Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 232 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Proteínas e peptídios que infrarregulam a inflamação

pandêmicas. Um caso trágico de voluntários que desenvolveram uma

tempestade de citocinas após a administração de um fármaco experimental

está relatado no Capítulo 5.

 

PROTEÍNAS E PEPTÍDIOS QUE INFRARREGULAM A INFLAMAÇÃO

A inflamação não é regulada unicamente por fatores que a causem ou a

amplifiquem: é cada vez mais evidente que existe outro conjunto de

mediadores que funcionam em cada fase para infrarregular a inflamação,

verificar o seu progresso e limitar a sua duração e o seu alcance. É o

balanço dinâmico entre esses dois sistemas que regula o início e a resolução

dos episódios inflamatórios e, quando ele se quebra, pode levar também a

uma doença inflamatória ou, em casos extremos, a um fenômeno de

tempestade de citocinas. Alguns desses fenômenos são de natureza

peptídica e já abordamos as moléculas IL-1ra, TGF-β e IL-10, importantes

reguladores negativos da inflamação. Há outros dois sistemas que têm

importância, porque fármacos anti-inflamatórios comuns gozam de

propriedades.

A anexina-A1 (Anx-A1) é uma proteína com 37 kDa, produzida por

muitas células e especialmente abundante nas células da linha mieloide.

Quando liberada, exerce uma ação anti-inflamatória potente, fazendo

infrarregulação da ativação celular, da transmigração celular e da liberação

de mediadores. Ela atua por meio de um receptor acoplado à proteína G

denominado ALX/FPR2, um membro da família dos receptores formil

peptídio: o mesmo receptor que liga as lipoxinas anti-inflamatórias (ver

Capítulo 18).

O sistema Anx-A1 é significativo porque é ativado por glicocorticoides

anti-inflamatórios (ver Capítulo 27), que aumentam a transcrição gênica do

Anx-A1 e promovem a sua liberação das células. Curiosamente, as

cromonas antialérgicas (cromoglicato etc.; ver Capítulo 27) também

promovem a liberação dessa proteína das células. Estudos com o gene

“knock-out” (ou gene inativado) para o Anx-A1 mostraram que essa

proteína é importante para refrear a resposta inflamatória e para a sua

resolução adequada. Os glicocorticoides anti-inflamatórios não são capazes

de desenvolver as suas ações inibitórias sem ele. Uma abordagem dessa

área é analisada por Perretti e D’Acquisto (2009).

O sistema da melanocortina também desempenha papel importante na

regulação da inflamação. Existem cinco receptores de melanocortina

acoplados à proteína G, MC 1-5. Os ligantes endógenos para esses receptores, tais como o MSH (três tipos), derivam do gene POMC e apresentam várias

funções, incluindo a regulação do desenvolvimento do bronzeado, da ereção

do pênis e do controle do apetite por meio da ação nos vários receptores

MC.

Do ponto de vista da defesa do hospedeiro, o receptor MC3 é o mais importante. Mais uma vez, os estudos de deleção gênica demonstraram a

importância desse receptor em uma variedade de condições inflamatórias.

Curiosamente, outro produto do gene POMC, a ACTH foi antigamente

usada como agente anti-inflamatório, mas julgava-se que a sua ação fosse

secundária à sua capacidade de liberar cortisol endógeno a partir das

glândulas adrenais (uma ação do MC2, ver Capítulo 34). Atualmente, sabe-

se que o cortisol é um ligante no receptor MC3 e é provável que parte da sua atividade se deva a essa ação.

Um trabalho acerca da importância dessa área é realizado por Patel et

al. (2011).