Rang e Dale: Farmacologia
Metanálise
debate, sendo defendido por alguns que o placebo apresenta um efeito
limitado, exceto talvez nos ensaios envolvendo dor ou náuseas
(Hróbjartsson e Gøtzsche, 2010), enquanto outros relatam importantes
efeitos clínicos com o placebo (Howick et al., 2013). Existe, ainda, um
crescente número de ensaios clínicos pragmáticos em que os novos
tratamentos são comparados com o tratamento “padrão ou usual”, em
oposição ao construto artificial de um comprimido placebo que não
representa o que o paciente iria receber na prática clínica.
Os riscos do tratamento com placebo não devem ser subestimados. O
uso de medicamentos ativos pode ser retardado. O inevitável elemento
de decepção14 pode minar a confiança que os pacientes têm na
integridade dos médicos. É possível produzir um estado de
“dependência terapêutica” em pessoas que não estão doentes, pois não
existe um meio de determinar se o paciente ainda “precisa” do placebo.
METANÁLISE
▼ Por meio de técnicas de estatística, é possível combinar os dados
obtidos em diversos ensaios (desde que cada um tenha obedecido a um
protocolo aleatório) para obter potência e significância maiores. Esse
procedimento, conhecido como metanálise ou análise de revisão, pode
revelar-se muito útil para se chegar a uma conclusão baseada em
diversos ensaios publicados, alguns dos quais, inclusive, indicando
superioridade do tratamento de teste sobre o controle, enquanto outros
não chegaram a essa conclusão. Como procedimento objetivo, com
seleção de estudo definida e critérios de avaliação da qualidade, é
certamente preferível ao processo do tipo “escolha o que quiser” para
formação de opinião pela maioria das pessoas quando confrontada com
dados contraditórios. Entretanto, apresenta diversas desvantagens