Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 282 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Choque por vasodilatação e estados hipotensivos

Usos clínicos dos fármacos na insu ciência cardíaca crônica

 

• Diuréticos de alça, por exemplo, furosemida (ver Capítulo 30)

• Inibidores da enzima conversora de angiotensina (p. ex., ramipril)

• Antagonistas dos receptores de subtipo 1 da angiotensina II (p. ex., valsartana,

candesartana) isoladamente ou, cada vez mais, em combinação com um inibidor da NEP

(valsartana/sacubitril)

• Antagonistas β-adrenérgicos (p. ex., metoprolol, bisoprolol, carvedilol), introduzidos

em dose baixa em pacientes estáveis

• Antagonistas dos receptores de aldosterona (p. ex., espironolactona, ver Capítulo 30; e

eplerenona)

• Digoxina (ver Capítulo 22), especialmente em insu ciên cia cardía ca associada à

brilação atrial rápida estabelecida. Também indicada a pacientes que con ti nuam

sintomáticos apesar de tratamento ideal

• Nitratos orgânicos (p. ex., mononitrato de isossorbida) reduzem a pré-carga, e a

hidralazina reduz a pós-carga. Usados em combinação, prolongam a vida em afro-

americanos com insu ciên cia cardía ca.

 

CHOQUE POR VASODILATAÇÃO E ESTADOS

HIPOTENSIVOS

O choque é uma emergência médica que se caracteriza por perfusão

inadequada de órgãos vitais, geralmente em razão de uma pressão arterial

muito baixa. Isso leva ao metabolismo anaeróbico, com consequente

aumento da produção de lactato. A mortalidade, é muito alta, mesmo com

tratamento ideal em UTI. O choque pode ser causado por várias agressões,

incluindo hemorragia, queimaduras, infecções bacterianas, anafilaxia (ver

Capítulo 18) e IAM (Figura 23.11). O fator comum é a redução do volume

sanguíneo circulante efetivo (hipovolemia) causada ou diretamente por

sangramento, ou por saída de líquido do plasma para a luz intestinal ou para

o líquido extracelular. A resposta fisiológica (homeostática) a esse evento é

complexa: vasodilatação em um órgão vital (p. ex., cérebro, coração ou

rins) favorece a perfusão daquele órgão, mas à custa de uma redução maior

da pressão arterial, que leva à redução da perfusão de outros órgãos. A

sobrevida depende do equilíbrio entre vasoconstrição em leitos vasculares

não essenciais e vasodilatação nos vitais. A linha divisória entre a resposta

fisiológica normal à perda de sangue e o choque clínico é que, no choque, a

hipoxia tecidual produz efeitos secundários que mais ampliam do que

corrigem o desequilíbrio primário. Portanto, os pacientes com choque

estabelecido sofrem vasodilatação profunda e imprópria em órgãos não

essenciais, e isso é difícil de corrigir com vasoconstritores. Em oposição ao

que se necessita para melhorar a função nesta situação, ocorre liberação de

mediadores (p. ex., histamina, 5-hidroxitriptamina, bradicinina,

prostaglandinas, citocinas, incluindo interleucinas e fator de necrose

tumoral, NO e, indubitavelmente, muitas outras substâncias ainda não

identificadas) que causam dilatação capilar e perda líquida. Os mediadores

que promovem vasodilatação no choque convergem em dois mecanismos

principais:

Figura 23.11 Esquema simplificado mostrando a patogênese do choque

hipovolêmico. *A epinefrina causa vasodilatação em alguns leitos vasculares, e vasoconstrição em outros.

 

1. Ativação de canais de potássio sensíveis ao ATP na musculatura lisa

vascular por redução do ATP citoplasmático e aumento de lactato e

prótons.

2. Aumento da síntese de NO, que ativa a fosfatase da cadeia leve da

miosina e ativa os canais KCa.

 

Um terceiro mecanismo-chave parece ser uma deficiência relativa de ADH,

que é secretado agudamente em resposta à hemorragia, mas que

subsequentemente declina, provavelmente em razão de depleção na neuro-

hipófise (ver Capítulo 34).

Os pacientes em choque não são uma população homogênea, tornando

difícil realizar ensaios clínicos válidos e, ao contrário da hipertensão e da

insuficiência cardíaca, há poucas evidências sustentando as estratégias de

tratamento baseadas em desfechos clínicos sólidos (como a melhora da

sobrevida). A reposição de volume traz benefício se houver hipovolemia;

antibióticos são essenciais se houver infecção bacteriana persistente; a

epinefrina pode salvar a vida no choque anafilático e também é usada pelos

intensivistas no controle do choque circulatório de outras etiologias. A

hipoperfusão leva à falência múltipla de órgãos (incluindo insuficiência

renal), e os intensivistas despendem muitos esforços sustentando as

circulações de tais pacientes com coquetéis de fármacos vasoativos, na

tentativa de otimizar o fluxo para órgãos vitais. Os ensaios usando

antagonistas destinados a bloquear ou neutralizar a endotoxina,

interleucinas, o fator de necrose tumoral e a forma induzível da NO sintase,

e usando a proteína C recombinante humana mostraram-se ineficazes ou até

mesmo perigosos. A vasopressina ou a angiontensina II podem aumentar a

pressão arterial, mesmo quando houver resistência à epinefrina; os

corticosteroides suprimem a formação de NO e de prostaglandinas, mas não

têm efeito comprovado uma vez estabelecido o choque; o epoprostenol

(PGI2) pode ser útil em pacientes com inadequada ativação de plaquetas (p. ex., sepse meningocócica); em determinados pacientes podem ser úteis os