Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 216 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Considerações finais

monócitos e recruta eosinófilos para a mucosa bronquial na fase tardia da

asma (ver Figura 29.3). O PAF contrai tanto o músculo liso brônquico como

o do íleo.

Atuando por intermédio do seu receptor, o PAF ativa a cPLA2 e estimula o ácido araquidônico em muitas células. Nas plaquetas, aumenta a produção

de TXA 2, alterando a forma e a liberação do conteúdo dos grânulos. Isso é

importante na hemostasia e na trombose (ver Capítulo 25).

As ações anti-inflamatórias dos glicocorticoides podem ser causadas,

pelo menos em parte, pela inibição da síntese do PAF (ver Figura 18.2).

Antagonistas competitivos do PAF e/ou inibidores específicos da liso-PAF

acetiltransferase podem ser úteis nos fármacos antiasmáticos. O antagonista

do PAF, lexipafanto, está aprovado para o tratamento da pancreatite aguda

em alguns países (Leveau et al., 2005). Dois outros antagonistas,

modipafanto e apafanto, também estão sendo testados. A rupatadina é

um combinado H 1 e antagonista PAF disponível em alguns locais do mundo para o tratamento de sintomas alérgicos, mas ainda não está claro até que

ponto (ou se em algum ponto) sua ação anti-PAF contribui clinicamente na

sua ação como antagonista H 1.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo, debruçamo-nos sobre os mediadores histamínicos e

lipídicos, mas em algumas espécies (p. ex., roedores) o 5-HT (ver Capítulo

16) também tem propriedades pró-inflamatórias. Outros fatores de baixo

peso molecular também têm efeitos inflamatórios, incluindo algumas

purinas (ver Capítulo 17) e óxido nítrico (ver Capítulo 21).

Talvez o desenvolvimento mais surpreendente nessa área seja a

extraordinária proliferação de mediadores lipídicos. É uma característica que teria surpreendido Dale et al., visto que os lipídios eram considerados

por muitos anos simplesmente como blocos de construção inertes para

membranas ou como fonte de combustível metabólico. No entanto, esta

tornou-se uma das áreas de crescimento mais rápido e excitante da pesquisa

de mediadores de pequeno peso molecular e já produziu várias novas pistas

terapêuticas.

 

Fator ativador de plaquetas (PAF)

 

• Os precursores de PAF são liberados das células in amatórias ativadas por intermédio de

fosfolipase A 2. Depois da acetilação, o PAF resultante é liberado e atua em receptores especí cos em células-alvo

• As ações farmacológicas incluem: vasodilatação, permeabilidade vascular aumentada,

quimiotaxia e ativação dos leucócitos (especialmente eosinó los, ativação e agregação

das plaquetas e contração do músculo liso)

• O PAF está relacionado com a hiperatividade brônquica e com a fase tardia da asma

• Um antagonista PAF, lexipafanto, é usado para o tratamento da pancreatite.

 

REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR

Ariel, A., Serhan, C.N., 2007. Resolvins and protectins in the termination program of acute

inflammation. Trends Immunol. 28, 176–183. (Análise muito acessível sobre os mediadores

lipídicos únicos que promovem a inflamação e a sua ligação com os óleos de peixe)

Barnes, N.C., Piper, P.J., Costello, J.F., 1984. Comparative effects of inhaled leukotriene C , 4

leukotriene D , and histamine in normal human subjects. Thorax 39, 500–504. 4

Di Gennaro, A., Haeggstrom, J.Z., 2012. The leukotrienes: immune-modulating lipid mediators of

disease. Adv. Immunol. 116, 51–92. (Atualização útil sobre as ações dos leucotrienos na

inflamação. Recomendada)

Chandrasekharan, J.A., Sharma-Walia, N., 2015. Lipoxins: nature’s way to resolve inflammation. J

Inflamm Res 8, 181–192. (Recente revisão e atualização sobre o papel desses lipídios na

resolução inflamatória. Uma boa introdução e de fácil leitura)

Cornejo-Garcia, J.A., Perkins, J.R., Jurado-Escobar, R., et al., 2016. Pharmacogenomics of

prostaglandin and leukotriene receptors. Front. Phar-macol. 7, 316. (Este artigo detalha algumas

das variantes genéticas dos receptores de eicosanoides e revê as evidências que os ligam a

doenças patológicas)

Duvall, M.G., Levy, B.D., 2016. DHA- and EPA-derived resolvins, protectins, and maresins in

airway inflammation. Eur. J. Pharmacol. 785, 144–155.

Gilroy, D.W., Perretti, M., 2005. Aspirin and steroids: new mechanistic findings and avenues for drug

discovery. Curr. Opin. Pharmacol. 5, 405–411. (Revisão muito interessante sobre substâncias

anti-inflamatórias liberadas durante a resposta inflamatória e consequências no seu término;

também aborda um efeito bastante estranho do ácido acetilsalicílico – a sua capacidade de

aumentar a produção de lipoxinas anti-inflamatórias. Fácil de ler e informativo)

Hattori, Y., Hattori, K., Matsuda, N., 2017. Regulation of the cardiovascular system by histamine.

Handb. Exp. Pharmacol. 241, 239–258.

Jutel, M., Akdis, M., Akdis, C.A., 2009. Histamine, histamine receptors and their role in immune

pathology. Clin. Exp. Allergy 39, 1786–1800. (Excelente abordagem. Fácil de ler)

Kim, N., Luster, A.D., 2007. Regulation of immune cells by eicosanoid receptors. ScientificWorld J.

7, 1307–1328. (Resumo útil sobre eicosanoides, sua biologia e grupo de receptores)

Larsson, B.M., Kumlin, M., Sundblad, B.M., et al., 2006. Effects of 5-lipoxygenase inhibitor zileuton

on airway responses to inhaled swine house dust in healthy subjects. Respir. Med. 100, 226–237.

(Artigo que descreve os efeitos da zileutona, um inibidor da 5-lipo-oxigenase, na resposta

alérgica nos humanos; os resultados não são inequívocos, mas o estudo é interessante)

Lee, H.N., Surh, Y.J., 2012. Therapeutic potential of resolvins in the prevention and treatment of

inflammatory disorders. Biochem. Pharmacol. 84, 1340–1350. (Boa revisão e de fácil leitura)

Leveau, P., Wang, X., Sun, Z., et al., 2005. Severity of pancreatitis-associated gut barrier dysfunction

is reduced following treatment with the PAF inhibitor lexipafant. Biochem. Pharmacol. 69, 1325–

1331. (Estudo experimental que utiliza um rato como modelo animal, mas proporciona uma

perspectiva útil do papel clínico potencial de um antagonista assim na pancreatite)

Liu, M., Yokomizo, T., 2015. The role of leukotrienes in allergic diseases. Allergol. Int. 64, 17–26.

(Revisão abrangente e muito legível desta área. Alguns diagramas úteis e tabelas. Recomendada)

Panula, P., Chazot, P.L., Cowart, M., et al., 2015. International Union of Basic and Clinical

Pharmacology. XCVIII. Histamine receptors. Pharmacol. Rev. 67, 601–655. (Revisão muito

abrangente da farmacologia da histamina para aqueles que querem se aprofundar nessa área)

Sansbury, B.E., Spite, M., 2016. Resolution of acute inflammation and the role of resolvins in

immunity, thrombosis, and vascular biology. Circ. Res. 119, 113–130.

Serhan, C.N., 2005. Lipoxins and aspirin-triggered 15-epi-lipoxins are the first lipid mediators of

endogenous anti-inflammation and resolution. Prostaglandins Leukot. Essent. Fatty Acids 73,

141–162. (Artigo sobre lipoxinas – substâncias anti-inflamatórias formadas pela enzima 5-lipo-

oxigenase; também aborda a ação do ácido acetilsalicílico no aumento da síntese desses

compostos e os receptores em que agem. Um bom artigo que resume muito trabalho)

Serhan, C.N., Dalli, J., Colas, R.A., Winkler, J.W., Chiang, N., 2015. Protectins and maresins: New

pro-resolving families of mediators in acute inflamma-tion and resolution bioactive metabolome.

Biochim. Biophys. Acta 1851, 397–413. (Muito boa revisão dessas novas famílias de mediadores

detalhando sua descoberta, biossíntese e biologia. Muitas tabelas úteis resumindo as suas

principais ações para aqueles que se sentem intimidados pela bioquímica, muitas vezes

complexa)

Thompson, M.D., Capra, V., Clunes, M.T., et al., 2016. Cysteinyl leukotrienes pathway genes, atopic

asthma and drug response: from population isolates to large genome-wide association studies.

Front. Pharmacol. 7, 1–17. (Recomendado para quem quiser conhecer o pensamento mais

recente sobre a base genética da asma atópica e sua relevância para a biologia do leucotrieno)

Thurmond, R.L., 2015. The histamine H4 receptor: from orphan to the clinic. Front. Pharmacol. 6,

65.

Urquhart, P., Nicolaou, A., Woodward, D.F., 2015. Endocannabinoids and their oxygenation by

cyclo-oxygenases, lipoxygenases and other oxygenases. Biochim. Biophys. Acta 1851, 366–376.

(A união dos campos canabinoide e eicosanoide foi inesperada e um desenvolvimento

empolgante. Este é um artigo útil para quem quiser entender a bioquímica desses compostos

incomuns. Muitos diagramas de vias de atuação)

Woodward, D.F., Jones, R.L., Narumiya, S., 2011. International Union of Basic and Clinical

Pharmacology. LXXXIII: classification of prostanoid receptors, updating 15 years of progress.

Pharmacol. Rev. 63, 471–538. (Uma abordagem definitiva e abrangente pelos líderes dessa área)

Xu, Z.Z., Zhang, L., Liu, T., et al., 2010. Resolvins RvE1 and RvD1 attenuate inflammatory pain via

central and peripheral actions. Nat. Med. 16, 592–597. (Um artigo fascinante que reporta a

capacidade desses lipídios anti-inflamatórios em diminuir a dor)

Yanagisawa, M., Kurihara, H., Kimura, S., et al., 1988. A novel potent vasoconstrictor peptide

produced by vascular endothelial cells. Nature 332, 411–415. (A descoberta da endotelina – uma

viagem notável)

Zhang, M.J., Spite, M., 2012. Resolvins: anti-inflammatory and proresolving mediators derived from

omega-3 polyunsaturated fatty acids. Annu. Rev. Nutr. 32, 203–227. (Explora a ligação entre os

“óleos de peixe” e a resposta anti-inflamatória)

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1 O termo “autócrino” é por vezes utilizado para referir-se a um mediador local que atua na célula em que é produzido, enquanto um mediador “parácrino” atua nas células adjacentes.

2 Para aumentar a confusão lexicográfica, recentemente tem sido usado outro termo, “biorregulador”. Dado que essa palavra tão generalista pode referir-se a quase todas as substâncias biologicamente ativas, não é muito útil para os nossos objetivos.

3 O nome surgiu devido a um erro anatômico. Em algumas espécies, é difícil distinguir os sacos seminais ricos em prostaglandina da próstata que (conforme sabemos atualmente) contêm relativamente pouca. Apesar de tudo, o nome foi mantido, suplantando o termo mais apropriado de vesiglandina, proposto posteriormente.

4 Mulheres tratadas com gotas oftálmicas de bimatoprosta para o glaucoma ficaram encantadas com um efeito secundário deste medicamento – estimulação do crescimento dos cílios. Não demorou muito para que se iniciasse sua utilização em centros de estética; A Food and Drug Administration (FDA) acabou por licenciar uma formulação especificamente para essa indicação cosmética.

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