Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 644 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Resistência a fármacos antibacterianos

Estruturas formadas na célula que são alvos para quimioterapia

 

• A parede celular bacteriana pode ser afetada por várias classes de antibióticos, como os

betalactâmicos

• A membrana plasmática é afetada por:

– Anfotericina, que atua como um ionóforo nas células fúngicas

– Azóis, que inibem a síntese de ergosterol da membrana fúngica

• A função dos microtúbulos é alterada por:

– Benzimidazóis (anti-helmínticos)

• Fibras musculares são afetadas por:

– Avermectinas (anti-helminticos), que aumentam a permeabilidade ao Cl?

– Pirantel(anti-helmíntico), que estimula os receptores nicotínicos dos nematódeos,

causando eventualmente paralisia muscular pelo bloqueio neuromuscular

despolarizante.

 

RESISTÊNCIA A FÁRMACOS ANTIBACTERIANOS

Desde os anos 1940, o desenvolvimento de fármacos eficazes e seguros

para lidar com bactérias e outras infecções revolucionou o tratamento

médico, e a morbidade e a mortalidade associadas com essas doenças

reduziram drasticamente. Infelizmente, o desenvolvimento de fármacos

antibacterianos eficazes foi acompanhado pelo surgimento de organismos

resistentes aos fármacos.

A crescente preocupação com a resistência a antibióticos provocou

várias respostas políticas supranacionais e domésticas. Além da

Organização Mundial da Saúde (OMS), que formulou o Global Action Plan

on Antibiotic Resistance e emite informações regulares sobre o problema, outras organizações como a Global Antibiotic Resistance Partnership

(GARP) têm monitorado o surgimento de cepas resistentes em todo o

mundo desde 2009 e aconselhado sobre estratégias de tratamento locais.

Também houve iniciativas domésticas: nos EUA, um plano de ação

nacional foi anunciado em 2015, e muitos outros países introduziram

estratégias semelhantes, menos formais, para implementar os conselhos de

OMS, GARP e outras organizações. Os países em desenvolvimento muitas

vezes lutam para introduzir tais medidas, e como estão com frequência

sobrecarregados com um grande número de pacientes

imunocomprometidos, falta de acesso a fármacos, má higiene e controle de

infecções ineficiente, não estão se saindo tão bem.

▼ Então qual é a causa deste problema? A visão prevalente era de que a

resistência a antibióticos era um fenômeno único da nossa era e que

surgiu, em grande parte, devido ao mau uso humano dos recursos

antibióticos. Esta visão “antropogênica” pareceu ser suportada pela

ausência relativa de elementos de resistência em amostras de bactérias

retiradas de ilhas remotas não habitadas (como algumas das ilhas

Galápagos) ou de amostras antigas que precederam a era antibiótica. Por

outro lado, o sequenciamento do DNA recuperado de fósseis

pleistocênicos (com cerca de 30.000 anos) sugeriu que pelo menos

alguns dos elementos de resistência antibiótica tiveram uma origem

muito antiga (Bhullar et al., 2012). Essa presunção foi drasticamente

confirmada pela (entre outras) descoberta, no Novo México, de

bactérias multirresistentes em um sistema de cavernas profundo, que

esteve isolado do contato humano e animal por 4 a 7 milhões de anos

(Bhullar et al., 2012). Uma análise detalhada de uma das espécies

recuperada, Paenibacillus, a qual é resistente à maior parte dos

antibióticos clinicamente usados, mostrou que esses genes de resistência

nessa bactéria tinham sido evidentemente conservados durante milhões

de anos – e incidentalmente descobriu vários mecanismos de resistência

até agora desconhecidos (Pawlowski et al., 2016). É interessante que,

enquanto a resistência aos antibióticos naturais (p. ex., penicilina) era

extensa, foi observada pouca resistência a fármacos sintéticos como o

linezolida. Nenhum desses genes era expresso em amostras dessa

bactéria coletada da superfície vizinha da caverna, sugerindo que os

organismos na caverna os expressaram sob alguma forma de pressão

seletiva. Achados como este levaram a uma reavaliação da origem e do

papel do “resistoma” bacteriano e à questão da resistência antibiótica

em geral. É agora claro que temos de ter uma visão mais variada do

problema.

Muitos antibióticos usados clinicamente são substâncias químicas

complexas, naturais, derivadas de bactérias ou fungos do solo. Estas são

liberadas como parte de uma estratégia de defesa por esses organismos.

Obviamente, organismos que liberam antibióticos devem proteger-se contra

os efeitos dessas substâncias, explicando talvez, pelo menos em parte, o

porquê de o resistoma – o conjunto de genes envolvidos na resistência a

antibióticos – ser tão significativo nos organismos do solo. Além disso,

acredita-se agora que estes antibióticos endógenos podem também ter um

papel mais “fisiológico”: talvez de regulação de vias metabólicas, atuando

como moléculas de comunicação ou como parte de mecanismos de

“quorum sensing” bacterianos.5 Muitos desses genes de resistência

localizam-se nos elementos móveis do DNA, e a transferência entre

organismos no solo ocorre por transferência horizontal de genes (em

oposição à transferência vertical de genes, que ocorre durante a

reprodução). Isso explica em parte por que a incidência da resistência é maior em locais onde as bactérias proliferam e o uso de antibióticos é