Rang e Dale: Farmacologia
Novos enfoques da terapia da obesidade
Usos clínicos dos fármacos antiobesidade
• O principal tratamento da obesidade é dieta adequada e aumento dos exercícios
• O orlistate, que causa má absorção de gordura, é usado em conjunto com restrição
dietética em indivíduos obesos e também em pacientes com excesso de peso que tenham
fatores de risco cardiovascular adicionais (p. ex., diabetes melito, hipertensão)
– A terapia com orlistate deve ser interrompida após 12 semanas se o paciente não
tiver sido capaz de perder pelo menos 5% do seu peso corporal desde o início do
tratamento
• Muitos supressores do apetite que atuam centralmente (p. ex., fen uramina, sibutramina)
têm sido retirados do mercado por causa de dependência, hipertensão pulmonar ou
outros efeitos adversos graves
• A cirurgia gastrintestinal (“bariátrica”) para a obesidade in uencia a secreção de incretina
e é efetiva na obesidade acentuada.
NOVOS ENFOQUES DA TERAPIA DA OBESIDADE
Como se pode imaginar, a busca por agentes antiobesidade mais eficazes é
alvo de esforços prodigiosos por parte da indústria farmacêutica. Casos
raros de deficiência de leptina tiveram sucesso com tratamento a longo
prazo com esse hormônio, mas é provável que seu uso seja mais que
limitado no futuro. Diante disso, muitos outros enfoques estão sendo
tentados (Kang e Park, 2012). Alguns visam explorar a ação ou a produção
de sinais de saciedade neuroendócrina, como a CCK, para produzir
supressão do apetite. Muitos desses hormônios de saciedade do TGI
produzem tais efeitos quando administrados sistematicamente em seres
humanos ou roedores, embora nem sempre sejam úteis; por exemplo, a
CCK reduz o tamanho da refeição, mas aumenta a frequência (West et al., 1984). Os peptídios do tipo glucagon, como a liraglutida, que é utilizada
para tratar o diabetes melito tipo 2 (ver Capítulo 32), têm também ações
anoréxicas (Astrup et al., 2009) e foram aprovados nos EUA para o
tratamento da obesidade (por injeção apenas). Outros peptídios testados
incluem análogos de amilina, oxintomodulina e de leptina e antagonistas
NPY. Até a vacinação contra grelina ou somatostatina tem sido sugerida
como uma estratégia terapêutica (Bhat et al., 2017).
Outras estratégias visam alterar os níveis de neurotransmissores no
SNC, como o NPY ou as melanocortinas, que transduzem sinais hormonais
normais, regulando o apetite (Halford, 2006). A possibilidade de tratamento
do próprio receptor MC 4 como alvo medicamentoso, juntamente com a
observação de que defeitos na sinalização de MC 4 são prevalentes na obesidade, tem atraído muito interesse da indústria farmacêutica.
Devido à importância do sistema nervoso simpático no controle da
regulação energética, pode-se prever que os agonistas dos receptores β3-adrenérgicos possam ser úteis. No entanto, de modo decepcionante, apesar
de terem sido investigados extensivamente (Arch, 2008), até o momento
eles falharam em produzir uma vantagem terapêutica aceitável. Em
contraste, o sistema serotoninérgico continua diretamente no quadro para o
desenvolvimento de agentes antiobesidade adicionais (Oh et al., 2016).
Kang e Park (2012) destacam o valor da combinação de terapias que
visam às vias complexas envolvidas na regulação do apetite. A maioria das
terapias farmacológicas é muito mais eficaz quando usada em conjunto com
modificações do estilo de vida e de outros comportamentos. A importância
dessa abordagem conjunta foi resumida por Vetter et al. (2010).
Em resumo, no momento em que este livro é escrito, é desanimador
relatar que o número de fármacos licenciados para utilização na obesidade,
pelo menos no Reino Unido, parece ser inversamente proporcional à magnitude crescente dos problemas de saúde associados. Em alguns outros
países, como os EUA, a situação é um pouco melhor (Daneschvar et al.,
2016), embora tenha havido algum debate sobre quão útil este último grupo
de fármacos irá realmente provar ser (Kim, 2016). No seu todo, é
deprimente que, apesar de todo o trabalho inovador no controle
neuroendócrino da alimentação e perda de peso, tão poucos novos fármacos
tenham realmente encontrado o seu percurso no mercado. A ausência de
sucesso sustentado com as terapias farmacológicas conduziu à emergência
da cirurgia bariátrica como a opção mais promissora a longo prazo para
reduzir complicações, tais como hipertensão e diabetes melito, em pacientes
com obesidade grave.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
Regulação do peso corporal e da obesidade
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Recomendado)
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legível dos desenvolvimentos mais recentes no campo do controle neuroendócrino do apetite e
alimentação. Cobre algum material não incluído aqui. Recomendado)
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no controle da ingestão de alimentos. Diagramas extraordinários. Observe que há vários outros
artigos excelentes sobre a obesidade nesse suplemento da Nature Insight)
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(Excelente revisão sobre o controle do SNC no suprimento energético/peso corporal, obesidade
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fármacos antiobesidade que atuam por intermédio de receptores adrenérgicos β . Comentários e 3
perspectivas úteis no domínio como um todo)
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gordura)
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HT na regulação periférica do metabolismo dos tecidos e do seu potencial de exploração para
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de mudanças de estilo de vida em combinação com a terapia medicamentosa para combater a
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Wilding, J.P.H. (Ed.). 2008. Pharmacotherapy of obesity. In: Parnham, M.J., Bruinvels, J. (Eds.),
Milestones in Drug Therapy. Birkhäuser, Basle. (Este livro cobre uma grande variedade de
tópicos associados à obesidade e ao seu tratamento. Os colaboradores são especialistas nesse
campo)
Recursos úteis na web
www.who.int. (Web page da OMS que traz dados sobre a prevalência da “globesidade” e sua
distribuição pelo mundo; clique no link “Health Topics” e navegue até “Obesity” na lista
alfabética de tópicos, para obter mais informações)
www.cdc.gov. (Essa é a página Web do Center for Disease Control and Prevention nos EUA. Há
uma ligação para uma lista de tópicos de saúde, na qual se pode selecionar “Obesidade”) ____________
1 “Pessoas que são naturalmente muito gordas podem morrer mais cedo que
aquelas que são mais magras”, observou Hipócrates.
2 A palavra é derivada do grego leptos, que significa magro.
3 A linguagem pode ser confusa. “Fome”, obviamente, refere-se à vontade
de comer. “Satisfação” é a sensação de ter comido o suficiente durante uma
refeição. “Saciedade” é a sensação, depois de uma refeição, de que ainda
não necessita de outra.
4 Assim denominados porque a administração de cocaína ou anfetamina
estimula a transcrição desse gene. Sua expressão no hipotálamo está
relacionada com o estado nutricional implicado no controle do apetite. Seu
receptor não é conhecido, mas, provavelmente, modula a ação do NPY e da
leptina.
5 Esse feito é responsável pela “larica” (aumento voraz do apetite), um dos
efeitos adversos comuns de fumar Cannabis.
6 Até o tipo de flora intestinal vem sendo minuciosamente estudado como
potencial fator determinante da obesidade (Duranti et al., 2017). A noção de
que isso poderia ser suplementado com “probióticos” para modificar o risco
tem atraído atenção. Holy shit! foi o título de um artigo de uma revista
sobre o assunto (The Economist, 12 de novembro de 2009).
7 Em outras palavras, um trecho de DNA que se correlaciona ao
desenvolvimento de obesidade e que, portanto, provavelmente contém – ou
está ligado a – um gene relevante.
8 Tal como o apresentador Bynum disse: “A cada minuto nasce um otário…
e alguém para o enganar”… tiroxina (para aumentar a taxa metabólica, ver
Capítulo 35), engolir parasitos (vermes intestinais competem pela comida
ingerida), anfetaminas (ver Capítulo 59), fármacos que causam má absorção, desse modo vazando gordura pelo reto (ver mais adiante neste
capítulo)… realmente!
9 Foi relatado que o DNP era administrado aos soldados russos durante a
Segunda Guerra Mundial, para mantê-los aquecidos.
10 Muitos fármacos antidepressivos atuam por meio do mesmo mecanismo
(ver Capítulo 48) e também causam perda de peso pela redução do apetite.
Entretanto, a sibutramina não apresenta propriedades antidepressivas. Além
disso, pacientes depressivos geralmente são obesos, e os fármacos
antidepressivos são utilizados para tratar ambas as condições (Appolinario
et al., 2004).
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