Rang e Dale: Farmacologia
Interações de fármacos
fármacos que possam influenciar a transmissão neuromuscular (p.
ex., antibióticos aminoglicosídios, ver Capítulo 52)
• Diabetes insípido nefrogênico associado ao cromossomo X,
caracterizado por receptores anômalos do hormônio antidiurético
(HAD, vasopressina) (ver Capítulo 30) e insensibilidade ao HAD
• Hipercolesterolemia familiar, uma doença hereditária dos receptores
de lipoproteínas de baixa densidade (ver Capítulo 24); a forma
homozigótica é relativamente resistente ao tratamento com estatinas
(que atua, em parte, provocando um aumento da expressão hepática
destes receptores), enquanto a forma heterozigótica, muito mais
comum, responde bem às estatinas
• Doenças que influenciam os mecanismos de transdução de sinal:
• Pseudo-hipoparatireoidismo, com origem no comprometimento do
acoplamento dos receptores acoplados à proteína G com a adenilil
ciclase
• Puberdade precoce familiar e hipertireoidismo causados por
adenomas funcionais da tireoide, que são provocados por mutações
nos receptores acoplados a proteínas G que fazem com que estes
permaneçam “ligados” mesmo na ausência dos hormônios que são
seus agonistas naturais.
INTERAÇÕES DE FÁRMACOS
Muitos pacientes, especialmente os idosos, são tratados continuamente com
um ou mais fármacos para doenças crônicas, tais como hipertensão,
insuficiência cardíaca, osteoartrite, dentre outras. Eventos agudos (p. ex.,
infecções, infarto agudo do miocárdio) são tratados com fármacos
adicionais. O potencial para interações de fármacos é, portanto, substancial,
e estas são responsáveis por 5 a 20% das reações adversas aos fármacos. Podem ser graves (estima-se que aproximadamente 30% das reações
adversas fatais a fármacos sejam consequência de interações de fármacos).
Os fármacos podem interagir também com substâncias químicas em outros
constituintes da dieta (p. ex., suco de toranja, que inibe a expressão do
CYP3A4 no intestino) e fitoterápicos (como erva-de-são-joão; ver Capítulo
48). A administração de uma substância química (A) pode alterar a ação de
outra (B) por meio de um de dois mecanismos gerais:1
1. Modificação do efeito farmacológico de B sem alterar sua concentração
no líquido intersticial (interação farma-codinâmica).
2. Alteração da concentração de B em seu local de ação (interação
farmacocinética), como descrito nos Capítulos 9 e 10.
Interação farmacodinâmica
A interação farmacodinâmica pode ocorrer de muitas maneiras diferentes
(incluindo as discutidas em Antagonismo dos fármacos no Capítulo 2). Há
muitos mecanismos e é provável que alguns exemplos de importância
prática sejam mais úteis que as tentativas de classificá-los.
• Os antagonistas de receptores β-adrenérgicos diminuem a eficácia dos
agonistas de receptores β-adrenérgicos, como o salbutamol (ver
Capítulo 15)
• Muitos diuréticos diminuem a concentração plasmática de K+ (ver
Capítulo 30) e, assim, predispõem à toxicidade da digoxina e à
toxicidade com os fármacos antiarrítmicos da classe III (ver Capítulo
22)
• A sildenafila inibe a isoforma da fosfodiesterase (tipo V) que inativa o
GMPc (ver Capítulos 21 e 36); consequentemente, ela potencializa os
nitratos orgânicos, que ativam a guanilil ciclase, e pode causar
hipotensão grave em pacientes que usam esses fármacos
• Os inibidores de monoamina oxidase aumentam a quantidade de
norepinefrina armazenada nos terminais nervosos noradrenérgicos e
interagem perigosamente com alguns fármacos, como a efedrina ou a
tiramina, que liberam a norepinefrina armazenada. Isso pode ocorrer
também com alimentos ricos em tiramina – sobretudo queijos
fermentados, como o Camembert (ver Capítulo 48)
• A varfarina compete com a vitamina K, impedindo a síntese hepática
de vários fatores de coagulação (ver Capítulo 25). Se a produção de
vitamina K no intestino for inibida (p. ex., pelos antibióticos), a ação
anticoagulante da varfarina é aumentada
• O risco de sangramento, especialmente do estômago, causado pela
varfarina é aumentado pelos fármacos que causam hemorragia por
mecanismos diferentes (p. ex., ácido acetilsalicílico, que inibe a
biossíntese do tromboxano A 2 plaquetário, e que pode danificar o
estômago; ver Capítulo 27)
• As sulfonamidas impedem a síntese de ácido fólico pelas bactérias e
outros microrganismos; a trimetoprima inibe sua redução à sua forma
ativa de tetra-hidrofolato. Quando administrados em combinação, os
fármacos têm ação sinérgica importante no tratamento da infecção por
Pneumocystis (ver Capítulos 54 e 55)
• Fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINE; ver Capítulo 27),
como o ibuprofeno ou a indometacina, inibem a biossíntese de
prostaglandinas, incluindo as prostaglandinas
vasodilatadoras/natriuréticas renais (prostaglandina E 2, prostaglandina
I 2). Se administrados a pacientes recebendo tratamento para hipertensão,
eles aumentam a pressão sanguínea. Se administrados a pacientes