Rang e Dale: Farmacologia
Eficácia clínica dos tratamentos antidepressivos
Novos antidepressivos
• Agomelatina é um agonista dos receptores de melatonina MT e MT que melhora o 1 2
humor, provavelmente por melhorar os padrões do sono
• Cetamina, um bloqueador do canal do receptor NMDA, produz início rápido de efeitos
antidepressivos em pacientes resistentes a outras terapias.
EFICÁCIA CLÍNICA DOS TRATAMENTOS ANTIDEPRESSIVOS
A eficácia clínica global dos antidepressivos é geralmente aceita para a
depressão grave, embora exista preocupação sobre o fato de que a evidência
publicada nos ensaios clínicos pode ser enganadora, visto que muitos dos
ensaios negativos não foram relatados. No entanto, 30 a 40% dos pacientes
deprimidos não mostraram melhora, e os casos que mostraram podem ser
apenas de melhora parcial, reforçando a necessidade de novos fármacos
com novos mecanismos de ação. Falta evidência clara do benefício de
fármacos antidepressivos atuais na depressão leve a moderada. A
interpretação dos dados dos ensaios é complicada devido a uma elevada
resposta placebo e a recuperação espontânea independente de qualquer
tratamento. Os dados dos ensaios clínicos não sugerem que os fármacos em
uso atualmente sejam diferentes quanto à eficácia. No entanto, a
experiência clínica mostra que os pacientes individuais podem, por motivos
desconhecidos, responder melhor a um fármaco do que a outro. As atuais
diretrizes de tratamento recomendam procedimentos psicológicos com base
na evidência como tratamentos de primeira linha na maior parte dos casos,
antes do uso de fármacos antidepressivos.
■ Fatores farmacogenéticos
▼ A variação individual na resposta aos antidepressivos e a incidência
de efeitos adversos pode se dever parcialmente a fatores genéticos
(Crisafulli et al., 2014). Dois fatores genéticos receberam particular
atenção, designadamente:
• Polimorfismo dos genes do citocromo P450, em especial o CYP2D6 e CYP2C19, que são
responsáveis pela hidroxilação e desmetilação dos ADT e ISRS
• Polimorfismo dos genes dos transportadores da serotonina e da norepinefrina.
Até 10% dos caucasianos possuem um gene CYP2D6 disfuncional e,
consequentemente, podem ser suscetíveis a efeitos adversos dos
antidepressivos e de vários outros fármacos (ver Capítulo 12) que são
metabolizados por esta via. O efeito oposto, causado por duplicação do
gene, é comum nas populações da Europa Oriental e do Leste da África,
e podem ser responsáveis pela falta de eficácia clínica em alguns
indivíduos. Existe alguma evidência que sugere que a resposta aos ISRS
e IRSN está relacionada com o polimorfismo dos genes dos
transportadores da serotonina e da norepinefrina.
Embora a avaliação do genótipo possa ser uma abordagem útil no futuro
para individualizar a terapia antidepressiva, a sua realização prática
ainda está longe.
■ Suicídio e antidepressivos
▼ Os antidepressivos ISRS e IRSN podem elevar o risco de “ideação
suicida” e aumentar a agressão em crianças, adolescentes e adultos
jovens (Sharma et al., 2016). A ideação suicida engloba pensamentos e
planejamentos suicidas, bem como tentativas malsucedidas; o suicídio
propriamente dito, embora uma das principais causas de morte em
pessoas jovens, é muito mais raro do que a ideação suicida. O risco é
menor em grupos de idade mais avançada. No entanto, o risco tem de
ser pesado contra os efeitos benéficos desses fármacos, não apenas na