Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 107 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Metanálise

debate, sendo defendido por alguns que o placebo apresenta um efeito

limitado, exceto talvez nos ensaios envolvendo dor ou náuseas

(Hróbjartsson e Gøtzsche, 2010), enquanto outros relatam importantes

efeitos clínicos com o placebo (Howick et al., 2013). Existe, ainda, um

crescente número de ensaios clínicos pragmáticos em que os novos

tratamentos são comparados com o tratamento “padrão ou usual”, em

oposição ao construto artificial de um comprimido placebo que não

representa o que o paciente iria receber na prática clínica.

Os riscos do tratamento com placebo não devem ser subestimados. O

uso de medicamentos ativos pode ser retardado. O inevitável elemento

de decepção14 pode minar a confiança que os pacientes têm na

integridade dos médicos. É possível produzir um estado de

“dependência terapêutica” em pessoas que não estão doentes, pois não

existe um meio de determinar se o paciente ainda “precisa” do placebo.

 

METANÁLISE

▼ Por meio de técnicas de estatística, é possível combinar os dados

obtidos em diversos ensaios (desde que cada um tenha obedecido a um

protocolo aleatório) para obter potência e significância maiores. Esse

procedimento, conhecido como metanálise ou análise de revisão, pode

revelar-se muito útil para se chegar a uma conclusão baseada em

diversos ensaios publicados, alguns dos quais, inclusive, indicando

superioridade do tratamento de teste sobre o controle, enquanto outros

não chegaram a essa conclusão. Como procedimento objetivo, com

seleção de estudo definida e critérios de avaliação da qualidade, é

certamente preferível ao processo do tipo “escolha o que quiser” para

formação de opinião pela maioria das pessoas quando confrontada com

dados contraditórios. Entretanto, apresenta diversas desvantagens