Rang e Dale: Farmacologia
Controle da expressão de genes
do que os vírus e, atualmente, estão sendo realizadas tentativas de
melhorar isso por meio da incorporação de várias proteínas virais
sinalizadoras (p. ex., proteínas de fusão de membrana) no seu invólucro
exterior. A injeção direta desses complexos nos tumores sólidos (p. ex.,
melanoma, cânceres da mama, rim e cólon) pode, no entanto, alcançar
concentrações locais elevadas no interior do tumor.
■ Microesferas
▼ Microesferas biodegradáveis feitas a partir de copolímeros de
polianidrido de ácidos fumárico e sebácico (ver Capítulo 9) podem ser
carregadas com DNA de plasmídio. Um plasmídio com atividade de β-
galactosidase bacteriana, formulado deste modo e administrado por via
oral em ratos, resultou em absorção sistêmica e expressão da enzima
bacteriana no fígado do rato, suscitando a possibilidade de terapia
genética oral.
■ DNA de plasmídio
▼ De modo surpreendente, o próprio DNA de plasmídio (“DNA nu”)
entra no núcleo de algumas células e é expresso, embora de forma muito
menos eficiente do que quando é armazenado em um vetor. Esse DNA
não acarreta nenhum risco de replicação viral e normalmente não é
imunogênico, mas não pode ser segmentado de forma precisa. Existe
interesse considerável na possibilidade de usar DNA nu para vacinas, o
que apresenta várias vantagens teóricas, e numerosos ensaios vêm
usando essa técnica (Liu, 2011).
CONTROLE DA EXPRESSÃO DE GENES
Para compreender todo o potencial da terapia genética, não é suficiente
apenas transferir o gene seletivamente para as células-alvo desejadas e
manter uma expressão aceitável do seu produto – por mais difíceis que
sejam estes objetivos. Também é essencial que a atividade do gene seja
controlada. Historicamente, foi a percepção da magnitude desta tarefa que
desviou a atenção das hemoglobinopatias (que foram os primeiros alvos
projetados da terapia de genes). A correção destas doenças necessita de um
equilíbrio apropriado de síntese de cadeias normais de α- e β-globinas para
ser eficaz e, para isso, e muitas outras potenciais aplicações, é essencial a
expressão de genes controlada de forma precisa.
▼ Ainda não se provou ser possível controlar os transgenes de forma
precisa em receptores humanos, mas existem técnicas que podem
eventualmente permitir alcançar este objetivo. Uma depende do uso de
um sistema de expressão indutível. Isto é, uma técnica de laboratório
relativamente padronizada na qual ao gene inserido também se inclui
um promotor indutível de doxiciclina, cuja expressão do gene pode ser
ligada ou desligada pelo tratamento com doxiciclina ou a remoção
desta.
O controle dos genes transfectados também é importante nos alvos
gênicos. Por meio da modulação do gene com um promotor específico
de tecido, deve ser possível restringir a expressão do gene ao tecido-
alvo. Tal abordagem tem sido usada no desenho de estruturas de terapia
genética para uso no câncer de ovário, cujas células expressam várias
proteínas em grande quantidade, incluindo o inibidor da proteinase
SLP1. Em combinação com o promotor SLP1, os plasmídios que
transportam vários genes foram expressos seletivamente e com sucesso
nas linhas celulares do câncer de ovário (Wolf e Jenkins, 2002).