Rang e Dale: Farmacologia
Placebos
A mensuração dos benefícios do paciente a longo prazo pode levar
anos, razão pela qual os efeitos clínicos objetivos, como diminuição da
pressão arterial, melhora da condutância das vias respiratórias ou alteração
da contagem de leucócitos, são frequentemente usados como medidas de
resultados dos ensaios. Esses marcadores substitutos refletem alterações
fisiopatológicas das quais, provavelmente, o paciente não tem
conhecimento. Em muitos casos, mas não sempre, essas alterações se
correlacionam bem com o resultado clínico, na medida em que afeta o
paciente. No ensaio CAST (ver anteriormente), foi descoberto que os
fármacos antiarrítmicos suprimem certas arritmias ventriculares (o
marcador substituto), mas aumentam as mortes súbitas cardíacas. Assim, as
autoridades reguladoras estão muito cautelosas em relação à aceitação
desses parâmetros substitutos como medida de benefícios efetivos para o
paciente.
PLACEBOS
▼ O placebo é um medicamento simulado que não contém qualquer
princípio ativo (ou, alternativamente, uma simulação de procedimento
cirúrgico, dieta ou outro tipo de intervenção terapêutica) que o paciente
acredite ser (ou que poderia ser, no contexto de um ensaio com controle)
verdadeiro. Acredita-se que a “resposta ao placebo” (ver revisão de
Enck et al., 2013) tenha forte efeito terapêutico,13 produzindo efeito
benéfico significativo em cerca de um terço dos pacientes. Enquanto
muitos ensaios clínicos incluem um grupo-placebo que apresenta
melhoras, apenas uma pequena minoria comparou esse grupo
diretamente com controles não tratados, especialmente nos casos em
que a história natural da doença é a resolução dos síntomas sem
nenhuma intervenção. O papel do placebo é um assunto de grande