP-binding
cassette). Os primeiros facilitam a movimentação passiva de solutos a favor
de seu gradiente eletroquímico, enquanto os últimos são bombas ativas
movidas por ATP. Acredita-se que mais de 300 genes humanos codifiquem
esses transportadores, a maioria atuando principalmente em substratos
endógenos, mas alguns também transportam substâncias exógenas
(“xenobióticos”), inclusive fármacos. O papel de tais transportadores nas
funções neurotransmissoras é discutido nos Capítulos 14, 15 e 38.
■ Transportadores de cátions e ânions orgânicos
Dois SLC estruturalmente relacionados que são importantes na distribuição
de fármacos são os transportadores de cátions orgânicos (OCT; do inglês,
organic cation transporters) e de ânions orgânicos (OAT; do inglês, organic
anion transporters). A molécula transportadora consiste em uma proteína
transmembrana que liga uma ou mais moléculas ou íons, muda de
conformação e os libera do outro lado da membrana. Tais sistemas podem
operar de maneira puramente passiva, sem qualquer fonte de energia; nesse
caso, eles apenas facilitam os processos de equilíbrio transmembranar das
espécies transportadas, na direção do seu gradiente eletroquímico. Os OTC
translocam dopamina, colina e diferentes fármacos, incluindo vecurônio,
quinina e procainamida. São “uniportadores” (i. e., cada molécula
transportadora se liga a uma molécula de soluto de cada vez e a transporta a
favor do seu gradiente). O OCT2 (presente nas células do túbulo proximal do rim) concentra fármacos como a cisplatina nessas células (um
importante fármaco antineoplásico; ver Capítulo 57), resultando na sua
nefrotoxicidade seletiva; fármacos relacionados (p. ex., carboplatina,
oxaliplatina) não são transportados pelo OCT2 e são menos nefrotóxicos; a
competição pelo OCT2 com a cimetidina oferece uma possível proteção
contra a nefrotoxicidade da cisplatina (Figura 9.5). Outros SLC estão
acoplados ao gradiente eletroquímico de Na+ ou de outros íons através da
membrana, gerado pelas bombas de íons dependentes de ATP (ver Capítulo
4); nesse caso, o transporte pode ocorrer contra o gradiente eletroquímico.
Pode haver transporte de uma molécula em troca de outra (“antiporte”) ou o
transporte de duas moléculas juntas na mesma direção (“simporte”). Os
OAT são responsáveis pela secreção renal de uratos, prostaglandinas,
algumas vitaminas e p-amino hipurato, e de fármacos como a probenecida,
muitos antibióticos, antivirais, anti-inflamatórios não esteroides e
antineoplásicos. A captação é alimentada pela troca com ácidos
dicarboxílicos intracelulares (principalmente α-cetoglutarato, em parte
derivado do metabolismo celular e em parte devido a cotransporte com o
Na+, que entra nas células a favor de seu gradiente de concentração). A
energia metabólica é fornecida pelo ATP pela troca Na+/K+. Como o
transporte mediado por transportadores envolve uma etapa de ligação, ele
apresenta características de saturação.
Figura 9.4 Valores de pKa para alguns fármacos ácidos e básicos.
Transportadores desse tipo estão amplamente distribuídos, e muitos
efeitos farmacológicos resultam de interferências em sua atuação. Assim,
alguns terminais nervosos apresentam mecanismos de transporte que
acumulam neurotransmissores específicos ou os seus precursores, existindo
muitos exemplos de fármacos que atuam por inibição desses mecanismos
de transporte (ver Capítulos 14, 15, 38, 48 e 49). Contudo, de um ponto de
vista farmacocinético geral, os principais locais em que os SLC (incluindo OCT e OAT) são expressos, e o transporte de fármacos mediado por
transportadores é importante, são:
• Barreira hematencefálica
• Trato gastrintestinal
• Túbulo renal
• Trato biliar
• Placenta.
■ Transportadores P-glicoproteína
As P-glicoproteínas (P-gp; P significando “permeabilidade”), que
pertencem à superfamília de transportadores ABC, são a segunda classe
mais importante de transportadores e são responsáveis pela resistência a
múltiplos fármacos em células cancerosas, muitos dos quais expressam uma
bomba dependente de ATP com ampla especificidade, designados proteína
1 resistente a múltiplos fármacos (mdr1; do inglês, multidrug resistance
protein 1) (ver Capítulo 57). Esta é expressa em animais, fungos e bactérias
e pode ter evoluído como mecanismo de defesa contra toxinas. As P-gp
estão presentes nas membranas ciliadas dos túbulos renais, no canalículo
biliar, nos processos basais de astrócitos nos microvasos cerebrais1 e no
trato gastrintestinal. Desempenham papel importante em absorção,
distribuição e eliminação de muitos fármacos, e frequentemente
colocalizam-se junto com os transportadores SLC de fármacos, de modo
que um fármaco que tenha sido concentrado, por exemplo, por um
transportador OAT na membrana basolateral de uma célula tubular renal
possa então ser bombeado para fora da célula por uma P-gp na membrana
luminal (ver Capítulo 30).
A variação polimórfica nos genes que codificam SLC e P-gp contribui
para a variação genética individual na resposta a diferentes fármacos. Por outro lado, a competição entre fármacos para o mesmo transportador