Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 603 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Eficácia clínica dos tratamentos antidepressivos

Novos antidepressivos

 

• Agomelatina é um agonista dos receptores de melatonina MT e MT que melhora o 1 2

humor, provavelmente por melhorar os padrões do sono

• Cetamina, um bloqueador do canal do receptor NMDA, produz início rápido de efeitos

antidepressivos em pacientes resistentes a outras terapias.

 

EFICÁCIA CLÍNICA DOS TRATAMENTOS ANTIDEPRESSIVOS

A eficácia clínica global dos antidepressivos é geralmente aceita para a

depressão grave, embora exista preocupação sobre o fato de que a evidência

publicada nos ensaios clínicos pode ser enganadora, visto que muitos dos

ensaios negativos não foram relatados. No entanto, 30 a 40% dos pacientes

deprimidos não mostraram melhora, e os casos que mostraram podem ser

apenas de melhora parcial, reforçando a necessidade de novos fármacos

com novos mecanismos de ação. Falta evidência clara do benefício de

fármacos antidepressivos atuais na depressão leve a moderada. A

interpretação dos dados dos ensaios é complicada devido a uma elevada

resposta placebo e a recuperação espontânea independente de qualquer

tratamento. Os dados dos ensaios clínicos não sugerem que os fármacos em

uso atualmente sejam diferentes quanto à eficácia. No entanto, a

experiência clínica mostra que os pacientes individuais podem, por motivos

desconhecidos, responder melhor a um fármaco do que a outro. As atuais

diretrizes de tratamento recomendam procedimentos psicológicos com base

na evidência como tratamentos de primeira linha na maior parte dos casos,

antes do uso de fármacos antidepressivos.

 

■ Fatores farmacogenéticos

▼ A variação individual na resposta aos antidepressivos e a incidência

de efeitos adversos pode se dever parcialmente a fatores genéticos

(Crisafulli et al., 2014). Dois fatores genéticos receberam particular

atenção, designadamente:

• Polimorfismo dos genes do citocromo P450, em especial o CYP2D6 e CYP2C19, que são

responsáveis pela hidroxilação e desmetilação dos ADT e ISRS

• Polimorfismo dos genes dos transportadores da serotonina e da norepinefrina.

Até 10% dos caucasianos possuem um gene CYP2D6 disfuncional e,

consequentemente, podem ser suscetíveis a efeitos adversos dos

antidepressivos e de vários outros fármacos (ver Capítulo 12) que são

metabolizados por esta via. O efeito oposto, causado por duplicação do

gene, é comum nas populações da Europa Oriental e do Leste da África,

e podem ser responsáveis pela falta de eficácia clínica em alguns

indivíduos. Existe alguma evidência que sugere que a resposta aos ISRS

e IRSN está relacionada com o polimorfismo dos genes dos

transportadores da serotonina e da norepinefrina.

Embora a avaliação do genótipo possa ser uma abordagem útil no futuro

para individualizar a terapia antidepressiva, a sua realização prática

ainda está longe.

 

■ Suicídio e antidepressivos

▼ Os antidepressivos ISRS e IRSN podem elevar o risco de “ideação

suicida” e aumentar a agressão em crianças, adolescentes e adultos

jovens (Sharma et al., 2016). A ideação suicida engloba pensamentos e

planejamentos suicidas, bem como tentativas malsucedidas; o suicídio

propriamente dito, embora uma das principais causas de morte em

pessoas jovens, é muito mais raro do que a ideação suicida. O risco é

menor em grupos de idade mais avançada. No entanto, o risco tem de

ser pesado contra os efeitos benéficos desses fármacos, não apenas na