Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 440 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Hormônio liberador de gonadotrofinas | Agonistas e antagonistas

O GnRH, previamente conhecido como hormônio de liberação do hormônio

luteinizante (LHRH), é um decapeptídio que controla a secreção de FSH e

LH pela adeno-hipófise. A secreção de GnRH é controlada por impulsos

neurais de outras partes do cérebro, apesar da retroalimentação negativa

pelos esteroides sexuais (Figuras 36.1 e 36.5). Os andrógenos exógenos, os

estrógenos e os progestógenos inibem a secreção de GnRH, mas apenas os

últimos exercem esse efeito em doses que não têm ações hormonais

acentuadas nos tecidos periféricos, presumidamente porque os receptores de

progesterona no trato reprodutor são raros, a menos que tenham sido

induzidos por exposição prévia ao estrógeno. O danazol é um esteroide

sintético que inibe a liberação de GnRH e, consequentemente, de

gonadotrofinas (FSH e LH). O clomifeno é um antagonista de estrógenos

que estimula a liberação de gonadotrofinas pela inibição dos efeitos da

retroalimentação negativa de estrógenos endógenos, usado para tratar a

infertilidade (ver boxe, p. 460 e Figura 36.5).

O GnRH sintético é chamado de gonadorrelina. Numerosos análogos

de GnRH, tanto agonistas como antagonistas, têm sido sintetizados.

Busserrelina, leuprorrelina, gosserrelina e nafarrelina são agonistas,

sendo este último 200 vezes mais potente que o GnRH endógeno.

 

Uso clínico e farmacocinética

Os agonistas de GnRH, administrados por infusão subcutânea em pulsos

para mimetizar a secreção fisiológica de GnRH, estimulam a liberação de

gonadotrofina (ver Figura 36.5) e induzem a ovulação. Eles são absorvidos

intactos após administração nasal (ver Capítulo 9). O uso contínuo, por

inalação (spray) nasal ou como preparações injetáveis, estimula a liberação de gonadotrofina transitoriamente, mas de modo paradoxal inibe a liberação

de gonadotrofinas (ver Figura 36.5) devido à infrarregulação

(dessensibilização) dos receptores de GnRH na hipófise. Os análogos de

GnRH são administrados desse modo para causar supressão gonadal em

várias condições dependentes de hormônio sexual, incluindo cânceres de

próstata e de mama, endometriose (tecido endometrial fora da cavidade

uterina) e fibrose uterina avançada. A administração contínua e não pulsátil

inibe a espermatogênese e a ovulação. Os agonistas de GnRH são usados

por especialistas no tratamento da infertilidade, não para estimular a

ovulação (que é alcançada usando-se as preparações de gonadotrofinas),

mas para suprimir a hipófise antes da administração de FSH e hCG.

 

Figura 36.5 Regulação da liberação de gonadotrofinas (hormônio foliculoestimulante

[FSH] e hormônio luteinizante [LH]) pela adeno-hipófise. GnRHR, receptor do hormônio liberador de gonadotrofina.