Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 573 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Etossuximida

A etossuximida é mais um fármaco desenvolvido empiricamente por modificação da estrutura do anel do ácido barbitúrico. Farmacológica e

clinicamente, contudo, é diferente dos fármacos até aqui discutidos, pois é ativa em convulsões induzidas pelo PTZ em animais e em crises de ausência no ser humano, com pouco ou nenhum efeito sobre outros tipos de epilepsias.

Suplantou a trimetadiona, o primeiro fármaco eficaz nas crises de ausência, mas que apresentava efeitos adversos importantes. A etossuximida é usada

clinicamente por seu efeito seletivo sobre as crises de ausência.

A etossuximida e a trimetadiona, ao contrário de outros fármacos

antiepilépticos, atuam principalmente pela inibição dos canais de cálcio tipo T, que têm um papel na geração do ritmo de disparo nos neurônios de

retransmissão talâmicos, que gera o padrão de EEG de pico e onda 3/s característico dos ataques de ausência.

A etossuximida é bem absorvida, sendo metabolizada e eliminada de maneira muito semelhante à do fenobarbital, e tem meia-vida plasmática de

cerca de 60 horas. Seus principais efeitos adversos são náuseas e anorexia, algumas vezes letargia e tontura, e acredita-se que precipite crises tônico-

clônicas em pacientes suscetíveis. Muito raramente, pode causar reações de hipersensibilidade intensas.

 

FENOBARBITAL

▼ O fenobarbital foi um dos primeiros barbitúricos a ser desenvolvido, mas

é raramente usado hoje em dia. A sua efetividade clínica assemelha-se à da

fenitoína; ele afeta a duração e a intensidade das crises artificialmente

induzidas, em vez do limiar de convulsão, sendo (tal como a fenitoína)

ineficaz no tratamento das crises de ausência. A primidona, agora também

raramente utilizada, atua ao ser metabolizada em fenobarbital, causando,

com frequência, reações de hipersensibilidade. Os usos clínicos do

fenobarbital são virtualmente os mesmos que os da fenitoína, mas é

raramente utilizado porque provoca sedação. Por muitos anos, foi

amplamente utilizado em crianças, incluindo profilaxia depois de

convulsões febris na infância, porém pode causar alterações no

comportamento e hipercinesias. No entanto, é amplamente utilizado na

prática veterinária.

 

■ Aspectos farmacocinéticos

▼ O fenobarbital é bem absorvido, e cerca de 50% do fármaco no sangue

está ligado à albumina. É eliminado lentamente do plasma (meia-vida de

50 a 140 horas). Aproximadamente 25% são eliminados inalterados na

urina. Como o fenobarbital é um ácido fraco, sua ionização e, em

consequência, a eliminação renal são aumentadas se a urina for

alcalinizada (ver Capítulo 10). Os 75% restantes são metabolizados,

principalmente por oxidação e conjugação pelas enzimas microssômicas

hepáticas. O fenobarbital é um potente indutor das enzimas CYP hepáticas,

e diminui a concentração plasmática de vários outros fármacos (p. ex.,

esteroides, contraceptivos orais, varfarina, antidepressivos tricíclicos) em

magnitude tal que chega a ser clinicamente importante.

 

■ Efeitos adversos

▼ O principal efeito adverso do fenobarbital é a sedação, que costuma

ocorrer em concentrações plasmáticas dentro da faixa terapêutica para

controle das crises. Esse é um sério inconveniente, porque o fármaco pode

ter que ser usado por anos. Parece ocorrer certo grau de tolerância ao efeito

sedativo, mas testes objetivos de cognição e de desempenho motor