Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 106 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Placebos

A mensuração dos benefícios do paciente a longo prazo pode levar

anos, razão pela qual os efeitos clínicos objetivos, como diminuição da

pressão arterial, melhora da condutância das vias respiratórias ou alteração

da contagem de leucócitos, são frequentemente usados como medidas de

resultados dos ensaios. Esses marcadores substitutos refletem alterações

fisiopatológicas das quais, provavelmente, o paciente não tem

conhecimento. Em muitos casos, mas não sempre, essas alterações se

correlacionam bem com o resultado clínico, na medida em que afeta o

paciente. No ensaio CAST (ver anteriormente), foi descoberto que os

fármacos antiarrítmicos suprimem certas arritmias ventriculares (o

marcador substituto), mas aumentam as mortes súbitas cardíacas. Assim, as

autoridades reguladoras estão muito cautelosas em relação à aceitação

desses parâmetros substitutos como medida de benefícios efetivos para o

paciente.

 

PLACEBOS

▼ O placebo é um medicamento simulado que não contém qualquer

princípio ativo (ou, alternativamente, uma simulação de procedimento

cirúrgico, dieta ou outro tipo de intervenção terapêutica) que o paciente

acredite ser (ou que poderia ser, no contexto de um ensaio com controle)

verdadeiro. Acredita-se que a “resposta ao placebo” (ver revisão de

Enck et al., 2013) tenha forte efeito terapêutico,13 produzindo efeito

benéfico significativo em cerca de um terço dos pacientes. Enquanto

muitos ensaios clínicos incluem um grupo-placebo que apresenta

melhoras, apenas uma pequena minoria comparou esse grupo

diretamente com controles não tratados, especialmente nos casos em

que a história natural da doença é a resolução dos síntomas sem

nenhuma intervenção. O papel do placebo é um assunto de grande