Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 570 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Carbamazepina

competitivo dos receptores AMPA, foi aprovado como tratamento adjuvante para as crises parciais.

 

Mecanismo de ação dos antiepilépticos

 

• Acredita-se que os principais antiepilépticos atuem principalmente por três mecanismos:

– Reduzindo a excitabilidade elétrica das membranas celulares, principalmente por meio

do bloqueio uso-dependente dos canais de sódio

– Potencializando a inibição sináptica mediada pelo GABA; isso pode ser obtido por

potencialização da ação pos-sinaptica do GABA, por inibição da GABA transaminase ou pela inibição da captura de GABA nos neurônios e células gliais

– Inibindo os canais de cálcio do tipo T (importantes no controle das crises de ausência)

• Fármacos mais recentes atuam por outros mecanismos, alguns ainda não elucidados.

 

CARBAMAZEPINA

A carbamazepina é quimicamente relacionada com os fármacos

antidepressivos tricíclicos (ver Capítulo 48) e, em um teste de triagem, verificou-se que inibe crises eletricamente provocadas em camundongos.

Farmacológica e clinicamente, suas ações assemelham-se às da fenitoína, embora pareça ser particularmente eficaz no tratamento de crises parciais complexas (p. ex., epilepsia psicomotora). Também é usada para tratar outras

afecções, tais como dor neuropática (ver Capítulo 43) e transtorno maníaco-

depressivo (ver Capítulo 48).

 

■ Aspectos farmacocinéticos A carbamazepina é bem absorvida, porém de maneira lenta, após a administração oral. Sua meia-vida plasmática é de cerca de 30 horas quando administrada em dose única, mas é forte agente indutor de enzimas hepáticas, e

a meia-vida plasmática se abrevia para cerca de 15 horas quando é administrada repetidamente. Alguns de seus metabólitos apresentam

propriedades antiepilépticas. Usa-se uma preparação de liberação lenta para pacientes que apresentam efeitos adversos transitórios coincidindo com picos

de concentração plasmática após doses orais.

 

■ Efeitos adversos

A carbamazepina produz vários efeitos adversos que variam de sonolência,

tontura e ataxia a alterações mentais e motoras mais graves.4 Também pode

causar retenção hídrica (e, por isso, hiponatremia; ver Capítulo 30) e vários efeitos adversos gastrintestinais e cardiovasculares. A incidência e a

intensidade desses efeitos são relativamente baixas em comparação com outros fármacos. O tratamento geralmente é iniciado com baixa dose, elevada

gradualmente para evitar toxicidade relacionada com a dose. Pode ocorrer depressão intensa da medula óssea, causando neutropenia, e outras formas graves de reação de hipersensibilidade, especialmente em pessoas de origem

asiática (ver Capítulo 12).

A carbamazepina é poderoso indutor de enzimas microssômicas hepáticas e, desse modo, acelera o metabolismo de muitos outros fármacos, tais como fenitoína, contraceptivos orais, varfarina e corticosteroides, bem como dela

própria. Ao iniciar o tratamento, aplica-se o oposto da estratégia de “dose de ataque”: doses baixas iniciais são gradualmente aumentadas, uma vez que,

quando no início do tratamento, as enzimas metabolizadoras não estão induzidas, e mesmo as doses baixas podem causar efeitos adversos

(particularmente ataxia); à medida que ocorre a indução enzimática, são necessárias doses mais elevadas para manter as concentrações plasmáticas terapêuticas. Em geral, não é aconselhável combiná-la com outros fármacos antiepilépticos, e interações com outros fármacos (p. ex., varfarina) metabolizados pelas enzimas do citocromo P450 (CYP) são comuns e