Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 69 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Controle da expressão de genes

do que os vírus e, atualmente, estão sendo realizadas tentativas de

melhorar isso por meio da incorporação de várias proteínas virais

sinalizadoras (p. ex., proteínas de fusão de membrana) no seu invólucro

exterior. A injeção direta desses complexos nos tumores sólidos (p. ex.,

melanoma, cânceres da mama, rim e cólon) pode, no entanto, alcançar

concentrações locais elevadas no interior do tumor.

 

■ Microesferas

▼ Microesferas biodegradáveis feitas a partir de copolímeros de

polianidrido de ácidos fumárico e sebácico (ver Capítulo 9) podem ser

carregadas com DNA de plasmídio. Um plasmídio com atividade de β-

galactosidase bacteriana, formulado deste modo e administrado por via

oral em ratos, resultou em absorção sistêmica e expressão da enzima

bacteriana no fígado do rato, suscitando a possibilidade de terapia

genética oral.

 

■ DNA de plasmídio

▼ De modo surpreendente, o próprio DNA de plasmídio (“DNA nu”)

entra no núcleo de algumas células e é expresso, embora de forma muito

menos eficiente do que quando é armazenado em um vetor. Esse DNA

não acarreta nenhum risco de replicação viral e normalmente não é

imunogênico, mas não pode ser segmentado de forma precisa. Existe

interesse considerável na possibilidade de usar DNA nu para vacinas, o

que apresenta várias vantagens teóricas, e numerosos ensaios vêm

usando essa técnica (Liu, 2011).

 

CONTROLE DA EXPRESSÃO DE GENES

Para compreender todo o potencial da terapia genética, não é suficiente

apenas transferir o gene seletivamente para as células-alvo desejadas e

manter uma expressão aceitável do seu produto – por mais difíceis que

sejam estes objetivos. Também é essencial que a atividade do gene seja

controlada. Historicamente, foi a percepção da magnitude desta tarefa que

desviou a atenção das hemoglobinopatias (que foram os primeiros alvos

projetados da terapia de genes). A correção destas doenças necessita de um

equilíbrio apropriado de síntese de cadeias normais de α- e β-globinas para

ser eficaz e, para isso, e muitas outras potenciais aplicações, é essencial a

expressão de genes controlada de forma precisa.

 

▼ Ainda não se provou ser possível controlar os transgenes de forma

precisa em receptores humanos, mas existem técnicas que podem

eventualmente permitir alcançar este objetivo. Uma depende do uso de

um sistema de expressão indutível. Isto é, uma técnica de laboratório

relativamente padronizada na qual ao gene inserido também se inclui

um promotor indutível de doxiciclina, cuja expressão do gene pode ser

ligada ou desligada pelo tratamento com doxiciclina ou a remoção

desta.

O controle dos genes transfectados também é importante nos alvos

gênicos. Por meio da modulação do gene com um promotor específico

de tecido, deve ser possível restringir a expressão do gene ao tecido-

alvo. Tal abordagem tem sido usada no desenho de estruturas de terapia

genética para uso no câncer de ovário, cujas células expressam várias

proteínas em grande quantidade, incluindo o inibidor da proteinase

SLP1. Em combinação com o promotor SLP1, os plasmídios que

transportam vários genes foram expressos seletivamente e com sucesso

nas linhas celulares do câncer de ovário (Wolf e Jenkins, 2002).