Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 148 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Interações de fármacos

fármacos que possam influenciar a transmissão neuromuscular (p.

ex., antibióticos aminoglicosídios, ver Capítulo 52)

• Diabetes insípido nefrogênico associado ao cromossomo X,

caracterizado por receptores anômalos do hormônio antidiurético

(HAD, vasopressina) (ver Capítulo 30) e insensibilidade ao HAD

• Hipercolesterolemia familiar, uma doença hereditária dos receptores

de lipoproteínas de baixa densidade (ver Capítulo 24); a forma

homozigótica é relativamente resistente ao tratamento com estatinas

(que atua, em parte, provocando um aumento da expressão hepática

destes receptores), enquanto a forma heterozigótica, muito mais

comum, responde bem às estatinas

• Doenças que influenciam os mecanismos de transdução de sinal:

• Pseudo-hipoparatireoidismo, com origem no comprometimento do

acoplamento dos receptores acoplados à proteína G com a adenilil

ciclase

• Puberdade precoce familiar e hipertireoidismo causados por

adenomas funcionais da tireoide, que são provocados por mutações

nos receptores acoplados a proteínas G que fazem com que estes

permaneçam “ligados” mesmo na ausência dos hormônios que são

seus agonistas naturais.

 

INTERAÇÕES DE FÁRMACOS

Muitos pacientes, especialmente os idosos, são tratados continuamente com

um ou mais fármacos para doenças crônicas, tais como hipertensão,

insuficiência cardíaca, osteoartrite, dentre outras. Eventos agudos (p. ex.,

infecções, infarto agudo do miocárdio) são tratados com fármacos

adicionais. O potencial para interações de fármacos é, portanto, substancial,

e estas são responsáveis por 5 a 20% das reações adversas aos fármacos. Podem ser graves (estima-se que aproximadamente 30% das reações

adversas fatais a fármacos sejam consequência de interações de fármacos).

Os fármacos podem interagir também com substâncias químicas em outros

constituintes da dieta (p. ex., suco de toranja, que inibe a expressão do

CYP3A4 no intestino) e fitoterápicos (como erva-de-são-joão; ver Capítulo

48). A administração de uma substância química (A) pode alterar a ação de

outra (B) por meio de um de dois mecanismos gerais:1

 

1. Modificação do efeito farmacológico de B sem alterar sua concentração

no líquido intersticial (interação farma-codinâmica).

2. Alteração da concentração de B em seu local de ação (interação

farmacocinética), como descrito nos Capítulos 9 e 10.

 

Interação farmacodinâmica

A interação farmacodinâmica pode ocorrer de muitas maneiras diferentes

(incluindo as discutidas em Antagonismo dos fármacos no Capítulo 2). Há

muitos mecanismos e é provável que alguns exemplos de importância

prática sejam mais úteis que as tentativas de classificá-los.

 

• Os antagonistas de receptores β-adrenérgicos diminuem a eficácia dos

agonistas de receptores β-adrenérgicos, como o salbutamol (ver

Capítulo 15)

• Muitos diuréticos diminuem a concentração plasmática de K+ (ver

Capítulo 30) e, assim, predispõem à toxicidade da digoxina e à

toxicidade com os fármacos antiarrítmicos da classe III (ver Capítulo

22)

• A sildenafila inibe a isoforma da fosfodiesterase (tipo V) que inativa o

GMPc (ver Capítulos 21 e 36); consequentemente, ela potencializa os

nitratos orgânicos, que ativam a guanilil ciclase, e pode causar

hipotensão grave em pacientes que usam esses fármacos

• Os inibidores de monoamina oxidase aumentam a quantidade de

norepinefrina armazenada nos terminais nervosos noradrenérgicos e

interagem perigosamente com alguns fármacos, como a efedrina ou a

tiramina, que liberam a norepinefrina armazenada. Isso pode ocorrer

também com alimentos ricos em tiramina – sobretudo queijos

fermentados, como o Camembert (ver Capítulo 48)

• A varfarina compete com a vitamina K, impedindo a síntese hepática

de vários fatores de coagulação (ver Capítulo 25). Se a produção de

vitamina K no intestino for inibida (p. ex., pelos antibióticos), a ação

anticoagulante da varfarina é aumentada

• O risco de sangramento, especialmente do estômago, causado pela

varfarina é aumentado pelos fármacos que causam hemorragia por

mecanismos diferentes (p. ex., ácido acetilsalicílico, que inibe a

biossíntese do tromboxano A 2 plaquetário, e que pode danificar o

estômago; ver Capítulo 27)

• As sulfonamidas impedem a síntese de ácido fólico pelas bactérias e

outros microrganismos; a trimetoprima inibe sua redução à sua forma

ativa de tetra-hidrofolato. Quando administrados em combinação, os

fármacos têm ação sinérgica importante no tratamento da infecção por

Pneumocystis (ver Capítulos 54 e 55)

• Fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINE; ver Capítulo 27),

como o ibuprofeno ou a indometacina, inibem a biossíntese de

prostaglandinas, incluindo as prostaglandinas

vasodilatadoras/natriuréticas renais (prostaglandina E 2, prostaglandina

I 2). Se administrados a pacientes recebendo tratamento para hipertensão,

eles aumentam a pressão sanguínea. Se administrados a pacientes